Fernando Souza Filho: O FSF, editor-chefe da Rock Brigade

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Por Ricardo Seelig
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Esta matéria foi publicada muitos anos atrás, está datada, e a coleção mostrada hoje deve ser bem diferente. Mas a matéria continua sendo uma curiosa cobertura sobre uma invejável coleção, e por isso a destacamos.

O que um dos maiores e mais respeitados jornalistas de música do Brasil possui em sua casa? É o que você vai descobrir agora. Fernando Souza Filho, redator-chefe da Rock Brigade, conta histórias, mostra a sua coleção e conta como passou por situações que já fizeram, fazem e ainda vão fazer parte da vida de todo colecionador. Aumente o som e boa leitura.

Para começar preciso dizer que é um orgulho para mim e para toda a equipe do Whiplash você ter aceitado o convite para participar da Collector´s Room. Gostaria que você falasse um pouco sobre você, e como surgiu esta paixão pela música.

Minha paixão pelo rock começou com onze anos de idade, quando comecei a prestar atenção naqueles tais de Beatles. Mas meu primeiro disco de rock eu comprei em 1981, e foi um LP do Billy Squier. Algumas semanas depois comprei o "For Those About To Rock" do AC/DC e o "Tattoo You" dos Stones. Depois, vi na revista Som Três uma resenha do "The Number Of The Beast" (Maiden), comprei o LP e minha vida mudou para sempre. Vivi intensamente a cena dos anos 80. Entre 1984 e 1989 eu tive quatro bandas (2 de heavy metal e 2 de hardcore), fiz dois fanzines, promovi shows e andava com nove quilos de quinquilharias (jaqueta, patches, braceletes, cinto de bala, etc ...). Minha mãe pesou as quinquilharias, deu nove quilos mesmo.

Quando você começou a levar a sério essa coisa de música, de comprar mais e mais álbuns, de se envolver de verdade com o rock?

Mergulhei a fundo nisso em meados dos anos oitenta, quando morava em Belém do Pará e cheguei a levar o Dorsal Atlântica para tocar lá em 1988. Quando mudei pra São Paulo, em 1989, um dos fanzines que eu fazia (chamado Metal Guardian) chegou às mãos do André Cagni, que na época era da Rock Brigade (hoje o Cagni edita a revista Dynamite). Ele me chamou para fazer um teste e acabei ficando. Seis meses depois me tornei redator-chefe. Hoje é meu trabalho, o sustento da minha família.

Quantos álbuns no geral você possui (CDs, vinis e DVDs)?

Antes de entrar para a Rock Brigade eu comprava cerca de cinco a dez discos por mês. Cheguei a ter 1.100 LPs e cerca de 800 CDs até 94, quando vendi tudo e me mudei para Los Angeles. Quando voltei, em 95, recomecei a coleção do zero, literalmente. Hoje tenho cerca de 1.600 CDs, uma centena de DVDs e cerca de 200 VHS. Não tenho mais nenhum LP e nem tenho equipamento para tocar vinil.

Você comentou que em 1994, quando se mudou para Los Angeles para trabalhar como correspondente da Rock Brigade, vendeu toda a sua coleção para bancar a viagem, e começou tudo do zero de novo. Eu mesmo já me desfiz de vários itens que possuía, e às vezes me arrependo. Como foi isso pra você?

Na adrenalina da mudança para a Califórnia não doeu tanto e eu precisava do dinheiro (consegui levantar quase 4 mil dólares). Mas na volta doeu muito. Eu me desfiz de itens impossíveis de conseguir novamente, como álbuns autografados por Kurt Cobain, Chuck Schuldiner e por todos os Ramones. Quanto vale isso hoje no eBay ?!? Também doeu vender minha coleção de shape-discs do Iron Maiden, muitos deles autografados. Foram cerca de 30 ou 35, nem lembro mais. O mais engraçado é que muitos dos itens raríssimos a loja que comprou nunca conseguiu vender, pois os clientes achavam que os autógrafos eram falsos. Um vídeo que sinto muita falta é o do primeiro Rock In Rio. Eu gravei tudo da TV, em 1985, em três fitas VHS completas. Depois tentei pegar de volta, mas não consegui.

