O baterista de rock que Neil Peart achava o máximo e descobriu que nunca seria igual
Por Bruce William
Postado em 10 de julho de 2023
Uma das marcas registradas de Neil Peart, o saudoso e lendário baterista do Rush, era sua extrema organização e atenção aos detalhes na hora de tocar, aliadas a uma habilidade natural que foi aprimorada ao longo dos anos por causa da dedicação que Neil aplicava ao estudo do instrumento, e que lhe rendeu milhares de prêmios durante sua carreira. "Seu poder, precisão e composição eram incomparáveis. Ele era chamado de 'O Professor' por um motivo: todos nós aprendemos com ele", declarou Dave Grohl.
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É de se esperar, portanto, que Neil tivesse se inspirado basicamente com músicos que carregassem consigo estas mesmas características, mas nem sempre isto aconteceu. Ele mencionou em uma entrevista que Buddy Rich e Gene Krupa, bateristas de big band, foram algumas de suas influências iniciais. De um lado estava Rich, que era extremamente preciso e intencional em sua execução, e de outro estava Krupa, que tocava de forma bem mais solta e selvagem: "A primeira coisa que meu professor de música tocou para mim foi um disco com uma batalha entre Buddy Rich e Gene Krupa. Isso certamente foi uma boa introdução para a arte fina da bateria. Acho que Gene Krupa foi uma influência realmente importante por causa da forma 'largada' como ele tocava. Possivelmente ele era até um pouco impreciso. Mas mesmo assim era ótimo e tão bem concebido em termos de ser emocionante de tocar e feito para o público ouvir", disse Peart para a revista Rhythm em 1987.
Não tardou para Neil fazer a conexão entre Krupa e outro baterista que ele assumiria ser uma de suas grandes influências. "De certa forma, ele foi o primeiro baterista de rock. Sem Gene Krupa não teria existido Keith Moon. Gene foi o primeiro baterista a comandar o centro das atenções e o primeiro a ser celebrado por seus solos, pois eles eram muito extravagantes. Ele fez coisas que eram basicamente fáceis, mas tocava de forma que ficavam sempre soando espetaculares".
Neil citou Keith Moon pois o lendário baterista do The Who foi outra de suas influências assumidas: "Acho que Keith foi o herdeiro de Krupa no rock'n'roll. Na verdade, vejo muitas semelhanças diretas entre seus estilos de tocar, apesar de Keith ser ainda mais largado e tocasse de forma ainda mais descuidada. Mas ele era um baterista que realmente capturou minha imaginação. Ele me passou uma nova ideia de liberdade e me fez enxergar que não era preciso ser fundamentalista. Eu adorava o jeito como ele inseria elementos estranhos no meio das execuções", revelou para a Modern Drummer nos anos oitenta.
Em outra entrevista com a mesma revista, Neil falou novamente sobre a importância de Keith Moon em sua carreira: "É fato que Keith Moon foi um dos primeiros bateristas que me empolgou realmente com a bateria do rock. Sua personalidade irreverente e maníaca, expressa através de sua bateria, me afetou profundamente. Para mim, ele era o tipo de baterista que fazia grandes coisas por acidente, em vez de por design. Mas a energia, expressividade e inovação que ele representava na época eram muito importantes e grandiosas".
Em seguida, Neil contou que, quando jovem, seu sonho era estar em uma banda que tocasse músicas do The Who, e isto acabou se concretizando, mas no fim das contas não foi exatamente como ele pensava: "É irônico que eu quisesse estar em uma banda que tocasse músicas do The Who e, quando finalmente entrei em uma, descobri que não gostava de tocar bateria como Keith Moon. Eu gostava de ser mais organizado e ponderado sobre o que eu estava fazendo".
"Tive a sorte de ver The Who muitas vezes durante o final dos anos 1960 e início dos anos 1970, e foi muito triste assistir a sua decadência e partida por causa da exuberância de sua vida", disse Peart, se referindo aos excessos pessoais de Keith Moon. "Houve muitos outros grandes bateristas que me ensinaram muitas coisas e me serviram de inspiração, porém nunca mais teremos alguém tão especial como ele", finalizou o baterista.
Com informações da Rolling Stone, Far Out, Rock and Roll Garage, e Cygnus x-1.
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