O guitarrista de jazz que largou John Lennon no estúdio; "Poderia ter sido muito legal"
Por Bruce William
Postado em 19 de novembro de 2025
John Lennon costuma ser lembrado pelos grandes momentos e pelo fim trágico em 1980, mas boa parte dos anos 1970 foi marcada por confusão, crises pessoais e gravações complicadas. Um exemplo é o álbum de covers "Rock 'n' Roll", lançado em 1975. As primeiras sessões, em Los Angeles, foram produzidas por Phil Spector e ficaram famosas pelo caos: noites regadas a álcool, estúdio lotado, tiros de revólver e, mais tarde, até o desaparecimento das fitas nas mãos do próprio produtor.
No meio desse cenário, um dos músicos chamados foi Larry Carlton, guitarrista de jazz muito disputado na época. Ele foi contratado para uma semana de gravações no A&M Studios, em Hollywood, sempre a partir das sete da noite. "Phil Spector, o produtor, tinha reservado um monte de músicos para as sete horas todas as noites daquela semana, cinco noites", recordou Carlton em uma entrevista reproduzida na Far Out. Ou seja: trabalho certo, horário combinado, equipe pronta.

O problema é que nem Lennon nem Spector pareciam preocupados com pontualidade. Carlton chegou na hora, mas ficou esperando. Quando finalmente os dois entraram no estúdio, já haviam se passado cerca de três horas. A impressão foi imediata: "Era uma fase ruim para o John. Ele tinha bebido", contou o guitarrista. A primeira música da noite foi uma versão de "Bony Maronie", de Larry Williams, mas o clima não ajudou: "Foi um saco. Não era nada profissional e não era o que eu esperava", resumiu.
Depois dessa experiência, Carlton decidiu que não valia a pena insistir. Ele conta que terminou a noite, voltou para casa e tomou uma decisão simples: "Eu cheguei em casa e liguei para o escritório do Phil Spector, era meia-noite, e só deixei um recado: 'Desculpa, não vou conseguir ir no resto da semana.' Então eu cancelei. Não era assim que eu queria gastar meu tempo. Poderia ter sido muito legal, mas enfim... acontece." Em outras palavras, ele preferiu abrir mão de tocar com um ex-Beatle a aturar mais noites de atraso e desorganização.
O resto da história mostrou que ele não exagerou na avaliação. As sessões com Spector degringolaram de vez: além das bebedeiras, houve episódios como o produtor aparecer fantasiado de cirurgião e disparar um revólver dentro do estúdio, o que acabou banindo a equipe do A&M depois de uísque derramado na mesa de som. Para completar, Spector levou as fitas para casa, sofreu um acidente de carro que o deixou em coma e desapareceu de cena por meses, atrasando o projeto por cerca de dois anos até que o material fosse recuperado.
Enquanto isso, Lennon seguiu oscilando entre momentos de foco e períodos de autossabotagem, alternando bons discos, problemas legais e desgaste pessoal. "Rock 'n' Roll" acabou saindo em 1975, já com sessões adicionais produzidas pelo próprio Lennon em Nova York, mas a participação de Larry Carlton ficou restrita àquela única noite frustrante em Los Angeles. Para o guitarrista, foi um trabalho que terminou com um simples "sorry" ao telefone; para quem olha a trajetória de Lennon por dentro, é mais um retrato de como a década de 1970 foi bem menos glamourosa do que a imagem que costuma ficar para o grande público.
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