O álbum dos Beatles que não agradou George Martin nem Paul McCartney
Por Bruce William
Postado em 22 de janeiro de 2026
Quando se fala em Beatles, sempre tem aquela tendência de tratar tudo como "intocável". Só que dentro do próprio círculo deles existiam critérios bem claros, principalmente quando o assunto era estúdio. George Martin e Paul McCartney sabiam reconhecer quando uma ideia funcionava ou quando alguma coisa estava saindo do trilho, mesmo que o público acabasse comprando o pacote do mesmo jeito.
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No começo, Martin ainda era quase um "treinador" de composição e de gravação, ajudando a banda a acertar detalhes que viravam hits. Com o tempo, a engrenagem ficou tão veloz que eles passaram a produzir material em quantidade absurda, e nem tudo seguia a mesma linha. Quando chegou o período em que o grupo já estava mais fragmentado, essa falta de unidade começou a aparecer também nas decisões de estúdio, com cada um puxando para um lado.
É aí que entra o projeto "Get Back", pensado como uma volta ao básico, mais "banda tocando" e menos laboratório. A ideia parecia perfeita para juntar todo mundo de novo, mas as sessões empacaram, e a solução acabou sendo entregar as fitas para Phil Spector mexer na mixagem. Para McCartney e para Martin, a conta não fechou quando ouviram o resultado final do que virou o álbum "Let It Be."
George Martin foi duro ao falar do que Spector fez, principalmente pelo tipo de intervenção que não combinava com a proposta original do material.
Ele resumiu a sensação da seguinte forma, conforme publicado na Far Out: "Foi tão fora do padrão dos Beatles. Foi contra tudo o que os Beatles queriam fazer com o disco. Ele tentou usar as mesmas técnicas que usava nos discos de outras pessoas, e não funcionou."
O caso mais citado dessa briga é "The Long and Winding Road". A música, pensada como algo simples, ganhou cordas e coro, e McCartney ficou especialmente incomodado com o fato de não ter controle sobre o que estavam fazendo com a gravação. Ele falou: "Eu não culpo Phil Spector por ter feito isso, mas isso só mostra que não adianta eu ficar aqui sentado achando que estou no controle, porque obviamente eu não estou."
A irritação não ficou só na entrevista. McCartney escreveu uma carta para o escritório da Apple exigindo que mudanças desse tipo não se repetissem: "No futuro, ninguém terá permissão para adicionar ou retirar nada de uma gravação de uma das minhas músicas sem a minha permissão." E, no pano de fundo, a falta de comunicação entre eles só deixava mais evidente o quanto a banda já estava dividida por dentro.
O texto também lembra que, naquela fase, a situação de gestão pesava: os outros Beatles estavam alinhados com Allen Klein como empresário, e McCartney era voto vencido em decisões importantes. Com isso, o "controle" do material acabou indo para um caminho que ele e George Martin não aceitavam, e essa tensão ainda respingou em outros trabalhos ligados a Spector depois, com John Lennon e o produtor se desentendendo mais tarde e George Harrison dizendo que detestou as primeiras mixagens de "Wah-Wah" no período de "All Things Must Pass."
"Let It Be" acabou virando um dos retratos mais claros de como os Beatles já não funcionavam como um bloco quando chegou a hora de decidir o que ia para o mundo. E, para McCartney e George Martin, ouvir aquelas escolhas na mixagem foi mais um lembrete de que, ali, o estúdio já não era mais um lugar onde todo mundo mandava junto.
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