O maior rockstar que existiu para David Bowie, que pensava a canção como gesto e atitude
Por Bruce William
Postado em 19 de outubro de 2025
David Bowie nunca tratou o rock como mera vitrine; pra ele, era um campo de prova. A cada fase, a pergunta era a mesma: como manter a canção clara sem abrir mão do risco? Nesse ponto, havia um nome que ocupava o norte do mapa afetivo dele: John Lennon.
O encanto não tinha a ver com virtuosismo ou truques de estúdio. O que atraía Bowie era a disposição de Lennon de mexer na forma sem perder o fio da melodia, ao dizer algo que qualquer um pode cantar e, ao mesmo tempo, mover a fronteira do gênero.
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Quando os dois se cruzaram no estúdio de "Fame" (1975), Bowie confirmou a impressão que já trazia: Lennon pensava a canção como gesto e atitude. Nada de acumular ideias ou simplesmente reciclá-las; era escolher a que cortava mais fundo e bancar até o fim.
Bowie resumiu essa admiração que ele consolidou ao ter contato direto com Lennon em fala com transcrição feita pela Far Out: "Eu achava que ele era o melhor do que se podia fazer com o rock and roll. Sentia afinidade com ele por ser, com justiça, avant-garde, sempre buscando ideias de fora, na periferia do mainstream."
Daí nasce a lição que Bowie realmente carregou: não se repetir. Em vez de copiar o "jeito Lennon", ele adotou o princípio que o moveria ao longo de toda a sua carreira: mudar de pele como um camaleão quando a fórmula ameaçava virar caricatura, manter a melodia como âncora e o risco como motor.
Também há um recado ético embutido nisso: assumir autoria do próprio gesto, inclusive quando dá errado. Lennon não esperava consenso para tentar; Bowie leu isso como permissão para ser radicalmente ele mesmo, em público.
Quando Bowie dizia que Lennon foi "o melhor do que se podia fazer com o rock and roll", não era no sentido de ser o músico mais técnico, mais criativo ou mais "alguma coisa" no sentido comparativo. O que ele estava estabelecendo era um parâmetro de coragem artística. E o tributo que ele pagou para quem considerava um ídolo não foi discursivo: foi discográfico.
A cada disco, a mesma resposta exigente à mesma pergunta: dá pra ser novo de verdade sem soltar a mão da melodia? Para Bowie, graças a Lennon, a resposta foi sempre sim.
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