Scorpions: Análise vocal de Klaus Meine

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Por Danilo F. Nascimento
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Klaus Meine é conhecido por integrar uma das maiores bandas da história do rock, o Scorpions. Vocalista e principal compositor do grupo, certamente no rol dos mais notáveis vocalistas do planeta.

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Meine interessou-se pela música muito cedo, no longevo ano de 1957, quando tinha apenas 9 anos de idade. O pontapé inicial fora dado pelos The Beatles, já que Meine era um grande fã do grupo, em especial da voz versátil de Paul McCartney.

O jovem prodígio começou a cantar e logo aprendeu a tocar violão e guitarra. Seu instrumento favorito era e continua sendo o violão de 12 de cordas que ganhou de presente em sua adolescência.

Antes de integrar o Scorpions no início dos anos 70, Meine foi vendedor de cortinas e fez parte de algumas bandas locais independentes, dentre elas a The Mushrooms e a Copernicus.

Em 1972, o Scorpions gravou "Lonesome Crow", o seu primeiro álbum. A banda demorou a engrenar, mas existem alguns fatores a serem considerados para isto:

1) O inglês de Klaus Meine ainda não era completamente inteligível, na verdade, até hoje não é totalmente.

2) A concorrência nos anos 70 era assustadora. Queen, Pink Floyd, Led Zeppelin são apenas alguns nomes que acirravam as disputas dentro do mercado fonográfico, e o Scorpions penaria para alcançar o sucesso tão almejado e merecido.

Mas enfim, a banda conquistou merecido reconhecimento com o passar dos anos, lançou grandes discos e o restante da história todos conhecem.

Enquanto vocalista, Klaus Meine era nitidamente acima da média. Mesmo sem ter passado por nenhum treinamento vocal até os anos 80, notava-se que o vocalista possuía um potencial imensurável, entretanto, era claro que o vocalista exagerava e maltratava em demasia as suas pregas vocais. Gritos eram a solução para o alcance de notas mais altas e apesar de hoje ser uma de suas marcas registradas, a impostação vocal era algo que Meine ainda não conseguia na época.

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O resultado...no início dos anos 80, Klaus Meine, perdeu, oficialmente, a sua voz. O vocalista lembra com pesar do ocorrido:

"No início dos anos 80 perdi a minha voz. Foi duro. Eu não podia mais cantar, nem mesmo falar. Fui direto para o hospital realizar uma cirurgia de emergência, mas, aparentemente, os danos eram irreparáveis, minhas cordas vocais estavam detonadas e o meu fonoaudiólogo disse que eu deveria considerar atuar em outra profissão, pois dificilmente conseguiria voltar a cantar em alto nível. A gravação do Blackout foi um divisor de águas pra mim. Só a banda e minha família sabem o quanto foi difícil pra mim gravar aquele disco. Rudolf [Schenker] foi incrível comigo, disse que ia esperar eu me recuperar, que não queria outro cantor, levei 7 meses pra me recuperar."

O vocalista continua:

"Sempre cantei coma mesma energia e força, seja quando cantava para 10 pessoas ou 10 mil pessoas. Sempre dei o máximo, mas exagerava e gritava mais do que podia, não conhecia minha própria voz e nem imaginava que poderia correr o risco de perdê-la um dia".

Questionado pelo portal dmme.net sobre qual destino teria seguido se tivesse abandonado a carreira nesta época, Meine se mostrou em dúvida:

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"Possivelmente teria virado um escritor. Ou um jornalista que atuasse na crítica musical. Ou ainda um empresário descobridor de novas bandas e talentos. Sinceramente, eu não sei".

A recuperação de Meine foi dolorosa, sendo que ele teve de ficar semanas sem, sequer, falar. O seu problema era grave, tratava-se de nódulos nas cordas vocais.

Nódulos são pequenas formações benignas que se produzem nas cordas vocais devido a uma inflamação crônica. Esta pode ser provocada por uma má utilização da voz ou pela ação de substâncias irritantes, tais como o fumo do tabaco, manifestando-se sob a forma de rouquidão e afonia. Na maioria dos casos, a formação de nódulos simétricos em ambas as cordas vocais no sítio de maior fricção das mesmas é provocada pelo forçar da voz, normalmente no ponto de união do terço anterior e dos dois terços posteriores.

