As cinco maiores sequências de "na na na" da história da música, segundo a Far Out
Por Gustavo Maiato
Postado em 05 de fevereiro de 2026
Em um texto publicado na Far Out, o jornalista Dale Maplethorpe propõe um olhar curioso - e ao mesmo tempo legítimo - sobre um elemento muitas vezes subestimado da música popular: o uso do "na na na" como recurso expressivo. Aqui no Brasil, inclusive, os curitibanos do Electric Mob lançaram uma música chamada "By The Name (nanana)" justamente indo por esse caminho.
Ao contextualizar a discussão, Maplethorpe lembra que alguns dos maiores letristas da história - como Bob Dylan, Van Morrison e Joni Mitchell - construíram carreiras baseadas em palavras cuidadosamente escolhidas. Ainda assim, o jornalista destaca que a música também encontra força na simplicidade.
Para reforçar esse ponto, ele cita Bruce Springsteen, que já declarou sobre Dylan: "A ideia de que algo foi revelado - algo fundamentalmente verdadeiro e essencial - e que te dá uma nova visão do seu mundo, do seu país, da sua cidade, dos seus vizinhos, da sua família."
A partir daí, Maplethorpe defende que, embora letras densas tenham um impacto profundo, existe um valor emocional igualmente poderoso em refrães simples, fáceis de cantar e capazes de criar comunhão entre ouvintes. É nesse espírito que ele elenca as cinco maiores sequências de "na na na" da história da música.
5. Gala – "Freed From Desire" (1997)
Segundo Maplethorpe, poucas músicas demonstram tão claramente o impacto cultural de um refrão quanto "Freed From Desire". Presente em estádios, festas e pistas de dança ao redor do mundo, a força do tema reside quase exclusivamente em seu coro repetitivo e hipnótico. Para o jornalista, trata-se de um exemplo máximo de euforia coletiva construída com o mínimo de palavras.
4. Blink-182 – "All The Small Things" (1999)
No universo do punk rock - tradicionalmente associado à agressividade e urgência - o "na na na" parecia fora de lugar. Ainda assim, o Blink-182 transformou esse recurso em um dos momentos mais memoráveis da canção. Maplethorpe observa que o trecho final é não apenas um dos pontos altos da música, mas um dos "na na na" mais reconhecíveis da cultura pop.
3. The Smiths – "This Charming Man" (1984)
Aqui, o jornalista chama atenção para o extremo oposto do espectro artístico. Em vez de convidar o ouvinte ao canto coletivo, os "na na na" de "This Charming Man" surgem de forma quase etérea, discreta. Para Maplethorpe, trata-se de um recurso de textura sonora, mais voltado à contemplação do que à participação ativa.
2. The Beach Boys – "Good Vibrations" (1966)
Maplethorpe destaca que os vocais dos Beach Boys são, por si só, um argumento a favor da simplicidade. Gravada com extremo rigor técnico e múltiplas camadas, "Good Vibrations" é considerada uma das maiores realizações da música popular. Dentro desse contexto, os breves "na na na" finais ganham status quase simbólico: pequenos, mas inesquecíveis.
1. The Beatles – "Hey Jude" (1968)
Para o jornalista da Far Out, não há concorrência quando o critério é comunhão emocional. Escrita por Paul McCartney, "Hey Jude" se tornou eterna sobretudo por seu longo encerramento baseado em "na na na", cantado em uníssono por multidões há décadas. Maplethorpe conclui que essa simplicidade - repetida por quase quatro minutos - representa o auge do poder coletivo da música popular.

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