O álbum dos Beatles que George Martin dizia não fazer sentido
Por Bruce William
Postado em 12 de janeiro de 2026
George Martin esteve dentro da sala quando os Beatles mudaram de pele uma, duas, dez vezes. E ele próprio reconhecia que essa "troca de rumo" era parte do motor do grupo - cada disco vinha com uma ideia nova, um jeito novo de gravar, de arranjar, de pensar canções.
Só que nem sempre ele acompanhava tudo com a mesma clareza. Mesmo participando das sessões e ouvindo as conversas no estúdio, Martin dizia que havia momentos em que ele também ficava sem entender direito onde aquilo estava indo.
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Ao falar sobre a fase em que cada lançamento parecia virar a chave para outro lugar, ele resumiu assim: "Todo mundo dava uma guinada nova, e isso meio que se manteve durante a carreira inteira." E aí vem o detalhe: existia um trabalho específico em que, para ele, algumas escolhas soavam como "barulho demais" sem explicação.
O alvo era "Magical Mystery Tour". Conforme a Far Out, Martin comentou que, ali, certas partes mais "viajadas" simplesmente não faziam sentido para ele: "Houve algumas coisas durante 'The Magical Mystery Tour', as partes de 'surto', que não pareciam fazer muito sentido."
A confusão tem um motivo prático: "Magical Mystery Tour" sempre viveu num formato meio torto. Não é um álbum "de estúdio" no molde tradicional - nasceu como projeto ligado ao filme para TV e, no formato mais conhecido (o LP americano), virou uma mistura de músicas do filme com singles daquele período.
E é aí que mora a ironia: esse pacote "esquisito" guarda algumas das faixas mais lembradas da fase 1967, como "Strawberry Fields Forever" e "All You Need Is Love". Só que, como obra fechada, Martin enxergava um disco que não se encaixava tão bem quanto os outros e, para um cara acostumado a "entender" a lógica dos Beatles, isso já diz bastante.
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