"Out of This World" do Europe não é "hair metal". É AOR
Resenha - Out of This World - Europe
Por Eduardo Grotta Fornaciari
Postado em 13 de maio de 2026
Uma releitura de um disco cuja ambição melódica, riqueza de arranjos e grandiosidade sonora o colocam mais perto do AOR do que do rótulo simplificador de hair metal.
Primeiramente, devo dizer que este disco é um dos meus favoritos e considero-o uma verdadeira obra-prima. Dito isso, vamos lá.
Existe um hábito crítico bastante comum quando se fala de rock dos anos 1980: o de classificar discos mais pela superfície visual de sua época do que por sua linguagem musical. Em muitos casos, basta a combinação de grande exposição na MTV, produção polida, cabelos volumosos e forte apelo comercial para que um álbum seja imediatamente enquadrado como "hair metal", quase sempre sem maior esforço de distinção.
Com Out of This World, do Europe, aconteceu exatamente isso.

No entanto, quanto mais se ouve esse disco com atenção, menos convincente esse rótulo parece. Para mim, Out of This World não é, em sua essência, um álbum de hair metal. É, antes de tudo, um disco de AOR - e talvez o mais claramente AOR entre os três grandes trabalhos da fase melódica mais conhecida da banda: The Final Countdown, Out of This World e Prisoners in Paradise.
Faço aqui uma ressalva importante: eu também não considero The Final Countdown nem Prisoners in Paradise álbuns de hair metal. Ambos são mais sofisticados, melódicos e bem construídos do que esse rótulo costuma sugerir. Ainda assim, é em Out of This World que essa vocação aparece com maior clareza, maior equilíbrio e maior refinamento.
Ouvir o disco, e não apenas a época
O problema do termo "hair metal", quando usado de forma automática, é que ele tende a embaralhar categorias distintas. Ele pode até ter utilidade como marcador de estética, mercado ou contexto histórico, mas frequentemente se mostra insuficiente quando o objeto em análise exige uma escuta mais precisa.
AOR, por outro lado, descreve com muito mais propriedade uma determinada maneira de construir canções: refrões amplos, teclados com papel central, produção sofisticada, forte senso melódico, arranjos de arena e uma emoção cuidadosamente organizada para soar em grande escala.
É precisamente isso que Out of This World oferece.
O álbum não se sustenta em irreverência, excesso ou caricatura. Sua força está em outro lugar: na arquitetura das faixas, no cuidado dos arranjos, no diálogo entre voz, guitarra e teclados, e na busca constante por uma grandeza sonora que nunca chega a se confundir com exagero vazio. Trata-se de um disco em que a ambição melódica não é acessória; é o próprio centro da proposta.
O disco mais claramente AOR da carreira do Europe
Se eu tivesse de condensar meu argumento em uma frase, ela seria esta: entre The Final Countdown, Out of This World e Prisoners in Paradise, é Out of This World que melhor traduz o Europe para a linguagem do AOR.
Em The Final Countdown, essa vocação já está muito presente, mas ainda dentro de um disco em que a ambição internacional e o apelo comercial aparecem de forma mais explícita: o teclado é onipresente, os refrões são imediatos, a produção é muito polida e o próprio impacto do álbum veio dessa combinação de hard rock melódico com um acabamento pensado para atravessar rádio, TV e mercado global. Até a história do disco mostra essa tensão entre banda de rock e projeção pop internacional.
Já Prisoners in Paradise me soa como um passo diferente: há ali melodia, há ambição, há boas canções e até uma dimensão AOR de arena bastante evidente, mas o resultado parece menos orgânico. Parte da recepção crítica vê o álbum como excessivamente polido, pressionado por escolhas de produção e por um contexto de gravadora que empurrou a banda para uma direção mais calculada, o que ajuda a explicar por que ele soa, ao mesmo tempo, mais elaborado e menos natural do que seu antecessor.
É justamente por isso que Out of This World ocupa, para mim, um lugar especial. O próprio Joey Tempest disse que o disco era "mais guitar driven" e "mais classic rock driven", e essa definição é importante porque ele não descreve um abandono da melodia, mas um equilíbrio mais maduro entre peso, refrão, teclado, espaço e sentimento. Resenhas e comentários de fãs ao longo dos anos convergem nesse ponto: o álbum é lembrado pela limpeza do som, pelos grandes refrões, pelo protagonismo dos teclados, pelo clima melódico e pelos solos de Kee Marcello, que ajudam a dar ao disco uma identidade ao mesmo tempo refinada e emotiva.
