5 clássicos do rock vítimas do próprio sucesso, segundo a Far Out Magazine
Por André Garcia
Postado em 27 de julho de 2026
Toda banda de rock surge sonhando em fazer sucesso. Mas, para algumas, o sonho acaba se transformando em pesadelo justamente quando ele se realiza. Como diz o ditado: cuidado com o que deseja.
A Far Out Magazine listou cinco clássicos do rock que fizeram tanto sucesso que acabaram se tornando um problema para seus próprios criadores.
Yes - Mais Novidades
Yes – "Owner of a Lonely Heart"
Ao longo da primeira metade dos anos 70, o Yes se consagrou como a banda que melhor representava - para o bem e para o mal - o virtuosismo e os excessos do rock progressivo. Em 1983, porém, surgiu completamente remodelada, adotando uma sonoridade mais pop com o hit "Owner of a Lonely Heart", que acabou se tornando uma dor de cabeça.
Segundo o vocalista Jon Anderson, o sucesso da música trouxe uma pressão indesejada para que a banda repetisse a fórmula:
"Assim que chegamos ao [álbum seguinte] 'Big Generator', eu já estava pronto para sair [da banda] porque ninguém estava feliz. Estávamos lutando para fazer um disco de sucesso, e a gravadora e os empresários só falavam nisso. Eles tocavam discos e diziam: 'Este é um disco de sucesso. Façam algo assim'."
Aerosmith – "I Don't Want to Miss a Thing"
Após o sucesso nos anos 70 com sua mistura de hard rock e blues, o Aerosmith entrou em crise, mas recuperou o prestígio na década seguinte. Em 1998, explodiu novamente com "I Don't Want to Miss a Thing", trilha sonora do filme "Armageddon". O problema é que o enorme sucesso da música prolongou por muito tempo a rotina de turnês da banda.
"A gente estava prestes a dar um tempo da estrada quando aquela música apareceu", lembrou o baterista Joey Kramer. "Seguimos em turnê graças a essa música por mais um ano. […] A gente ficava na estrada por 12 ou 18 meses e só saía para gravar outro disco."
Eagles – "Hotel California"
Possivelmente o maior clássico do soft rock, "Hotel California" transformou os Eagles em uma das maiores bandas do mundo e deu origem a um dos álbuns mais vendidos da história. O sucesso, porém, elevou tanto as expectativas que o clima dentro do grupo começou a se deteriorar.
"[Os Eagles] tinham deixado de ser divertidos", disse o guitarrista Glenn Frey. "Ir para o estúdio era como ir para a escola; eu simplesmente não queria ir. E, o mais importante, durante a produção de 'The Long Run', [Don] Henley e eu descobrimos que letras não dão em árvore. É um álbum superlapidado, como não podia deixar de ser depois daquilo tudo. Tem momentos excelentes, mas nenhum de nós queria passar por aquilo de novo. Tanto que achamos que era a hora certa de encerrar as atividades."
Eric Clapton – "Layla"
No caso de Eric Clapton, para a Far Out Magazine argumenta "Layla" marcou seu auge criativo, estabelecendo um elevado padrão usado para todo o restante de sua carreira.
Steve Van Zandt, guitarrista da E Street Band, resumiu essa percepção:
"Para mim, 'Layla' foi a última vez em que tudo - o vocal, a composição e a guitarra [de Eric Clapton] - esteve no mesmo nível de altíssima intensidade. É a interpretação mais original do blues feita pelo Clapton, porque os 'demônios que o perseguiam' tinham um rosto: o amor não correspondido."
Radiohead – "Creep"
Em meados dos anos 90, tudo o que uma banda de rock podia desejar era um hit nas rádios e um clipe em alta rotação na MTV. Com "Creep", o Radiohead conseguiu exatamente isso - e acabou odiando as consequências.
A banda não apenas passou a se cansar da música por ter que tocá-la constantemente, como também se incomodava com o fato de parte do público comparecer aos shows apenas para ouvi-la. Durante anos, "Creep" chegou a desaparecer do repertório do grupo.
"Quando a gente tocava 'Creep', parecia que estava vivendo os mesmos quatro minutos e meio das nossas vidas repetidamente", disse o guitarrista Jonny Greenwood. "Era incrivelmente maçante."
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