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Aproveitando a passagem do U2 por aqui, a Collector´s Room foi bater um papo com Rogério Mendonça, um dos maiores e mais dedicados colecionadores da banda no Brasil. Paulista de Guarulhos, Rogério focou a sua coleção apenas em itens lançados oficialmente pela banda (álbuns, singles, promos), preferindo deixar os bootlegs de lado. Em nosso bate-papo Rogério falou sobre a sua coleção, a carreira do U2 e a expectativa que cerca mais uma passagem da banda aqui pelo Brasil.





Bem Rogério, antes de começarmos a nossa conversa eu gostaria que você se apresentasse aos nosso leitores.
Meu nome é Rogério Mendonça, tenho 31 anos, casado e moro em Guarulhos (SP). Sou securitário, mas já trabalhei em diversas áreas antes disso.
Quando você notou que a sua paixão pelo U2 estava tornando você um colecionador do grupo?
Na verdade sou fã de várias bandas, e sempre coleciono itens, mas no caso do U2 eles possuem uma discografia muito bonita e complexa. Seus singles são verdadeiras obras e quase sempre trazem músicas que não entraram nos albúns, ou seja, era meio que obrigatório tê-los.
E como você percebeu que este lado colecionador estava ficando realmente sério, e que o U2 ocupava um lugar especial na sua vida?
Percebi isso em 1991, com o lançamento do “Acthung Baby”, pois além do albúm foram lançados seis singles na ocasião, fora os considerados promo (distribuídos somente para as rádios). Reparei que no decorrer do dia eu cantava as músicas, chegando em casa já pegava o vinil e mandava ver na vitrola (tinha o CD, mas gosto muito mais do som do vinil até hoje), e comecei a buscar mais informações sobre a banda e sua discografia. Então coloquei como objetivo ter todos os singles lançados (vinil e CD), e assim foi aumentando a frota.
Geralmente o fã possui muito mais álbuns da sua banda predileta do que de outros grupos. Quantos CDs você possui, e quantos são do U2?
Francamente não faço idéia de quantos CDs possuo, sei que são vários, acredito que uns 3.000. Em vinil também tenho muitos, mas nunca contei. Apesar do volume, eu sei de cabeça o que tenho, pois quando vou comprar algo eu sei se tem em casa ou não.
Do U2 eu possuo todos os albúns em CD, LP, alguns tenho até em MD, tudo que saiu em LD também. Porém em singles já é um pouco comprida a lista, mais aí vai: são 58 CDs single, 57 singles em vinil e 8 em DVD single.
Qual destes itens você destacaria?
São vários que eu poderia destacar visto a raridade, mas aqueles que eu mais gosto de sempre ver e pegar são:
Three (Out Of Control) #318 – Single 12” numerado, super raro
With Or Without You em VCD single, que é muito raro
Excepts From Rattle And Hum – CD promo.
October – CD promo.
4 U2 Play – Colors na cor laranja.
Gloria – K855 - Nova Zelândia.
Somente nesses cinco itens citados, hoje em sites como o eBay eu gastaria por volta de U$ 4.000. São mesmo super raros.
Além dos CDs, vinis e DVDs, que outros materiais relativos ao U2 você possui?
Possuo também versões em MD (mini disc) e LD (laser disc). Em MD possuo o “Achtung Baby” e o “Zooropa”, e em LD o “Achtung Baby”, o “The Unforgetable Fire”, o “Rattle And Hum”, o “Zoo TV Sidney” e o “Under A Blood Red Sky” nas versões japonesa e americana, sendo que o japonês tem uma música a mais.
Você lembra qual foi o primeiro álbum que comprou na vida, e qual foi o primeiro do U2?
O primeiro albúm lembro que foi um do Talking Heads, que sou fã de carteirinha também. Já do U2 foi o “Joshua Tree”.
De todos os itens que você possui em sua coleção qual você considera o mais valioso, tanto financeira quanto afetivamente?