De qual banda você possui mais discos?

Tanto na primeira coleção quanto na atual, é Iron Maiden. Tenho todos, inclusive coletâneas, singles, bootlegs, DVDs, etc.

Além dos CDs, vinis e DVDs, que outros materiais você coleciona?

Coleciono credenciais de shows que já cobri e camisas de times de futebol e de torcidas organizadas. Tenho credenciais de todos os shows que cobri em Los Angeles, inclusive de uma banda que estava iniciando naquela época e que ninguém conhecia, um tal de Marilyn Manson. Mas a credencial que mais gosto é a de um festival que fui cobrir no estádio de Wembley, em Londres, em 1997.

Qual foi o primeiro álbum que você comprou?

Meu primeiro LP foi do Billy Squier, mais conhecido pela música "The Stroke", nos anos 80.

Qual o item mais valioso da sua coleção?

São algumas fitas. Tenho as demos do Exodus, Metallica e do Megadeth, além de um ensaio do Celtic Frost em 1986. Sem contar os bootlegs do Iron Maiden.

Quantos álbuns em média você compra por mês?

Nenhum. Por causa de meu trabalho, recebemos mais de 100 CDs por semana na redação da revista. Quando gosto de um disco, fico com ele para minha coleção. Hoje só compro DVDs de filmes, pois os de música nós também recebemos na revista.

Como você guarda e conserva a sua coleção?

Antes eu tinha um quarto para minhas coleções de CDs, DVDs, VHS, livros, revistas e camisas de futebol. Tudo era organizado em fichas e em ordem alfabética e cronológica. Depois que minha filha nasceu, em 2004, minha coleção foi "exilada" no quarto de empregada, onde fica meu Macintosh, o aparelho de som, etc.

Você é jornalista da Rock Brigade, que é uma das publicações mais importantes do metal mundial. Eu imagino que você deva receber bastante material das mais diversas bandas para resenhas. Você fica com todo este material ou apenas com o que interessa para você, repassando o resto para outras pessoas?

Recebemos cerca de 100 CDs novos toda semana, por isso precisamos manter um controle rigoroso para não nos perdermos. Na redação procuramos dividir as resenhas de acordo com as "especialidades" de cada um. Quando chega algo do Slayer, Iron Maiden ou AC/DC, por exemplo, todo mundo sabe que é meu e ninguém tasca !!! Fora os CDs que realmento quero, levo pouco material pra minha coleção, pois não tenho mais onde guardar.

Faça um top#5 com os itens que você mais curte na sua coleção.

Responder "todos do Iron Maiden" é clichê e não vou falar o óbvio. Mas certamente "The Number Of The Beast" é pra mim o melhor disco da história do rock até hoje. Mas também costumo ouvir a coleção inteira de AC/DC, Ramones, Slayer, Anthrax da fase Belladonna, Celtic Frost, Saxon, Judas da fase Halford, Bruce Dickinson solo.

O que você tem ouvido ultimamente, e quais bandas você destacaria?

System Of A Down. Essa banda me surpreendeu e em 2005 lançou um dos melhores disco do ano ("Mesmerize"). Mas destaco muitas bandas novas nacionais, como Scars e Violator, que são bandas que fazem thrash metal moderno, mas sem perder a raiz oitentista.

Para você, quais são os dez melhores álbuns de todos os tempos?

1. The Number Of The Beast (Iron Maiden)
2. Reign In Blood (Slayer)
3. Among The Living (Anthrax)
4. British Steel (Judas Priest)
5. Crusader (Saxon)
6. Pleasant Dreams (Ramones)
7. Fresh Fruits For Rotten Vegetables (Dead Kennedys)
8. Back In Black (AC/DC)
9. Dig That Groovy Baby (Toy Dolls)
10. Battle Hymns (Manowar)

Qual o item mais estranho da sua coleção?