Por isso, Out of This World me parece o ponto em que todos os elementos centrais do Europe dessa fase finalmente se encaixam com mais naturalidade: os teclados deixam de ser apenas marca registrada e passam a funcionar como estrutura; os solos deixam de ser apenas brilho instrumental e passam a cantar junto com as músicas; a produção deixa de apenas impressionar e passa a servir à coesão do álbum; e a atmosfera geral deixa de oscilar entre apelo comercial e peso de arena para encontrar um centro próprio. Nada ali soa forçado.
Ao contrário, o disco transmite a sensação de uma banda que sabia exatamente onde estava sua maior força. E essa força era, acima de tudo, a grandeza melódica.
Journey, Asia e a linhagem a que o disco pertence
Quando penso em Out of This World, não o relaciono ao clichê mais superficial do glam metal dos anos 80. O que ouço ali é outra tradição: aquela em que a melodia assume o centro das atenções, o teclado é essencial, a produção é grandiosa e a música quer soar maior que a vida cotidiana.
Por isso, para mim, esse álbum conversa muito mais com certos trabalhos do Journey e do Asia do que com a caricatura simplista que tantas vezes acompanha o rótulo "hair metal".
Não é, claro, que o Europe imitasse essas bandas. O parentesco é mais profundo e interessante: está na forma como a canção é concebida. Em todos esses casos, a música busca amplitude, brilho, emoção e permanência. O refrão não está ali só para ser lembrado; ele é construído como o ponto alto de tudo o que veio antes. O teclado não é apenas um detalhe; ele dita a temperatura emocional da faixa. A produção não só registra a música; ela a expande.
É nesse cenário que vejo Out of This World se encaixar.
O papel decisivo de Ron Nevison
Muito dessa percepção vem da produção de Ron Nevison, essencial para a identidade do álbum. O grande trunfo de Out of This World não é só soar grandioso, mas fazer isso com clareza. O disco tem corpo, peso, brilho e escala, sem nunca perder definição. Há um senso de espaço bem equilibrado: os instrumentos respiram, os arranjos se revelam em camadas, a voz segue central sem sufocar o resto, e a produção mantém tudo coeso sem cair na saturação.
Esse é um ponto importante, já que muitos discos superproduzidos daquela época envelheceram mal por confundir grandiosidade com exagero. Não é o caso aqui. Em Out of This World, a produção refinada não prejudica a clareza do álbum; pelo contrário, é um dos motivos pelos quais ele continua soando tão bem.
Todos os instrumentos têm timbres perfeitos. É possível ouvir cada um deles de forma clara e cristalina, e isso em um disco gravado em 1988. Tudo isso faz com que o álbum se aproxime ainda mais do AOR, não só pela composição, mas também pela maneira como ela é apresentada.
Mic Michaeli e a centralidade dos teclados
Entre os muitos equívocos cometidos a respeito de Out of This World, um dos mais evidentes é subestimar o papel dos teclados no álbum.
Para mim, Mic Michaeli é uma peça central na identidade sonora desse disco. E não apenas em alguns momentos pontuais, mas ao longo de todo o trabalho.
Os teclados, aqui, não aparecem como um adorno cosmético nem como um verniz pop aplicado ao hard rock. Eles cumprem funções muito mais importantes: sustentam harmonias, abrem o campo sonoro, dão profundidade aos refrões, articulam transições, criam atmosfera e reforçam a dramaticidade das músicas. Em muitos momentos, são eles que tornam possível aquela sensação de elevação que distingue o AOR mais inspirado de um hard rock simplesmente eficiente.
Por isso, considero insuficiente dizer que Out of This World "tem teclados". O disco é, em larga medida, pensado a partir deles. Eles participam da estrutura íntima das canções. São parte da espinha dorsal do álbum.
Essa centralidade, aliás, ajuda a explicar por que o disco soa tão coeso. Os teclados não concorrem com a guitarra; eles lhe dão horizonte. Não rivalizam com a voz; ampliam seu alcance emocional. E, ao longo do álbum inteiro, ajudam a construir essa sensação de grandiosidade controlada que é uma das marcas mais nobres do AOR.
Kee Marcello e a elegância dos solos
Se os teclados de Mic Michaeli oferecem profundidade e atmosfera, Kee Marcello entra frequentemente como a voz que leva a música ao ponto máximo de expressão.
Uma das maiores qualidades de Out of This World está justamente em seus solos de guitarra. O que me impressiona neles não é o virtuosismo isolado, nem a velocidade por si só, mas a sua natureza profundamente melódica.
Kee Marcello sola como alguém que entende que um grande solo deve prolongar a emoção da canção, e não interrompê-la. Seus fraseados parecem continuar aquilo que o refrão começou a dizer. Há brilho, há técnica, há intensidade, mas há sobretudo um senso de canto. Os solos não funcionam como apêndices; funcionam como desdobramentos naturais da composição.
