A banda que foi "os Beatles" da geração de Seattle, segundo Eddie Vedder
Por Bruce William
Postado em 28 de novembro de 2025
Quando se fala em rock dos anos 1990, a imagem mais óbvia ainda é a de Seattle tomada por guitarras sujas, flanelas e bandas que pareciam ter surgido de repente em todos os cantos. Pearl Jam, Nirvana, Soundgarden, Alice in Chains e tantas outras viraram referência para quem cresceu na época, mas, para os músicos que estavam lá antes da explosão, a história não começou no "Ten" ou no "Nevermind". Muita coisa já tinha sido absorvida de outras cenas, outros discos e outros palcos bem menores.
Eddie Vedder sempre fez questão de lembrar que o grunge não nasceu isolado. Nas entrevistas, ele cita de tudo: Led Zeppelin, Pink Floyd, The Who, R.E.M., Fugazi, bandas de punk, de rock alternativo e, claro, os Beatles. Ao mesmo tempo, quando fala da formação de identidade da cena de Seattle, ele aponta para um grupo em particular como a faísca que mudou a cabeça de todo mundo por ali.

Antes de qualquer contrato grande aparecer, havia uma sensação de que o rock americano precisava de algo mais direto, mais curto e menos "perfeito" do que o que dominava rádios e clipes na virada dos anos 1980 para os 1990. A herança do hard rock de arena e do glam metal ainda estava muito presente, mas, em paralelo, existia uma outra linha sendo seguida por quem frequentava porões, casas pequenas e lojas de disco: o caminho aberto pelas bandas de punk dos anos 1970.
Foi aí que os Ramones entraram no radar dessa geração de forma definitiva. Com músicas curtas, andamento acelerado, letras simples e uma atitude que não dependia de virtuosismo nem de cenário grandioso, o grupo de Nova York oferecia um modelo pronto para qualquer moleque que quisesse montar uma banda com três acordes e muita vontade. Para os músicos de Seattle que estavam começando, isso valia mais do que qualquer solo cheio de notas.
Vedder contou que um colega da cena, o guitarrista John McBain, encontrou uma frase que resumia bem esse sentimento coletivo. "Os Ramones foram um plano básico tão necessário na época e foram tão importantes para o que viria depois", disse Eddie, em fala publicada na Far Out. Em seguida, ele completou com a lembrança da frase de McBain, que acabou virando um resumo daquela geração: "John McBain, um grande músico de Seattle, disse algo que eu acho que falou por toda a comunidade de Seattle quando ele disse: 'Os Ramones foram os nossos Beatles'."
A comparação não é sobre sonoridade, mas sobre função. Assim como os Beatles abriram a cabeça de uma geração inteira nos anos 1960, mostrando que dava para escrever as próprias músicas e levar o rock a lugares que antes pareciam improváveis, os Ramones cumpriram um papel parecido para quem viria a formar a cena alternativa americana. Eles mostraram que dava para abandonar poses e excessos, simplificar tudo e, mesmo assim, causar um impacto duradouro.
Nem toda banda de Seattle soava como o quarteto de Nova York, e muita coisa que saiu dali tinha outro tipo de construção, climão e ambição musical. Mas, por trás das diferenças, havia um ponto em comum que Vedder e outros músicos nunca deixaram de reconhecer: a ideia de que qualquer garoto com pouca estrutura, mas muita urgência, podia subir num palco, ligar o amplificador e tentar dizer alguma coisa - exatamente a sensação que muita gente teve da primeira vez que ouviu "Blitzkrieg Bop". Para aquela geração, os Beatles já estavam nos livros de história; quem fez o papel de "choque inicial" em tempo real, como Vedder resumiu, foram mesmo os Ramones.
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