A música do Led Zeppelin que Brian May considera insuperável na obra da banda
Por Bruce William
Postado em 07 de junho de 2026
O Led Zeppelin teve várias fases dentro de uma carreira relativamente curta. A banda podia soar pesada, acústica, bluesy, folk, orientalizada ou quase indefinível, às vezes dentro do mesmo disco. Esse é um dos motivos pelos quais escolher uma única música como síntese do grupo sempre parece tarefa meio ingrata.
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Mesmo assim, "Kashmir" costuma aparecer nesse lugar. Lançada em 1975, no álbum duplo "Physical Graffiti", a faixa não depende de um refrão explosivo ou de um solo tradicional para se impor. Ela cresce pela repetição do riff, pelo arranjo orquestral, pela bateria de John Bonham e pela voz de Robert Plant atravessando tudo como se estivesse narrando uma viagem maior do que a própria letra.
Brian May, do Queen, colocou "Kashmir" em uma playlist com algumas de suas músicas favoritas de todos os tempos, relata a Far Out. A escolha combina com o tipo de canção que costuma chamar atenção do guitarrista: algo grandioso, emocional e construído em camadas, mas ainda ancorado em uma ideia simples o bastante para ser reconhecida de imediato.
A música nasceu a partir de um riff de Jimmy Page, com participação decisiva de Bonham no desenho rítmico e letra de Plant inspirada por viagens pelo Marrocos. Apesar do título, "Kashmir" não surgiu de uma experiência direta na região da Caxemira. A imagem funcionava mais como símbolo de deslocamento, distância e busca, algo que Plant reconheceria depois ao falar da faixa.
O vocalista também tratou "Kashmir" como uma das músicas centrais do Led Zeppelin. "'Kashmir', em particular. Era tão positiva, liricamente. É a busca, as viagens e explorações que Page e eu fizemos por lugares distantes, fora do caminho comum", disse Plant. Para ele, aquilo era, de fato, "a sensação Zeppelin".
A força da faixa está justamente nessa sensação. "Kashmir" não parece blues no sentido mais direto, nem hard rock convencional, nem música progressiva feita para exibir dificuldade. Ela cria um ambiente próprio, com o riff de Page funcionando quase como uma marcha, enquanto a orquestração e o vocal ampliam o clima sem tirar o peso da banda.
Por isso a música costuma escapar das comparações mais simples dentro da discografia do Led Zeppelin. "Stairway to Heaven" virou o monumento mais famoso, "Whole Lotta Love" representa o impacto físico dos primeiros anos, e "Black Dog" mostra a banda em modo riff quebrado e ataque frontal. "Kashmir" fica em outro espaço, menos ligado à explosão e mais ao transe.
A escolha de Brian May faz sentido porque "Kashmir" mostra o Led Zeppelin em uma escala difícil de repetir até para o próprio grupo. A banda não precisava tocar mais rápido, pesar mais ou alongar um solo para parecer maior. Bastava sustentar aquele movimento hipnótico e deixar a música crescer em torno dele. Poucas vezes Page, Plant, Bonham e John Paul Jones pareceram tão unidos em torno de uma ideia tão simples e, ao mesmo tempo, tão difícil de reduzir a uma explicação.
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