The Beatles: Algumas questões a respeito da temática luciférica

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Por Don Roberto Muñoz, Fonte: rollingstone
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O triângulo deriva do quadrado, logo, como forma autônoma de proposição imagética, o losango pode ser contemplado como uma re-construção revolucionária, ou seja, anti-tradicional, justamente porque incide contra o quadrado, a adequação civilizatória do mundo inspirada não no triângulo - que vem depois - mas no círculo, a expressão formal, o legítimo número 3, do ponto, o símbolo máximo da Unidade Divina.

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Dito isto, vamos lá. Depois de duas guerras mundiais num mesmo século, tudo o que uma juventude desejosa por dias melhores precisava era apenas d' uma coisa: "Amor". Aqui fundamenta-se o estrondoso sucesso da banda THE BEATLES. O sentimento lunar de acolhimento sentimental como necessidade urgente e catártica para uma geração desiludida com um mundo farsante porque pseudo solar. Quando as pessoas descobriram que o mundo moderno ancorado está no "Comércio", não foi difícil a constatação, posteriormente, que polarizações políticas no mundo nada valem em comparação com o "lucro", seja na guerra, seja na paz.

"THE BEATLES" - "Some other guy", Cavern club, 1962.

Não creio que a banda THE BEATLES tenha feito qualquer tipo de pacto com o "espírito opositivo" no início da carreira. Caso tenha feito, terão que prestar contas no dia do Juízo Final, mas aí não é assunto meu. Sobre o papinho de que o Rock tem intrínseca relação com o diabo, não passa de um equívoco interpretativo da situação. O Rock mais próximo está de "Dioniso" do que qualquer outra coisa. "Dioniso" irrompe sempre quando a proposta "apolínea" derrapa em sua atuação formal no mundo. E como a cultura burguesa/ conservadora americana nada sabe de Cultura Perene...

ELVIS PRESLEY foi o respiro de uma juventude sufocada por educações moralistas derivadas de um Protestantismo tosco porque descompromissado com relações simbólicas para com o Espírito. Depois, no decorrer de sua carreira, a "Mass Media" americana forçou a barra descaradamente para torna-lo mais palatável devido a sua "sexualidade exacerbada"... Evidente, JIM MORRISON foi uma continuidade poética do Rei. Mas o Comércio não aguenta pacientemente condutas por demais "não-governáveis", para utilizar-se um eufemismo, pois a hybris "Caim" pulsante em suas veias transborda rapidinho.

TWISTED SISTER - "We're Not Gonna Take It", 1984.

Com o surgimento dos THE BEATLES as portas do coração juvenil abriram-se para o Amor. Mas o percurso d' atmosfera elucidou empreitadas energéticas mais conflitivas para a época. O trágico num mundo também pode ocorrer por causa do "Espírito do Tempo", grande Jung. E veio o instante derradeiro. O momento de subir no cavalo encilhado que passa na frente do afortunado homem. O que fez a juventude sessentista? Retornou espiritualmente para a Tradição porque desiludida com o mando burguês no ambiente ocidental?

Não, direcionou as suas energias conscientemente para uma postura de protesto diante de tudo e de todos contrários as suas reivindicações juvenis já vaidosamente inflacionadas pelo "business", aproveitador de momentos espontâneos em "pro domo sua" para lucrar financeiramente. Então o espírito panfletário do jovem crescido nos 60's, século XX, mostrou as suas garras, deliberadamente, quando? Não foi a "Contracultura" a grande propagandista da "Era de Aquarius"? Existe postura mais "status quo" do ponto-de-vista luciférico do que o símbolo mor do movimento Contracultural, a "cruz de Nero"?

Capa do álbum "Yesterday and Today", THE BEATLES, 1966.

E qual foi a reação da juventude americana conservadora diante de tantas retóricas pueris? Fincou posição no reacionário moralismo protestante. Aí ferveu... Jequices comportamentais contrapostas por outras jequices comportamentais, diferindo entre si, simbolicamente, apenas pela cor da camisa? Ok, a polarização dualista já tinha fincado raízes na bandeira da França revolucionária, 1789, faixa azul para a situação, faixa vermelha para a oposição. De qualquer maneira, foi nisso que deu o esnobismo americano diante das obras perenes, terminou tudo sendo resolvido pelas "latas de sopa" de Andy Warhol...

Não posso afirmar que a banda THE BEATLES tenha feito o pacto luciférico no decorrer de sua carreira. Porém, a banda, em seu percurso musical no mundo, deu margem para especulações preocupantes não apenas para os seus fãs. Uma banda que sempre defendeu o Amor em suas canções admitir a inserção de Aleister Crowley na capa de um álbum? E a abertura de "All you need is Love" com "La Marseillaise", uma ode à monstruosidade revolucionária anti-christã? O que dizer sobre a declaração do sr. Lennon a respeito da superioridade da banda, em termos de "fama", sobre a Santa Cristandade?

