John Lennon salvou "a melhor frase" de "Hey Jude" da lixeira, diz Paul McCartney
Por Gustavo Maiato
Postado em 22 de novembro de 2025
Poucas músicas carregam um imaginário tão sólido quanto "Hey Jude", clássico absoluto dos Beatles. Mas, como lembra o jornalista Tom Taylor, até as obras mais monumentais já estiveram em estado bruto, sujeitas a alterações, cortes e inseguranças. O mito de que uma canção nasce pronta cai por terra quando se revisita o modo como John Lennon e Paul McCartney lapidavam ideias - muitas vezes mantendo apenas o essencial, outras vezes salvando o que quase foi descartado. E foi exatamente isso que aconteceu com uma das linhas mais emblemáticas da música.

Segundo Taylor, McCartney compôs a maior parte de "Hey Jude" sozinho, inspirado pelo momento difícil que Julian Lennon enfrentava durante a separação de John e Cynthia. "Eu comecei com a ideia 'Hey Jules… não torne isso pior, pegue uma canção triste e a faça melhor'", relembrou Paul em entrevista a Barry Miles. Ele queria escrever algo que consolasse o garoto e, por isso, manteve o esboço em sigilo enquanto Lennon mergulhava em seu relacionamento com Yoko Ono. Quando Paul finalmente mostrou a canção ao grupo, em julho de 1968, ela já estava praticamente finalizada.
Beatles e "Hey Jude"
Ainda assim, como observa Taylor, havia espaço para alguns ajustes - e um deles quase apagou um verso que se tornaria eterno. Durante uma apresentação informal da música para Lennon e Yoko, na casa de Paul, ele cantou o trecho "The movement you need is on your shoulder" [o movimento que você precisa está no seu ombro] e, imediatamente, tentou descartá-lo. "Eu vou mudar isso, é meio ruim", teria dito McCartney, achando que a metáfora soava esquisita demais para uma balada tão sensível.
A reação de Lennon foi imediata e definitiva. Sem meias-palavras, ele interrompeu o amigo: "Essa é a melhor frase da música", insistiu, conforme relata Taylor. O compositor enxergou ali uma força intuitiva, um brilho que Paul, por estar imerso na própria obra, não percebera. A firmeza de John foi tão grande que McCartney desistiu de mexer no verso. E, ironicamente, sua convicção acabou moldando um dos momentos mais icônicos do catálogo beatle.
Anos depois, Paul admitiu quanto aquilo significou para ele. "Quando alguém é tão firme sobre uma linha que você ia jogar fora, e ele diz 'não, mantenha', você passa a amar duas vezes mais", comentou, comparando o verso a "um filhote de vira-lata que você estava prestes a sacrificar, mas foi salvo e ficou ainda mais bonito". Uma imagem perfeita para retratar a potência criativa de uma dupla que sabia aparar arestas sem apagar a espontaneidade.
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