O disco que John Lennon dizia que Beatles jamais faria: "Eu odiaria um álbum assim"
Por Gustavo Maiato
Postado em 03 de dezembro de 2025
Quando a cultura pop passou por um terremoto na década de 1960, a maior parte do mundo da música comemorou. Os Beatles tinham chegado para abrir caminhos, expandir possibilidades e remodelar completamente o que se entendia como música popular. Porém, enquanto a banda de Liverpool revolucionava tudo ao redor, alguns ícones da era anterior acabavam ofuscados.
Antes da invasão britânica, duas forças dominavam o imaginário musical americano. De um lado, Elvis Presley, que modernizou o rhythm & blues e pavimentou a estrada que os Beatles percorreriam anos depois. Do outro, o elegante e tradicional Frank Sinatra, com seu terno impecável e performances impecáveis de músicas escritas por outros.
Os Beatles até começaram sua trajetória com ternos e charme comportado, mas rapidamente se tornaram o oposto de Sinatra. Eles escreviam suas próprias canções, experimentavam sem pedir permissão e não dependiam de participações especiais ou roteiros hollywoodianos para legitimar seu trabalho. A música, por si só, bastava.
Por isso, quando chegaram à fase mais experimental, por volta de 1966, qualquer ideia de colaboração externa parecia desnecessária - e até inconveniente. Ninguém no mundo, por mais famoso que fosse, se encaixava naturalmente em um disco dos Beatles.
Foi nesse contexto que John Lennon deixou clara sua aversão a álbuns de duetos fabricados, muito comuns entre artistas da velha guarda: "Nenhum de nós jamais gostou desses álbuns que juntam duas pessoas que são parecidas ou… eu não sei, tipo Sinatra e alguém mais, sabe?", disse Lennon. "Eu não gosto disso. Eu odiaria um álbum assim."
A frase resgatada pela Far Out funcionava quase como um manifesto: os Beatles não precisavam - nem queriam - ser associados a Sinatra ou ao modelo tradicional de estrelato americano. Era um recado para o passado e um símbolo do conflito geracional. Enquanto Sinatra representava a elite do entretenimento e seus rígidos padrões, os Beatles incorporavam espontaneidade, juventude e autenticidade.
O jornalista Callum MacHattie explica no texto: "O público também mudou. A nova geração dos anos 1960 não buscava mais canções conservadoras cantadas por vozes impecáveis de intérpretes clássicos. Eles queriam ouvir jovens falando sua própria verdade, sem filtros ou protocolos".

E, como a história provou, Lennon estava certo: meio século depois, álbuns autorais continuam sendo o formato mais valorizado da música, enquanto discos de duetos arranjados por gravadoras viraram relíquias do passado.
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