Por que Iron Maiden não toca há 20 anos o único hit da banda que alcançou o topo?
Por Gustavo Maiato
Postado em 02 de junho de 2025
Na celebração dos 50 anos de estrada do Iron Maiden, uma ausência chama atenção. A nova turnê Run for Your Lives, que teve início em 27 de maio em Budapeste, reúne faixas dos nove primeiros álbuns da banda – mas ignora completamente o "No Prayer for the Dying", lançado em 1990.
O disco, que marcou a estreia do guitarrista Janick Gers, não é tocado ao vivo há mais de duas décadas. A última aparição de uma de suas músicas em setlist foi em 2003, com "Bring Your Daughter… to the Slaughter", nos Estados Unidos. Vale lembrar que "Bring Your Daughter..." foi a única música do Iron Maiden que alcançou o primeiro lugar nas paradas britânicas da história, conforme reportagem da Rock Bizz explica.

Apesar de conter faixas marcantes como "Tailgunner", "Holy Smoke" e "Fates Warning", o álbum nunca alcançou o mesmo status dos clássicos dos anos 1980. Sua exclusão persistente das turnês levanta uma pergunta inevitável: por que o Maiden ignora um disco da chamada "fase clássica"?
A resposta envolve tanto questões musicais quanto contextuais. Após o sucesso conceitual de "Seventh Son of a Seventh Son" (1988), a banda optou por uma abordagem mais crua e direta em "No Prayer…". O próprio Steve Harris, baixista e líder da banda, disse à época: "Não queríamos fazer um ‘Seventh Son… Parte 2’. Este álbum é mais agressivo, mais direto". Ele reconheceu que o disco surpreendeu parte do público e que a turnê seguinte foi marcada por desânimo interno, especialmente do vocalista Bruce Dickinson.
Em entrevista posterior, Harris comentou: "Bruce estava entediado, isso era óbvio. Quando ele voltou da turnê solo, percebi que não tinha o mesmo entusiasmo no palco com o Maiden". O clima da época não favoreceu a longevidade das faixas ao vivo. Bruce, por sua vez, foi ainda mais direto ao falar com a revista Metal Hammer: "No Prayer for the Dying foi um grande retrocesso. O som era terrível".
O momento histórico também contribuiu para a baixa repercussão do disco. O grunge surgia como nova força no rock, e o Metallica lançava o "Black Album", com sonoridade mais acessível e produção refinada. Dickinson reconheceu a necessidade de mudança e propôs discussões internas: "O mundo estava mudando muito. Precisávamos decidir até onde estávamos dispostos a arriscar para criar algo artisticamente novo".
Essa mudança de rota se consolidou em "Fear of the Dark" (1992), que, apesar de manter o DNA do Iron Maiden, trouxe maior diversidade musical. Bruce apostava alto no novo trabalho e o comparava ao impacto do Metallica: "Há uma ruptura entre este disco e os antigos. Espero que digam: ‘Achávamos que o último Metallica era bom, mas ouça isso’". O álbum seguinte viria a marcar sua despedida temporária da banda.
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