A melhor música que Paul McCartney escreveu em todos os tempos, segundo John Lennon
Por Gustavo Maiato
Postado em 02 de fevereiro de 2026
A história de John Lennon e Paul McCartney é um dos capítulos mais complexos - e fascinantes - da música popular do século 20. Juntos, eles formaram o núcleo criativo dos Beatles, parceria que redefiniu os limites do rock e influenciou gerações. Mas, como se sabe, o fim da banda em 1970 abriu espaço para mágoas públicas, indiretas musicais e uma rivalidade que marcou o início das carreiras solo. As entrevistas foram resgatadas pela Far Out.

Nos primeiros anos após a separação, a relação entre Lennon e McCartney esteve longe de ser cordial. Paul respondeu às críticas do antigo parceiro com "Too Many People", faixa de seu álbum Ram (1971), enquanto John contra-atacou com a agressiva "How Do You Sleep?", incluída em Imagine no mesmo ano. O embate ganhou contornos pessoais e foi acompanhado de declarações ácidas na imprensa, tornando-se um dos rompimentos mais comentados da história do rock.
Mesmo nesse cenário de tensão, Lennon manteve certa lucidez ao avaliar o legado musical do grupo. Em entrevista à revista Hit Parader, em 1972, ele foi direto ao ser perguntado sobre as composições de McCartney: para John, a melhor música que Paul já escreveu era Hey Jude. A afirmação chama atenção justamente por partir de alguém que, àquela altura, trocava farpas constantes com o ex-parceiro.
Ao explicar sua escolha, Lennon afirmou: "Paul. Essa é a melhor música dele. Começou como uma canção sobre o meu filho Julian, porque Paul estava indo visitá-lo. Depois ele transformou em 'Hey Jude'". A faixa nasceu originalmente como "Hey Jules", escrita por McCartney para confortar Julian Lennon durante o divórcio de John e Cynthia, mas acabou ganhando um significado mais amplo e universal.
Curiosamente, o próprio Lennon admitia enxergar camadas adicionais na canção. Em sua célebre entrevista à Playboy em 1980, ele sugeriu que, mesmo sem intenção consciente, McCartney poderia estar falando diretamente com ele. "Sempre ouvi a música como se fosse para mim", disse John, relacionando versos como "take a sad song and make it better" (pegue uma música triste e a torne melhor) ao momento em que Yoko Ono passava a ocupar espaço central em sua vida.
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