Biohazard fez a espera de treze anos valer a pena ao retornar com "Divided We Fall"
Resenha - Divided We Fall - Biohazard
Por Mário Pescada
Postado em 30 de abril de 2026
Nota: 8 ![]()
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O tempo voa e ainda por cima, rápido. Foram treze anos desde "Reborn In Defiance" (2012) até que o Biohazard enfim voltasse a lançar um disco novo. E sabe do melhor? Valeu a pena esperar.
Com cada um seguindo sua vida, a volta do grupo começou de forma acidental: Richie Schuler, irmão do baterista Danny, encontrou por acaso Evan Seinfeld no aeroporto e conversa vai, conversa vem, Evan decide dar um alô para Danny após anos sem se falarem. A fagulha foi acesa, mas as coisas caminharam devagar: muitas conversas, lavagem de roupa suja e graças ao amadurecimento de todos, sobretudo ao processo de aprendizado e cura interior de Evan, aí sim chegou a hora de voltarem. Dar tempo ao tempo, já diziam os antigos.
Da volta oficial no Milwaukee Metal Fest, em 26 maio de 2023, até "Divided We Fall" (2025), aí sim as coisas correram rápido: em pouco mais de dois anos, a formação clássica Seinfeld, Schuler, Graziadei e Hambel, que cá entre nós é a única que funciona como Biohazard, criou seu décimo disco, lançado no Brasil pela parceria Shinigami Records com a BLKIIBLK Records.

A capa, apenas com o nome, seu símbolo e título estampados na cor laranja, marca registrada do grupo novaiorquino, já passa o recado: o foco aqui é o Biohazard, sem distrações. As onze músicas duram pouco mais do que trinta e oito minutos. Se fosse um show, seria daqueles que você sai exausto tamanha intensidade por conta de faixas como "Eyes On Six"; "Word To The Wise" que ao vivo vai abrir uma roda monstra; a grooveada "War Inside Me", que depois cai na pancadaria; "S.I.T.F.O.A." com vocais mais rap, ritmo mais quebrado por conta da bateria e solos de Booby e a peso pesada "I Will Overcome". Pausa para respirar.
O som está exatamente o que os fãs do Biohazard esperaram esses anos todos: metal e hardcore juntos, letras disparando contra uma sociedade falida, sobre desabafos pessoais e falando de coragem e união para superação das adversidades da vida. Impressão que fica é que o tempo não parou para o grupo, que se tudo tivesse se mantido numa boa lá atrás, teríamos esse mesmo disco. O Biohazard mostra que, quem sabe fazer o que faz, não precisa inventar para impressionar.
A produção, mixagem e masterização de Matt Hyde (Behemoth, Slayer, Terror, Soufly) deixou tudo bem pesado. Os timbres das guitarras estão mais para o metal do que para o hardcore, porém, sem perder o groove, característica que fez o grupo conseguir uma verdadeira proeza desde seu surgimento: a de conseguir transitar bem entre o público hardcore e do metal, sem problemas.
Bem-vindo de volta Biohazard e não se esqueçam nunca do sonho daqueles quatro jovens punks do Brooklyn/NY iniciado em 1987. Vocês realmente fizeram e fazem algo especial.
Formação:
Evan Seinfeld: baixo, vocais
Danny Schuler: bateria
Billy Graziadei: guitarra, vocais
Bobby Hambel: guitarra
Faixas:
01 Fuck The System
02 Forsaken
03 Eyes On Six
04 Death Of Me
05 Word To The Wise
06 Fight To Be Free
07 War Inside Me
08 S.I.T.F.O.A.
09 Tear Down The Walls
10 I Will Overcome
11 Warriors
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