Esse disco tem os solos de guitarra mais polidos, melódicos, limpos e emocionantes que eu já ouvi.
É essa qualidade que, para mim, os torna tão valiosos. Eles não exibem apenas habilidade; exibem entendimento musical. E, num disco como este, isso faz toda a diferença.
A fase que o Europe deveria abraçar com mais serenidade
Talvez por isso me cause certa melancolia a forma como o Europe, em diferentes momentos, parece olhar para essa fase de sua carreira com algum desconforto.
Sempre tive a impressão de que o período que vai de The Final Countdown a Prisoners in Paradise é tratado, por vezes, como se fosse uma etapa que precisasse ser relativizada por causa de seu contexto visual, de sua dimensão comercial ou de seu vínculo com uma época muito específica. Como se a banda tivesse, em algum momento, sentido necessidade de se afastar dessa imagem para reafirmar outra forma de legitimidade.
Eu compreendo o impulso. Mas não concordo com ele.
Porque essa fase não foi um equívoco. Foi o momento em que o Europe encontrou uma de suas formas mais completas: melodicamente ambiciosa, tecnicamente refinada, emocionalmente eficaz e sonicamente grandiosa. Foi uma fase em que a banda produziu canções de enorme alcance, sem abrir mão de arranjos ricos e de uma identidade sonora muito própria.
Não me parece algo de que se deva fugir. Parece-me, ao contrário, algo a ser reconhecido com mais serenidade e mais orgulho.
Minha leitura sobre John Norum e a direção posterior da banda
Aqui eu entro num terreno ainda mais pessoal, talvez até mais delicado, porque sei que esse é o tipo de assunto em que a paixão de fã se mistura com frustração, memória e tudo aquilo que a gente imagina que uma banda poderia ter sido.
Sempre senti que o Europe perdeu uma possibilidade rara quando não levou adiante a convivência entre John Norum e Kee Marcello dentro da mesma banda. Para mim, havia ali a chance de uma síntese extraordinária: de um lado, a pegada mais direta, mais crua, mais ligada às raízes; de outro, a riqueza melódica, a sofisticação e a grandiosidade emocional da fase que eu mais amo. Eu realmente acredito que essa combinação poderia ter levado o Europe a um lugar ainda maior.
Mas isso nunca aconteceu. E, na minha leitura, John Norum teve um peso importante nesse desfecho.
Digo isso não como quem pretende estabelecer uma verdade definitiva, mas como alguém que acompanha a história da banda com afeto e que, ao longo do tempo, foi sentindo cada vez mais claramente a direção que acabou prevalecendo. E essa direção, para mim, sempre soou como uma perda.
Porque, aos meus ouvidos, o Europe posterior foi deixando para trás parte daquilo que o tornava tão especial. Foi ficando mais contido, mais seco, mais desconfiado da própria melodia. Os teclados perderam espaço. Os arranjos ficaram menos expansivos. A emoção deixou de ser tão escancarada. A música passou a parecer, em muitos momentos, mais preocupada em reafirmar seriedade do que em alcançar grandeza.
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E isso sempre me entristeceu.
Não porque eu ache que a banda fosse obrigada a repetir o passado. Nem porque eu quisesse que tudo soasse sempre igual. O que me dói é outra coisa: a sensação de que, ao tentar se afastar de uma fase mais grandiosa e melódica, o Europe acabou se afastando também de uma parte muito preciosa da própria identidade.
Talvez seja injusto reduzir isso a uma pessoa só. Eu reconheço isso. Bandas são organismos complexos, cheios de tensões, escolhas, egos e visões diferentes. Mas, no meu sentimento de fã, John Norum acabou simbolizando muito dessa guinada. E talvez seja por isso que minha leitura sobre o papel dele venha carregada não só de crítica, mas também de uma espécie de lamento.
Porque eu não consigo evitar a impressão de que a banda abriu mão de algo muito valioso. Abriu mão de uma combinação rara entre peso, melodia, teclado, atmosfera e emoção. Abriu mão daquela coragem de soar grande sem pedir desculpas. E, para mim, foi justamente essa grandeza que tornou o Europe inesquecível.
É por isso que esse tema me toca tanto. Não se trata apenas de preferir uma fase a outra. Trata-se da sensação de que uma banda que foi capaz de alcançar uma beleza melódica tão intensa acabou, em parte, se afastando dela. E isso, para mim, sempre terá algo de triste.
A contradição que permanece
Talvez o que mais me toque em toda essa história seja justamente essa contradição. Porque, por mais que o tempo passe, por mais que a banda tente se reposicionar, por mais que certas fases pareçam ser tratadas com alguma reserva, é impossível não perceber onde o vínculo mais profundo com o público realmente se formou.
