Com "Brotherhood", o FM escreveu um novo capítulo do AOR
Resenha - Brotherhood - FM
Por André Luiz Paiz
Postado em 09 de janeiro de 2026
Em seu décimo quinto álbum de estúdio, o FM, lenda britânica do AOR (Adult-Oriented Rock), não apenas prova que ainda está no auge, mas entrega uma obra que é a definição musical de coesão e maturidade. Batizado de "Brotherhood", o título reflete perfeitamente o som que encontramos aqui: uma união sólida, onde cada membro sabe exatamente seu papel e os atalhos para criar canções instantaneamente agradáveis.

Essa coesão é o resultado direto de uma estabilidade invejável. O núcleo criativo que define o som do FM há mais de uma década – formado pelos fundadores Steve Overland (vocal, guitarra rítmica), Merv Goldsworthy (baixo) e Pete Jupp (bateria), ao lado do tecladista Jem Davis e do guitarrista subestimado Jim Kirkpatrick – demonstra um entrosamento que beira a perfeição. A banda usa essa base para refinar, e não apenas replicar, sua mistura inconfundível de rock melódico com nuances de soul e blues.
Mais uma vez, o destaque natural vai para Steve Overland. Sua voz permanece um patrimônio do rock melódico: as linhas vocais são sempre agradáveis, carregadas de soul e entregues com uma performance sólida e emotiva que eleva o nível de qualquer composição. A abertura do álbum já é um atestado dessa força.
Pistas, Melodia e Emoção
A faixa de abertura, "Do You Mean It", é o cartão de visitas perfeito, misturando um vibe bluseiro e soulful. Com o apoio de backing vocals femininos, a música estabelece um tom sofisticado e comovente, deixando claro que o FM não está descansando sobre os louros de seus clássicos.
A variação de estilos é inteligentemente dosada. De um lado, temos o lado mais agressivo, representado por "Living On The Run", uma faixa mais rocker, rápida e ideal para cantar em arenas, mostrando a pegada Hard Rock do quinteto. Do outro, reside o puro prazer melódico que permeia o disco.
O ponto alto e mais pegajoso do álbum, sem dúvida, é "Don't Call Love". Com um som cativante e agradável, esta canção se gruda no ouvido de forma imediata, ancorada por um refrão forte e guitarras rítmicas de Kirkpatrick que atuam como a "cola" ideal.
E no campo da emoção profunda, a balada "Just Walk Away" se destaca como uma das mais poderosas da discografia recente do FM. Posicionada na metade do disco, é uma faixa que equilibra a performance massiva de Overland com uma sensibilidade melódica que toca fundo.
Lançamento e Edição Física
Um ponto que merece atenção especial é a apresentação física de "Brotherhood". A qualidade do material gráfico, tanto na arte de capa quanto na produção do encarte, é impecável, um verdadeiro deleite para os colecionadores e para aqueles que apreciam o formato físico. No Brasil, os fãs têm o privilégio de ter o álbum lançado pela Shinigami Records, garantindo uma edição nacional de alta qualidade.
"Brotherhood" não é apenas um marco (o décimo quinto álbum) na carreira do FM; é um trabalho que mostra que, ao se apoiar em sua irmandade musical inabalável, a banda consegue criar um disco de coesão perfeita, repleto de hinos atemporais de rock melódico que soam frescos e vibrantes.
Ficha Técnica
Banda: FM
Álbum: Brotherhood (2025)
Lançamento no Brasil: Shinigami Records
Formação (Lineup):
Steve Overland: Vocal, Guitarra
Merv Goldsworthy: Baixo
Pete Jupp: Bateria
Jem Davis: Teclados
Jim Kirkpatrick: Guitarras
Tracklist:
Do You Mean It
Living On The Run
Coming For You
Raised On The Wrong Side
Love Comes To All
Just Walk Away
Don't Call It Love
Time Waits For No One
Because Of You
Chasing Freedom
The Enemy Within
O álbum "Brotherhood" é altamente recomendado e consolida o FM como uma das bandas mais consistentes e criativas do cenário AOR/Melodic Rock.
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