A primeira cirurgia de Meine gerou uma infecção sencundária e o mesmo teve que se submeter a outro procedimento cirúrgico. Após as cirurgias pelas quais fora submetido, Meine, pela primeira vez, passará a ter aulas de técnica vocal. O vocalista procurou um renomado treinador vocal italiano em Vienna, conhecido internacionalmente por ministrar aulas para cantores de ópera.

As aulas foram produtivas e, embora, Meine tenha perdido parte de sua potencia vocal, certamente ganhou em técnica vocal. Passou a conhecer melhor a sua voz, principalmente no que concerne a sua extensão e a sua tessitura. A sua respiração diafragmática também melhorou consideravelmente. Isto sem falar de sua projeção que foi estritamente trabalhada si para atingir níveis formidáveis.

Entre as técnicas e recursos desenvolvidos por Klaus Meine, é possível citar:

Impostação - Impostar a voz é usar todos os recursos técnicos disponíveis como respiração, apoio, Articulação e ressonância, tirando a voz de lugares que podem prejudicar o Canto, por exemplo: garganta (Voz gutural) , nariz (Voz anasalada) e faringe (voz entubada, abafada). O ideal é uma voz equilibrada usando todos os pontos de ressonância procurando sempre colocar a voz, pressão de som para cima, preenchendo toda a cabeça, principalmente a máscara. A impostação se dá através de exercícios específicos como Boca Chiúsa (Boca fechada) e vocalizes usando diversas combinações de vogais, escalas e tonalidades, exercitando a voz em toda a sua extensão, aplicando a técnica respiratória, abertura de boca e projeção do som. Entre os mecanismos de impostação mais utilizados por Meine estão a elevação e abaixamento do palato mole, promovendo o enriquecimento ou o abafando dos harmônicos.

Articulação - Movimentação muscular, articular dos órgãos articuladores, a saber: lábios, língua, musculatura do rosto, dentes e mandíbula. Meine aprendeu a administrar minuciosamente a musculatura facial e língua.

Yodel - Enquanto parte estrutural do desenho melódico, ora realizado na entrada de frases (transição abrupta de adução simples de falsete para adução dupla, independentemente da preponderância), ora realizado no meio de frases, constituindo a própria estrutura melódica (dinâmica entre aduções simples de falsetes e aduções duplas, realizada de modo preciso e abrupto). Tal técnica evidencia a capacidade da musculatura laríngea de realizar ajustes finos num curto espaço de tempo.

Belting com ar - Aduções simples e duplas, com nível mediano de selamento glótico.

Belting pleno - Dupla adução com preponderância de TA (Músculo Tireoaritenoídeo - músculo intrínseco da laringe), com selamento glótico pleno.

Mixed voice - Dupla adução com sinergia de TA (Músculo Tireoaritenoídeo - músculo intrínseco da laringe) e CT (Músculo Cricotireóideo - músculo intrínseco da laringe), com selamento glótico pleno.

Conceitos e termos acima são de cortesia do treinador vocal Ariel Coelho. Para mais informações:
http://www.arielcoelho.com.br/analises-vocais/

Durante a sequência de sua carreira, Meine teve alguns outros percalços, mas nenhum que se compare aos ocorridos no início dos anos 80. Sua voz já não é a mesma, há músicas que precisam ser tocadas 1/2 abaixo em algumas apresentações, mas a técnica vocal adquirida pelo vocalista permitiu e permite que o mesmo continue em turnê, cantando de forma regular e atingindo um bom nível no que tange ao seu desempenho vocal.

É importante ressaltar que a voz humana passa por consideráveis mudanças ao longo da vida, sendo que a última mudança ocorre entre os 35 e 50 anos. Portanto, é natural que a voz de Meine esteja costumeiramente diferente, porém, é inegável que o vocalista ainda mantém um bom nível vocal durante boa parte de suas apresentações.

Confira algumas das características vocais de Klaus Meine:

Timbre - Tenor

Alcance - D2-C6

Notas altas significativas (The Range Place)

C6 ("Now!")

B5 ("Blackout")

B♭5 ("Now!")

