A bronca que John Paul Jones tinha com os Beatles; "Eles escrevem boas músicas, mas..."
Por Bruce William
Postado em 03 de janeiro de 2026
Na entrevista ao Lemon Squeezings, gravada em 10 de dezembro de 2001 com Steve "The Lemon" Sauer, John Paul Jones estava falando de palco, de shows longos, de improviso e daquele tipo de noite em que a banda precisa "se virar" para preencher o tempo. Lembrando uma apresentação no Boston Tea Party em que o Led Zeppelin tocou mais de quatro horas, ele conta que, depois de repetir parte do repertório, o grupo começou a puxar o que desse para tocar ali na hora.
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A lista, segundo ele, virou uma espécie de apanhado de clássicos: "qualquer música dos Beatles que alguém soubesse mais do que quatro compassos", além de coisas dos Everly Brothers e de Elvis Presley. Do jeito que ele descreve, é o Zeppelin operando como banda mesmo: repertório curto, noite longa, e a saída foi tocar o que todo mundo na sala reconhecia.
Daí a conversa chega nos Beatles por um caminho curioso: não como influência "romântica" de adolescente, mas como uma força que mudou a maneira de gravar e, na visão dele, empurrou todo mundo para outra direção. Jones diz que os Beatles "abriram a cabeça" com "Revolver" ao tratar o estúdio como instrumento, com a banda "tocando" o estúdio também. Ele reconhece esse impacto com todas as letras: "Aí eu pensei: 'isso está mudando a cara da música pop'", e lembra que outras bandas foram atrás, citando os Beach Boys como exemplo de quem acompanhou essa virada de estúdio.
Só que, no meio do elogio, aparece a "implicância" dele - e é aí que mora a manchete. Jones diz: "A minha bronca pessoal com os Beatles é que eles também mataram a música instrumental para sempre, desde a primeira música. Porque tinha muita música instrumental na Inglaterra, muitas bandas instrumentais. Aí os Beatles chegaram. (bate palmas uma vez) Acabou a música instrumental. Daí em diante, é tudo vocal."
Ou seja: ele dá crédito por uma revolução de estúdio, mas também acusa - meio que em tom de piada, é bem verdade - um efeito colateral bem específico, ligado ao mercado e ao gosto do público. E o mais legal desse trecho é que não é discurso de um mero fã: é músico falando como músico, lembrando como era a cena e como, de repente, tudo virou canção com vocal no centro.
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