CDs esquisitos (mas que adoro) de música indígena norte-americana, música celta tradicional, música japonesa medieval (que usa instrumentos que não existem mais) e música folclórica irlandesa.

Que álbum as pessoas ficariam surpresas em saber que você possui?

CDs do Abba e do Reginaldo Rossi.

Qual o item que você tem mais ciúmes, aquele item que você tem um carinho especial e não venderia de jeito nenhum?

Um dos livros do Bruce Dickinson autografados pessoalmente para mim. É o "The Adventures Of Lord Iffy Boatrace".

Como todo colecionador, deve existir algum item que você procura, procura, mas mesmo assim ainda falta na sua coleção, certo?

O que mais gostaria é o vídeo do Iron Maiden e do AC/DC no Rock In Rio de 85. Também gostaria de ter o vídeo do Carlsberg Festival de 1997, que eu cobri em Londres. Também queria muito ter o primeiro split-LP do Dorsal Atlântica com o Metalmorfose.

Qual item deu mais trabalho pra conseguir?

Não teve nada a ver com música. Foi uma camisa oficial comemorativa dos cem anos do West Ham United, da Inglaterra, time da qual Steve Harris é conselheiro (ou algo do tipo).

Fernando, você já entrevistou uma quantidade enorme de grandes nomes do rock. Como você se sentiu a primeira vez em que ficou frente a frente com algum ídolo seu?

A primeira vez que entrevistei Bruce Dickinson e os Ramones eu fiquei muito nervoso. Depois da décima vez a gente desencana. É legal que hoje o pessoal do Maiden já reconhece a gente, isso é muito gratificante.

Ao longo dos anos certamente você presenciou diversas histórias estranhas e interessantes envolvendo nomes ligados à música. Conta alguma delas aí pra gente.

Eu já pensei em escrever um livro chamado "Os Podres do Rock". Eu lançaria, pegaria o dinheiro dos roayalties e fugiria pra Sibéria, pois não ia ficar vivo depois do que fosse revelar. Estou na Rock Brigade desde 1990, já vi cada coisa de arrepiar os cabelos. Mas o mais estrela e impressionante de todos foi o Malmsteen. O cara só queria andar de limusine, humilhava todo mundo e na churrascaria ficava sentado esperando ser servido. Ele chegou a dizer: "Sou a estrela, e estrelas não se servem, são servidos." De longe, é o cara mais babaca que já conhecemos. A primeira vez que entrevistei o David Vincent, em 1990, ele foi muito cuzão também. Quando o Morbid Angel voltou, agora em 2005, o cara se transformou 1000000%. Vincent hoje é educado, atencioso, um verdadeiro gentleman. A mudança foi inacreditável. Entre os mais educados e gentlemen que já entrevistei, sem dúvida Dio, Halford e Steve Harris estão no topo da lista.

Pra finalizar, uma pergunta pessoal minha: como você está conseguindo guardar e conservar a sua coleção agora que a sua filha nasceu ? Pergunto isso porque logo, logo vou passar por isso, e se você puder me dar umas dicas vai ser bom... hehehe ...

Véio, o lance é estabelecer prioridades. Minha filha mudou totalmente minhas prioridades. Hoje já não ouço Slayer no volume dez e não vou até em jogo-treino do São Paulo. Ela exige atenção, exige cuidados, a paternidade muda a gente. O segredo é pegar a coleção e guardar em um lugar em que o bebê não alcance. Tem que ser inacessível mesmo. Eu optei pelo quarto da empregada, que tem chave e só o gato entra. Gosto de trabalhar no computador ouvindo som e com o gato deitado no meu pé. E o nome do gato é Bruce Dickinson, um siamês de 15 anos de idade.

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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

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