A5 ("Evening Wind", "Now!")

G♯5 ("Evening Wind", "Nightmare Avenue", "Top of the Bill")

G5 ("Blackout", "Dynamite", "I'm Going Mad", "Lovedrive", "Virgin Killer", "Woman", "You Let it Rock...We Let it Roll")

F♯5 ("Dark Lady", "Dynamite", "Kicks After Six", "Lonesome Crow", "Top of the Bill", "Woman")

F5 ("Another Piece of Meat", "In Search of the Peace of Mind", "Nightmare Avenue", "Your Light")

E5 ("Action", "Another Piece of Meat", "Blackout", "I'm Going Mad", "In Search of the Peace of Mind", "Lovedrive", "Loving You Sunday Morning", "No Pain No Gain", "Now!", "Restless Nights", "Rock You Like a Hurricane", "The Sails of Charon", "We Let It Rock... You Let It Roll")

E♭5 ("Backstage Queen", "Catch Your Train", "Dying for an Angel", "I Got to Be Free", "Nightmare Avenue", "Skywriter", "The Sails of Charon", "Top of the Bill", "Unholy Alliance")

D5 ("Animal Magnetism", "Big City Nights", "Blackout", "China White", "Edge of Time", "Kicks After Six", "Mysterious", "Now!", "Over the Top", "Rhythm of Love", "Through My Eyes", "Still Loving You")

C♯5 ("Another Piece of Meat", "Backstage Queen", "Can't Live Without You", "Catch Your Train", "Dynamite", "Evening Wind", "Kicks After Six", "Life's Like a River", "Pictured Life", "Ship of Fools", "Speedy's Coming", "The Best Is Yet to Come")

C5 ("Alien Nation", "Big City Nights", "Can't Live Without You", "Dynamite", "Eye to Eye", "Lovedrive", "Loving You Sunday Morning", "No One Like You", "Rhythm of Love", "The Cross", "The Zoo", "We'll Burn the Sky", "Yellow Butterfly")

B4 ("Backstage Queen", "Blackout", "China White", "Coming Home", "Fly People Fly", "Fly to the Rainbow", "Humanity", "It All Depends", "Lady Starlight", "Leave Me", "Mind Like a Tree", "Mysterious", "Priscilla", "Rock You Like a Hurricane", "Skywriter", "Sly", "The Zoo", "Through My Eyes")

Notas baixas significativas (The Range Place)

F3 ("Obsession", "To Be with You in Heaven")

E3 ("Evening Wind", "It All Depends", "Through My Eyes", "Your Last Song")

E♭3 ("Skywriter", "Yellow Raven")

D3 ("Across the Universe", "Deep and Dark", "In Search of the Piece of Mind", "The Cross", "The Zoo")

C♯3 ("10 Light Years Away", "Love is War", "Yellow Raven")

C3 ("Du bist So Schmutzig", "Eye to Eye", "Lonesome Crow", "The Zoo" Comeblack Version)

B2 ("In Search of the Piece of Mind", "Mysterious", "Yellow Butterfly")

B♭2 ("10 Light Years Away", "I'm Going Mad")

A2 ("Be No. 1", "Eye to Eye", "Leave Me", "Restless Nights", "Mysterious")

G♯2 ("Alien Nation")

G2 ("Eye to Eye", "Through My Eyes")

F2 ("The Zoo" Comeblack Version)

D2 ("Restless Nights")

O legado de Klaus Meine é notório. Além do talento demonstrado como músico e compositor, Meine realiza ações sociais em parceria com a Nordoff Robbins e a Unicef. O músico foi considerado pela "Hit Parader" o 22º melhor vocalista de todos os tempos.

Em 2011 foi condecorado com o prêmio "Steiger" em sua terra natal, a Alemanha.


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Sobre Danilo F. Nascimento

Administrador por casualidade. Músico por instinto. Escritor por devaneio. Fascinado por música, literatura e cinema. Seu primeiro contato com o mundo do rock data de meados dos anos 90, uma época de transição entre o analógico e o digital, e, principalmente, uma época onde a MTV ainda era aprazível e relevante. Idolatra e cultua o legado instituído pela maior banda de todos os tempos, o Queen.

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