Espera de quinze anos vale cada minuto de "Born To Kill", o novo disco do Social Distortion
Resenha - Born To Kill - Social Distortion
Por Mário Pescada
Postado em 18 de maio de 2026
Nota: 10 ![]()
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Quando o Social Distortion lançou "Hard Times And Nursery Rhymes" (2011), o mundo da música era muito diferente do que é hoje: as plataformas se resumiam ao compartilhamento entre fãs de arquivos em mp3, a venda de CDs e LPs ainda rendia uma boa e digna remuneração aos artistas e o melhor de tudo é que não tinha algoritmo te empurrando goela abaixo o que ouvir.
Quinze anos depois e o veterano grupo californiano fundado em 1978 volta, enfim, a lançar um disco novo: "Born To Kill", lançado pela Epitaph Records, mostra um Social Distortion incólume ao tempo.

Por uma sequência de obras do acaso, o disco que estava previsto para ser lançado em meados de 2013-2015, passou por um processo criativo exageradamente detalhista, uma pandemia mundial, um câncer de amígdala superado, uma imersão no Alcoólicos Anônimos, entre outras porradas que derrubaria muita gente, mas Mike Ness, calejado de apanhar, também sabe bater de volta: chutado de casa pelo próprio pai aos quinze e preso no primeiro show da banda depois de cuspir na cara de um policial, passou por vícios, erros, términos, redenção, superação. Aos 64 anos, continua sendo um roqueiro raiz, um dos últimos, talvez. Seu visual, suas atitudes e suas letras pessoais o tornaram um ícone do punk rock, assim como Lemmy Kilmister para o metal: um cara durão, do tipo que é melhor não mexer, mas que você olha e fala, "Que cara foda".
"Born To Kill" (2026) repercute as influências de Jhonny Cash, Rolling Stones, Lou Reed, David Bowie, além do blues e do country renegado. Country, rockabilly, punk rock e blues, alma da música estadunidense, está em cada faixa. Os fãs de longa data - corrigindo, os seguidores de longa data - gostarão do disco novo e quem ainda não a conhece, mas gosta de um bom e honesto rock n' roll, também há de gostar.
Das onze faixas, "No Way Out" e "Don't Keep Me Hanging On" foram recuperadas da época do igualmente ótimo "White Light, White Heat, White Trash" (1996). Há ainda o cover inusitado a princípio, mas que se mostrou brilhante ao final para a mega balada "Wicked Game", de Chris Isaak, mais as importantes participações de Lucinda Williams, musicista vencedora de três Grammy, em "Crazy Dreamer" e Benmont Tench, membro fundador do Tom Petty And The Heartbreakers, em "Over You".
Enfim, demorou muito, mas toda essa espera valeu a pena. "Born To Kill" tem quarenta e cinco minutos de boa música, de ponta a ponta, como a faixa-título que faz uma boa descrição de quem é Mike Ness; "No Way Out" sobre seus fantasmas do passado; "Tonight", um country punk matador; "Wicked Game" que deve ter deixado o próprio Chris Isaak arrepiado; as Les Paul gritando e dando o tom na barulhenta "Walk Away" (Don't Look Back) e "Over You", com solos caprichados do elegante Jonny "2 Bags" Wickersham.

"Eu me peguei barganhando: 'Deus, apenas me deixe terminar esse disco, por favor'". Se Ele ajudou ou não, não sei dizer, mas tá aí um ótimo disco. E já que deu certo, nos resta rezar então para que esse disco seja lançado por aqui, Ness siga com o próximo disco, já adiantado por ele mesmo em um post recente e, se não for pedir muito...que tal voltarem ao Brasil?
Formação:
Mike Ness: vocais, guitarra
Jonny "2 Bags" Wickersham: guitarra
Brent Harding: baixo
David Hidalgo Jr.: bateria
Faixas:
01 Born To Kill
02 No Way Out
03 The Way Things Were
04 Tonight
05 Partners In Crime
06 Crazy Dreamer feat. Lucinda Williams
07 Wicked Game (Chris Isaak cover)
08 Walk Away (Don't Look Back)
09 Never Goin' Back Again
10 Don't Keep Me Hanging On
11 Over You feat. Benmont Tench
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