"All you need is Love", THE BEATLES, 1967

Por outro lado, nunca presenciei um "the beatle maníaco" entoar odes demoníacas, seja para a namorada, seja para a família, seja para transeuntes em praça pública. Mas muito presenciei "the beatles maníacos" louvarem uma vida inebriada pelo Amor. Ah, isso sim, constatei nos cotidianos sonoros da vida!... A cor do Amor prescinde de construções racionalistas, pois a Alma sente-se em casa dentro do Coração. São os recalques mal assimilados que antecipam vituperadas interpretações sobre a vida do vizinho. O que significa isso? Que a intenção autoral nem sempre repercute como ele intenciona no público. Vale lembrar a diferença comportamental da turma juvenil entre 50's/ 60's e 60's/ 70's.

E aqui brotam duas possibilidades de análise sobre o tema, baseadas na "Vontade de Poder" e na "Vontade de Cultura" - todos os méritos para Mario Vieira de Mello. Agora, a "Vontade de Poder" e a "Vontade de Cultura" não excluem-se quando baseadas na Tradição - daí a inexpugnável liderança da Inglaterra no mundo - mas nas decodificações seculares, submersas no pântano da Política revolucionária, tais "vontades" alternam suas aparições por meio de arbitrárias formas, logo, ações funestas para a Sociedade. O racha entre as duas "vontades" permite ao Poder ampliar a questão estratégica de maneira oportunista, mas a Cultura pode "correr por fora", caso as pessoas se interessem por questões valorativas.

"A Espada de Dâmocles", reprodução.

Sobre a queda espiritual do Ocidente, não foi por falta de aviso que tais nativos caíram na farsa moderna. Jung na Psicologia, Guénon na Metafísica, Ortega y Gasset na Filosofia, alertaram enfaticamente sobre a terrível problemática massificadora inerente à Modernidade. A Burguesia, como líder intelectual do mundo, naturalmente foca as suas possibilidades de atuação por meio do Comércio. A situação do BIS - Banco de Compensações Internacionais/ "Bank for International Settlements" - no mundo evidencia tal "modus vivendi" moderno.

The BIS and the New World Order.jpg

Reprodução da p. 35 da dissertação "The New World Order: An Economic Global Regime", de Carlo James, M.A., publicada por Dissertation.com em 1999.

Fossem os líderes políticos atuais sérios, e a China comunista seria isolada imediatamente de todas as transações internacionais de Comércio em todos os cantos da Terra. Na boa, a Cultura Chinesa, alicerçada esotericamente em Lao Tsé/ exotericamente em Confúcio, não merecia passar por tal tipo de constrangimento político. Mesmo assim, com toda a força que possui a "Vontade de Poder" no mundo, a "Vontade de Cultura" pode acontecer, e vencer! O mundo não gira em torno do Poder, solamente. Há também as influências dos "espíritos da terra", dos veneráveis ancestrais e por aí vai.

O unicórnio anuncia o futuro nascimento de Confúcio para a sua mãe.

Há uma organicidade aristocrática dentro da Cultura - como também acontece na Natureza - que prescinde d' atos estrategicamente arquitetados. Todo acontecimento espontâneo existente na vida assusta a "Vontade de Poder", pois é algo no qual tal "vontade" não tem controle. Shakespeare detona a impostura dos confrontos politicamente venenosos em "Júlio César". Fato, o argumento shakespereano ancorado está na "Vontade de Cultura", não na "Vontade de Poder".

Eu? Não, eu não gosto de THE BEATLES, mas isto não tem muita importância, aliás, não faz a menor diferença, simplesmente por tratar-se de um "juízo de gosto" sonoro, logo, meramente "opinativo". O que interessa no presente texto é a análise qualitativa - baseada no "juízo de valor" - da repercussão da proposta THE BEATLES, a meu ver, amorosamente ancorada no início, mas que na continuidade de seu caminho artístico apresentou facetas obscuras supranaturalmente afastadas da comunhão amorosa.

A Germânia protestante pagou caro tanto por não levar a sério o "Fausto" anônimo/ 1587 - na questão simbólica do Mal - quanto por supervalorizar a 2ª parte do "Fausto" goetheano/ 1808 - na questão do Progresso. A purificação da direita e a idealização da esquerda apenas rebaixam o debate comunitário em torna da Política. O exercício da violência "Comercial" da direita equivale ao exercício da violência "Estatal" da esquerda, ou seja, ambas estão se lixando para o Domingo. "Fazer o Mal para promover o Bem"? Não, Goethe desconhece a Verdade, pois o Bem vence apesar da Mal.

"A Missão", 1986, dir.: Roland Joffé.

A Humanidade está doente, mas Nossa Senhora - salve São Bernardo! - nunca esqueceu-se do filho. Bem como também não esqueceu-se do Brasil, vide as suas reverberações simbólicas como Nossa Senhora da Conceição Aparecida/ 1717 e como Nossa Senhora das Graças/ 1936. Existe maior heroísmo do que o ser humano carregar a própria cruz de cabeça erguida? "Omnia vincit Amor". Não, Vergilius jamais será esquecido.

Ilustração: DRM

Don Roberto Muñoz, escritor




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Sobre Don Roberto Muñoz

Don Roberto Muñoz, escritor.
Rio-grandense farroupilha nascido em Porto Alegre.

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