A banda que John Paul Jones considerava num patamar acima do Led Zeppelin
Por Bruce William
Postado em 21 de dezembro de 2025
No auge dos anos 1970, o Led Zeppelin já tinha virado um fenômeno. Disco vendendo muito, turnês gigantes e uma base de fãs que crescia na base do boca a boca, do rádio e de shows cada vez maiores. Mesmo assim, John Paul Jones costuma falar desse período com um tipo de senso de proporção raro para uma banda daquele tamanho.
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Em uma entrevista ligada ao material em vídeo do grupo, com transcrição da Far Out, ele lembrou que, em certas conversas, a imprensa tentava enquadrar o Zeppelin como "o próximo passo" depois dos Beatles. Aí vem o ponto: para ele, essa comparação não se sustentava. Não porque o Zeppelin fosse pequeno, mas porque os Beatles funcionavam em outra escala, mais ampla do que só música e show.
Jones resumiu a diferença assim: "A gente estava começando a ter um público grande, e a única outra banda com a qual comparavam a gente, para eles, era algo como os Beatles - o que não era verdade, porque eles eram um nome presente em toda casa e tinham televisão e filmes. A gente não tinha nada disso."
Ele ainda emendou que a pergunta "Vocês vão fazer um filme?" o pegou de surpresa, porque, na cabeça dele, o Zeppelin era "uma banda que fazia música", não uma operação montada para ocupar cada vitrine de mídia; e que eles também não apareciam na imprensa de fofoca.
Curioso é que o Zeppelin acabou fazendo um longa, mas do seu jeito: "The Song Remains the Same" ("Rock é Rock Mesmo" no Brasil) foi filmado em 1973 e lançado em 1976, como registro de palco com trechos encenados. Já os Beatles tinham entrado cedo no cinema popular, com "A Hard Day's Night" ("Os Reis do Iê-Iê-Iê" no Brasil) em 1964, no olho do furacão da Beatlemania.
O que Jones está descrevendo não é "quem é melhor", e sim o tamanho do alcance. Os Beatles viraram presença constante em televisão, cinema e na cultura de massa como um todo, enquanto o Led Zeppelin cresceu mantendo distância desse circuito e deixando a música falar quase sozinha. E, do jeito que ele coloca, isso também tinha um lado conveniente: ser gigante sem precisar estar em toda parte, o tempo todo.
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