O cantor favorito de Paul McCartney: "Nada chega perto em termos de brilhantismo"
Por Gustavo Maiato
Postado em 05 de fevereiro de 2026
Mesmo depois de décadas sendo celebrado, Paul McCartney continua revelando camadas que ajudam a entender a dimensão do que foi - e ainda é - sua relação com a música. Em artigo publicado recentemente pela Far Out, o jornalista Tim Coffman relembra que, antes de se tornar um dos arquitetos dos The Beatles, McCartney foi, acima de tudo, um fã deslumbrado pelo primeiro grande mito do rock.
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"Há uma boa chance de ninguém jamais conseguir decifrar completamente a magia por trás do que Paul McCartney fez nos Beatles", escreveu Tim Coffman. Para o jornalista, embora muito se fale da parceria com John Lennon ou das mensagens universais das canções, o verdadeiro segredo estava na soma das individualidades que tornaram a banda única.
Coffman observa que, ao longo do tempo, a faceta roqueira de McCartney acabou sendo subestimada. "A reputação de Paul como roqueiro costuma se perder no caminho", afirmou, lembrando que ele frequentemente é visto apenas como o "baladeiro sensível" do grupo. O jornalista questiona: "Será que vamos simplesmente ignorar todas as músicas mais pesadas e explosivas que ele trouxe para os Beatles?".
O texto cita exemplos diretos: "Paperback Writer" nasceu de McCartney, "Helter Skelter" ajudou a pavimentar o caminho do heavy metal e, mesmo quando Lennon era visto como o artista mais vanguardista, Paul já frequentava exposições e experimentava com fitas, o que acabou influenciando faixas como "Tomorrow Never Knows". "Alguns dos efeitos mais estranhos surgiram porque McCartney estava brincando com loops de fita", destacou Coffman.
Segundo o jornalista, nos tempos de Hamburgo, McCartney era o equivalente a Little Richard dentro dos Beatles. Sua voz aguda e agressiva dominava o palco, mas havia algo ainda maior moldando sua ambição artística. "No mundo do entretenimento, não havia gigante maior do que Elvis Presley quando eles começaram", escreveu Coffman.
Foi justamente Elvis Presley quem definiu o ideal máximo para McCartney. O impacto foi imediato. Para Paul, ver Elvis foi como viver sua própria Beatlemania. "Ele parecia um deus antes mesmo de sua música completar um ano de vida", escreveu o jornalista, descrevendo como Presley era capaz de virar qualquer palco do avesso apenas com seus movimentos.
McCartney nunca escondeu essa devoção. Em suas palavras, citadas por Coffman, o ex-beatle foi categórico: "Eu amo Elvis tanto que escolher um favorito seria como apontar uma pintura do Picasso. Há dias em que só escuto o Elvis do começo e, quando faço isso, fico repetindo para mim mesmo que nada chega perto dele em termos de brilhantismo".
Para Tim Coffman, esse ponto costuma ser esquecido quando se fala de Presley. "Apesar de ser um dos maiores performers da história, Elvis também foi um dos maiores cantores de sua geração", escreveu. Mesmo no retorno de 1968, com o icônico figurino de couro, ele ainda demonstrava toda a força vocal que havia encantado o mundo nos anos 1950.
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