O álbum dos anos 80 que George Harrison disse estar acima dos outros; "boa música bem tocada"
Por Bruce William
Postado em 07 de dezembro de 2025
Nos últimos anos em que falou publicamente sobre música, George Harrison já não se mostrava muito empolgado com "novidades". O ex-Beatle tinha outros interesses, se envolvia com cinema, valorizava a vida em casa e olhava para o show business com desconfiança. Mesmo assim, havia um álbum de rock da época que ele colocava um degrau acima, um disco que, segundo ele, era simplesmente boa música bem tocada, sem nenhum enfeite desnecessário.
Esse distanciamento começou a ser construído ainda na segunda metade dos anos 1970. Em 1977, Harrison resolveu se afastar do ambiente da música para preservar a própria sanidade e chegou a dizer que tinha se "desligado totalmente do ramo musical", preferindo viver como homem de família. A volta ao estúdio veio em 1979, com o álbum "George Harrison", mas a relação com a indústria já estava desgastada, em parte por causa do processo de plágio envolvendo "My Sweet Lord", que o deixou ainda mais desconfortável com o lado burocrático e jurídico do negócio.
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Anos depois, em 1992, conversando com a revista Guitar World, Harrison admitiu que quase nada do que ouvia de novo despertava a mesma sensação de quando era jovem. "Não posso dizer que realmente tenha ouvido algo que me dê uma empolgação como algumas daquelas coisas que fizemos nos anos 50 e 60", afirmou, em fala resgatada pela Far Out. Em seguida, porém, abriu uma exceção: "A última banda de que eu realmente gostei foi o Dire Straits, no álbum 'Brothers in Arms'. Para mim, aquilo era boa música bem tocada, sem nenhuma besteira".
Lançado em 1985, "Brothers in Arms" colocou o Dire Straits entre as maiores bandas do planeta, com faixas como "Money for Nothing" dominando rádios e paradas. O disco vendeu milhões, virou referência de som de estúdio e ajudou a popularizar o CD, mas o elogio de Harrison ia além dos números: ele enxergava ali um raro caso em que um álbum gigantesco de rock ainda mantinha o foco em composição, execução e arranjo, sem os excessos que ele criticava na produção oitentista.
Na mesma época em que elogiava o Dire Straits, Harrison também retomava a vontade de criar por conta própria, em grande parte graças à parceria com Jeff Lynne, que acabaria desaguando no Traveling Wilburys. Mesmo assim, ele deixava claro que já não tinha o hábito de ficar "maravilhado" com discos novos como fazia na juventude.
Justamente por isso, o fato de destacar "Brothers in Arms" tantos anos depois do lançamento mostra o quanto aquele álbum, para George Harrison, se destacava como um dos poucos trabalhos de rock novos (para a época) que ainda preservavam a qualidade que ele associava à geração que formou o seu ouvido.
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