O item mais raro da minha coleção é com certeza o single de 12 polegadas “Three (Out of Control)” numerado (nr 318). Quando aparece, com certeza está sempre acima de U$ 2.500,00.
Quantos CD´s em média você compra por mês?
Neste último mês de dezembro comprei dezoito vinis e trinta e quatro CDs.
É muita coisa, com certeza. Como você guarda e conserva a sua coleção?
Tenho uma estante e lá guardo tudo. Dá trabalho para achar um CD às vezes, mas ainda guardo tudo lá, exceto os itens do U2, que ficam em outra sala em um compartimento específico.
Rogério, quais você considera os dez melhores álbuns de todos os tempos?
1. War - U2
2. The Joshua Three - U2
3. Acthung Baby - U2
4. Little Creatures - Talking Heads
5. X - INXS
6. Kick - INXS
7. Vision Thing - Sisters Of Mercy
8. Leisure - Blur
9. Heroes - David Bowie
10. Superstition - Siouxsie And The Banshees
Além de U2, o que você tem ouvido atualmente que tenha chamado a sua atenção?
Sempre gostei de músicas de MPB, como também algo mais sombrio. Ouço bastante Tim Maia, Jorge Ben, mas sempre escuto, e muito, Sisters Of Mercy, The Cure, Pink Industry, Dead Can Dance, Alien Sex Fiend. Depois volto um pouco para Legião, Golpe de Estado e por aí vai ...
Quando você mostra a sua coleção para algum amigo, qual o item que chama mais atenção?
Com certeza são os packs, pois vem em um estojo de plástico com quatro singles de 7 polegadas, e são realmente muito bonitos de se ver.
Que item as pessoas ficam surpresas em saber que você possui?
Trabalho em um grupo com muitos funcionários, e não faço propaganda da minha coleção. O objetivo é simplesmente ter. Mas às vezes sempre aparece aquele fulano que diz “eu sou o maior fã, tenho tudo”. Então eu pergunto: “você possui tal single lançado somente na Nova Zelândia em 1983?” Quando pergunto isso tenho que provar, e quando trago para ver o cara se liga que a discografia é realmente algo muito complexo.
Como todo colecionador, você deve cuidar da sua coleção com grande carinho e atenção, mas existe algum item que você tem mais ciúmes, ficando de orelha em pé cada vez que alguma pessoa chega perto?
Na verdade estes itens ficam em uma sala separada, onde só eu e minha esposa temos acesso. Eles não ficam à mostra. Não mostro à todos que vão lá em casa, somente para aqueles que gostam da banda.
Existe algum item do U2 que você esteja atrás há tempos e ainda não tenha conseguido adquirir?
Sim, são dois singles em vinil:
“All I Want Is You” de 7 polegadas, catálago K805 (IS 422) Australia - Foram prensadas apenas cem cópias nesse formato, e quando aparece algum tem valor médio de U$ 4.000,00 (quase R$ 10.000,00)
“Another Day”, catálago CBS 8306, na cor marrom- Este dificilmente aparece.
Qual item deu mais trabalho para conseguir?
Com certeza foi o “Three (Out Of Control)” numerado. Eesse é um dos singles mais procurados até hoje pelos fãs.
Rogério, você tem alguma dica para quem está começando a colecionar, onde conseguir itens raros não só do U2, mas de outras bandas também?
Hoje em dia o acesso a esses materiais está muito mais fácil do que nos anos oitenta e início dos noventa. Depois de 1996, com a internet, temos o mundo aberto, e em sites como Mercado Livre ou eBay você consegue comprar a discografia completa. No meu caso o início foi super difícil (além de caro), pois tinha que ir quase todos os dias na Galeria do Rock, e sempre foi muito difícil e caro encomendar um vinil.
O U2 vem se mantendo na estrada há mais de 25 anos, e, mais do que isso, fazendo um trabalho relevante e que vem influenciando muitos artistas durante todo este tempo. Você, como fã, como vê tudo isso?