Foi naquela era.
São as músicas desse período que continuam vivas de um jeito especial. São elas que despertam reconhecimento imediato. São elas que acendem a memória. São elas que fazem os olhos mudarem, que fazem o público reagir de outro modo, como se ali existisse alguma coisa que o tempo não conseguiu apagar. E eu sempre senti isso com muita força. Sempre me pareceu evidente que é nessa fase que o Europe permanece mais intensamente no coração das pessoas.
Talvez por isso eu sinta um incômodo tão pessoal quando percebo qualquer distanciamento em relação a esse período. Não porque eu ache que a banda deva viver prisioneira do passado, repetindo para sempre a mesma fórmula. Não é isso. O que me incomoda é outra coisa: a sensação de que uma fase tão bela, tão inspirada e tão decisiva às vezes é cercada por um desconforto que, para mim, simplesmente não combina com a grandeza do que foi criado ali.
Porque eu não consigo olhar para essa era como um embaraço. Não consigo vê-la como um excesso que precisaria ser corrigido depois. Para mim, ela foi uma realização. Foi o momento em que a banda encontrou uma forma rara de grandeza melódica, e isso não deveria causar constrangimento. Deveria causar orgulho.
Talvez seja justamente por amar tanto esses discos que essa contradição me pareça tão triste. A banda continua ligada, no imaginário mais amplo, às músicas que nasceram naquela fase. Continua sendo lembrada, sentida e celebrada através delas. E, ainda assim, às vezes paira no ar uma certa hesitação em abraçar plenamente esse legado.
Eu, sinceramente, não consigo compartilhar dessa hesitação.
Porque, para mim, essa fase não é um peso na história do Europe. É uma das suas maiores conquistas. E tudo o que veio dela - inclusive Out of This World - merecia ser lembrado menos com reserva e mais com afeto, com serenidade e com orgulho.
Um grande álbum de AOR
No fim, eu sei que há algo de profundamente pessoal em tudo isso. Porque, para mim, Out of This World nunca foi só um disco do Europe. Nunca foi só um álbum de 1988. Nunca foi só uma obra que eu escuto, analiso e classifico. Ele sempre foi um disco que me acompanha de um jeito mais fundo, mais emocional, mais difícil de explicar sem soar excessivo - embora eu nem ache que esse disco mereça ser falado com moderação.
Eu amo Out of This World. E talvez seja justamente por isso que me incomode tanto vê-lo reduzido a um rótulo pequeno, preguiçoso, superficial. Porque o que eu encontro nele sempre foi muito maior do que isso. O que eu encontro nele é beleza melódica de verdade. É grandeza sem cinismo. É emoção sem vergonha de si mesma. É uma banda acreditando, com todas as forças, que uma canção pode soar imensa.
Quando eu volto a esse disco, eu não volto apenas a um período do Europe. Eu volto a uma sensação. A um tipo de música que parecia querer alcançar algo mais alto, mais amplo, mais bonito. Volto a teclados que não estão ali para enfeitar, mas para abrir horizonte. Volto a refrões que não tentam apenas grudar na memória, mas tomar conta dela. Volto a solos que não entram para exibir técnica, mas para dizer alguma coisa que a própria voz já não consegue dizer sozinha.
E talvez seja isso que mais me prenda a Out of This World até hoje: ele me lembra de uma época em que o rock melódico não tinha medo de ser melódico. Não tinha medo de soar grande. Não tinha medo de ser sentimental, elegante, grandioso e até um pouco excessivo - mas excessivo da maneira certa, daquela maneira em que tudo transborda porque a música realmente acredita na própria beleza.
Eu não ouço esse disco como um prazer culposo. Nunca ouvi. Não o escuto com ironia, nem com distância, nem como quem revisita uma curiosidade de época. Eu o escuto com amor de fã, com respeito de ouvinte e com a sensação de que ali existe algo que continua vivo. Algo que, para mim, o tempo não diminuiu.
Por isso, quando digo que Out of This World é AOR, não estou apenas tentando corrigir uma classificação. Estou tentando defender a verdade emocional do disco. Estou tentando nomear corretamente aquilo que sempre enxerguei nele: uma obra construída sobre melodia, atmosfera, teclados, emoção, refrões gigantes e uma forma de grandiosidade que poucas bandas conseguiram alcançar tão bem.
Para mim, Out of This World não é um mal-entendido dos anos 80.
Não é uma relíquia visual.
Não é uma fase constrangedora a ser relativizada.
É um disco que eu amo.
É um disco que eu respeito.
É um disco que ainda me comove.
E é justamente por isso que, para mim, ele sempre será o que realmente é:
Uma obra prima.
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