O álbum de John Lennon que foi tão bom quanto qualquer coisa dos Beatles, e ele sabia disso
Por Bruce William
Postado em 13 de dezembro de 2025
Quando os Beatles finalmente decidiram encerrar as atividades, John Lennon parecia menos apegado à ideia de "salvar" a banda do que muita gente imagina. Ele ainda tinha música demais na cabeça, mas já estava em outra: queria começar de novo sem carregar a máquina inteira nas costas.
E esse "começar de novo" não foi só musical. Em 1970, Lennon e Yoko Ono passaram por um período de terapia primal com Arthur Janov, primeiro em Londres e depois em Los Angeles, numa fase em que ele tentou encarar de frente certas coisas que vinham de muito antes da fama.
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É nesse contexto que surge o álbum que o próprio Lennon colocou no topo da prateleira: John Lennon/Plastic Ono Band, lançado em 11 de dezembro de 1970. O disco foi gravado com a base enxuta de Lennon, Ringo Starr e Klaus Voormann, com produção creditada a Lennon, Ono e Phil Spector.

Anos depois, falando com o jornalista David Sheff em 1980, Lennon fez questão de dizer que não via aquele material como "carreira solo menor". Ele afirmou, conforme reproduzido pela Far Out: "Eu fiz 'Imagine', 'Love' e aquelas músicas do Plastic Ono Band - elas se sustentam ao lado de qualquer música que eu escrevi quando era um Beatle... pode levar vinte ou trinta anos pra você perceber isso; mas o fato é que essas músicas são tão boas quanto qualquer merda que já tenha sido feita."
O curioso é que, quando a gente pensa em Lennon fora dos Beatles, muita gente vai direto em "Imagine". Só que no "Plastic Ono Band" o clima é outro: a proposta é mais crua, com letras que cutucam abandono, raiva, culpa, cansaço de ídolos e a tentativa de achar algum chão, sem arranjo "bonito" para maquiar.
E tem um ponto simbólico aí: em "God", Lennon solta a frase "I don't believe in Beatles" ("eu não acredito em Beatles"), como se estivesse carimbando a ruptura com o mito, mas não no sentido de negar o que viveu, e sim de dizer que não dava mais pra viver dentro da estátua.
Nos números, o álbum chegou ao #8 no Reino Unido e ao #6 nos EUA, e "Mother" saiu como single (nos EUA) em 28 de dezembro de 1970. Ou seja: mesmo sendo um disco "sem maquiagem", ele não ficou escondido num canto.
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