Nos anos oitenta o U2 passou por três fases no meu ponto de vista. Os três primeiros albúns (“Boy”, “October” e “War”) traziam aquele rock cru e mais pesado com letras de protesto. O albúm seguinte (“The Unforgetable Fire”) já trazia um som mais suave, sem perder a batida eletrizante do Larry. Por fim, o U2 fechou a década como a maior banda de rock do mundo (albúns “Joshua Tree” e “Rattle And Hum”) onde traz melodias (como eu chamo), pois existe uma suavidade nas músicas, com letras envolventes, sem contar com as apresentações onde levavam milhões às arenas. Foi nessa época que comecei a escutar, gostar e colecionar. Depois de assistir ao “Rattle And Hum” no cinema fiquei sabendo a banda que teria eu como fã. Voltando à questão, é isso que faz com que o U2 continue na ativa. É a inovação, sempre criando tendências com suas apresentações, com palcos que fazem a banda interagir com o público. Isso vai cativando novos e mantendo os velhos fãs.
Uma das maiores características do U2 é o posicionamento claro e direto em questões políticas e humanitárias. A banda influenciou você de alguma forma neste sentido? Como você vê este engajamento do grupo?
Relativo à essas questões, sei que a banda, e principalmente o Bono, têm uma vida muito ativa, e eu realmente gosto disso, pois normalmente os astros só gostam de astros e não perdem tempo com essas causas. Eu tenho minhas causas e ajudo no que posso, mas nunca me senti influenciado pelo grupo ou pelo Bono, faço o que me dá vontade e sei que é o certo. Meu negócio com o U2, e o que eu deixo que me manipulem, são somente suas músicas. Corte de cabelo, roupa, óculos, eu tenho meus gostos e eles os deles.
Como está a expectativa em relação a estes shows?
Os shows já estão confirmados, e inclusive o do dia 20/02 já esgostou os ingressos. Mas, antes de tudo isso, eu sou super pé no chão, enquanto não sai oficialmente eu não me empolgo com os boatos que os jornalistas plantam. Acreditava fortemente que viriam, mas achava que fosse apenas em 2007.
Conta aí pra gente alguma história inusitada que esta paixão pelo U2 já fez você passar.
Bom, essa eu tenho uma boa: minha esposa, desde quando a gente namorava, já sabia da minha paixão pelo U2. Como eu disse, no início dos anos ooventa era muito difícil conseguir singles do grupo. Quando, no começo do namoro, eu consegui comprar o single de “With Or Without You”, fiquei super feliz, foi aquela alegria e ela olhou o single. Uma vez, quando tivemos uma pequena briga (coisas de namorados), ela perguntou se eu realmente gostava dela. De prontidão respondi que sim. Então ela me disse que se eu realmente gostava dela eu daria o single de “With Or Without You” para ela ... Aquilo foi pior que um chute bem dado no meio das pernas. Moral da história: dei o single e mantive o namoro, porém tive que casar para ter o single de volta (risos).
Rogério, muito obrigado pela entrevista. Este espaço fica livre para você mandar um recado para os leitores do Whiplash! e para os fãs do U2 espalhados por todo o Brasil.
Para os fãs digo apenas que para ser fã de verdade não é necessário ter todos os singles ou tudo que seja lançado. Tem muita gente que considera como fã aquele que possui mais itens, mas isso não é verdade. Eu tenho essa coleção por opção minha, sei que tem gente mais fã do que eu e que não tem 10% do que eu tenho. Fã de verdade gosta é da música.
Para a Whiplash!, eu não conhecia esse espaço, achei muito bom, pois apesar de toda a tecnologia de hoje, onde para saber tudo sobre algo ou alguma banda basta se conectar, acho que falta muito isso, comentários e contos da vida de pessoas normais. Só vemos astros e globais com esse espaço – já estou me sentindo até mais importante e mais elegante (risos). Estarei sempre de olho e com certeza indicando aos amigos.
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Ricardo Seelig é editor do blog Collectors Room - www.collectorsroom.blogspot.com - e colaborador das revistas poeira Zine e Rolling Stone. Escreve para o Whiplash desde 2005.
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