A fase dos Beatles que Jim Morrison mais adorava; "Eles eram autênticos e bem crus"
Por Bruce William
Postado em 08 de fevereiro de 2026
Quando se fala em Beatles na segunda metade dos anos 60, quase sempre é citado o mesmo lote de álbuns revolucionários: "Rubber Soul" (1965), "Revolver" (1966) e "Sgt. Pepper's" (1967). É a fase em que o grupo amplia o leque do rock em estúdio, misturando instrumentos, ideias e referências que iam bem além do formato tradicional de banda.
Nesse período, o rock também estava mudando de pele em várias frentes. Surgem (ou ganham tração) nomes que vão do psicodélico ao experimental, enquanto outros artistas começam a brincar com eletrificação, arranjos mais ousados e temáticas menos "de rádio". Tudo isso ajuda a criar aquele cenário de fim de década que ainda hoje vira referência quando alguém fala em "expansão" do rock.

Do outro lado desse mundo estava o The Doors. A banda tinha uma mistura própria de rock, blues, jazz e psicodelia, com Jim Morrison carregando o papel de frontman e letrista numa direção mais sombria, mais provocativa e menos alinhada com a ideia de "paz e amor" que também circulava naquela época.
Por isso, seria fácil imaginar que Morrison olhasse para os Beatles e ficasse com a fase mais lisérgica, mais cheia de camadas e de estúdio. Só que a lembrança registrada na biografia "No One Here Gets Out Alive" (Amazon) vai para outro canto. Morrison diz: "Eu curti muito os primeiros discos dos Beatles. Eles eram autênticos e bem crus."
Quando ele fala "primeiros discos", a leitura mais provável é que estivesse pensando em títulos como "Please Please Me" e "With the Beatles" (ambos de 1963), que já mostram um grupo afiado de estrada, mas ainda com aquele som direto, sem o nível de lapidação que viria depois nas gravações.
Isso não quer dizer que os Beatles não fossem "bons" em estúdio desde cedo, mas dá pra perceber uma diferença de abordagem conforme os anos avançam. A própria presença de George Martin como produtor (e uma espécie de tutor musical) pesa na evolução do grupo, especialmente quando as gravações passam a exigir mais arranjo, mais experimentação e mais controle de detalhes.
A partir de "A Hard Day's Night" (1964), o som vai ficando mais polido e sofisticado, com exceções pontuais como "Beatles for Sale", que tem um lado mais apressado e cru. E talvez seja justamente essa "pegada de começo", sem tanta maquiagem, que chamou a atenção de Morrison quando ele falou dos Beatles com carinho.
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