O disco que John Lennon disse que os Beatles jamais fariam; "Odiaria um álbum assim"
Por Bruce William
Postado em 24 de novembro de 2025
Nos anos 1950 e início dos 60, era comum ver gravadoras juntando grandes nomes em um mesmo LP: cantor consagrado de um lado, convidado famoso do outro, todo mundo bem arrumado na capa e um repertório escolhido para agradar o público mais amplo possível. Para a indústria, esse tipo de álbum "duplo" era uma maneira de somar forças e manter velhos formatos circulando, mesmo com a cena musical mudando rápido.
Nesse cenário, Frank Sinatra era um símbolo perfeito do modelo tradicional. Dono de uma carreira construída em cima de grandes orquestras, arranjadores e compositores, ele representava um tipo de entretenimento alinhado com uma visão mais conservadora de mundo: smoking, repertório escolhido a dedo e um ambiente em que o cantor interpretava canções feitas sob medida, mas escritas por outros. Era o padrão de estrela que dominava antes da explosão do rock.

Quando os Beatles surgiram, ainda de terno e gravata, eles pareciam inicialmente encaixar nesse sistema. Mas, em pouco tempo, o foco se deslocou. A banda passou a ser vista como o oposto daquela lógica: jovens que escreviam suas próprias músicas, gravavam como grupo e, aos poucos, queriam interferir em tudo, do arranjo ao conceito do álbum. A partir de meados da década, o interesse deles estava mais em experimentar dentro do estúdio do que em aceitar fórmulas externas.
Por volta de 1966, essa autonomia já era evidente. A banda se afastava de turnês, testava sons e estruturas diferentes e passava a enxergar o LP como uma unidade pensada de cima a baixo, não mais como um simples conjunto de faixas. Dentro desse contexto, qualquer ideia de "colar" o nome dos Beatles ao de outro astro em um disco conjunto soava deslocada, quase como um passo atrás em relação ao que eles estavam tentando construir.
Foi nesse espírito que John Lennon, ao ser perguntado sobre esse tipo de produto de gravadora, não deixou margem para dúvida. Ele disse, em fala republicada na Far Out: "Nenhum de nós jamais gostou daqueles álbuns em que colocam duas pessoas juntas que são ou parecidas ou, sei lá, tipo o Sinatra e mais alguém, sabe. Eu não gosto disso. Eu odiaria um álbum assim".
A frase deixa claro que, para ele, colocar os Beatles nesse molde era algo totalmente fora de questão. O comentário também ajuda a iluminar a distância entre o universo dos Beatles e o de Sinatra, que muitas vezes eram citados como símbolos de gerações diferentes. De um lado, o cantor associado a uma América mais formal, baseada em standards, grandes salões e público adulto. Do outro, um grupo que falava diretamente com jovens, escrevia o próprio material e queria experimentar formatos novos de gravação, sem depender de uma "benção" de figuras já estabelecidas no show business.
Mais de meio século depois, a posição de Lennon acaba parecendo quase óbvia: a discografia dos Beatles seguiu exatamente essa linha de discos autorais, sem álbuns de duetos montados pela gravadora com outro grande nome na capa. Em vez de projetos do tipo "Beatles & Sinatra", o que ficou foram os LPs em que o quarteto assinava as músicas e controlava cada vez mais o resultado final, do início ao fim do lado A e do lado B.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



De 40 mil para 9 mil lugares: Sepultura poderia ter evitado choque de realidade?
"Não chego aos pés dele"; o guitarrista contemporâneo admirado por Jimmy Page
Elton John mantém tradição de tocar hit que "só é conhecido no Brasil" com show no Rock In Rio
O melhor baterista de todos os tempos, segundo Lito Sousa, do Aviões e Músicas
Os clássicos da literatura que Nando Reis não suporta: "Esse cara é antipático"
A música que marcou o fim do auge do Oasis, segundo o Noel Gallagher
Angra celebra a força dos palcos em novo videoclipe de "Lisbon"
As dez melhores músicas de thrash lançadas entre 1983 e 1985, segundo a Metal Hammer
"Foi adorável": Ian Gillan fala sobre reencontro do Deep Purple com Ritchie Blackmore
O baterista do prog que Neil Peart admirava profundamente
A música que coloca Elton John no topo do Rock in Rio 2026, segundo Estadão
Músicos do Mastodon são processados por uso da imagem de Brent Hinds
O melhor álbum de hard rock de cada ano dos anos 2000, segundo a Loudwire
De AC/DC a ZZ Top, os 20 melhores discos lançados em 1981, segundo a Louder
O "Smoke on the Water" do Scorpions, segundo Rudolf Schenker

A melhor "música pop adolescente" de todos os tempos, segundo Brian May
A canção que Paul McCartney chamou de uma das mais matadoras de todos os tempos
A canção onde os Beatles "inventaram" Jimi Hendrix, de acordo com George Harrison
"A melhor coisa que já fiz"; quando John Lennon atingiu o mesmo nível dos Beatles
A banda que Brian May chamou de "mágica" e gostaria de ter integrado
A composição própria que John Lennon comparou a "Like a Rolling Stone"
A música dos Beatles que Stevie Nicks considera perfeita e quase uma premonição
Paul McCartney lista suas músicas favoritas dos Beatles, e a que mais ouviu na vida
A música solo de Paul McCartney que ele próprio odeia: "Não consigo nem ouvir!"
A música dos anos 90 que parece ter "pegado emprestado" um clássico dos Beatles
O clássico do "Abbey Road" cuja letra foi "roubada" por McCartney de canção vitoriana
Antes de morrer, John Lennon contou para Pelé que não sabia quanto tempo de vida tinha


