Marcel Castro: De ingressos e tour-books a guitarras autografadas

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Por Ricardo Seelig
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Cartaz de Paul McCartney na Suécia, em 2003
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Cartaz de John Mayall e Peter Green no Royal Albert Hall, em 2000
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Cartaz da tour inglesa de 1971 dos Stones
Cartaz da tour inglesa de 1971 dos Stones

Cartaz da tour europeia do Sodom e Sepultura, em 1989
Cartaz da tour europeia do Sodom e Sepultura, em 1989

Certificado de autenticidade dos residuos do lendario Cavern Club
Certificado de autenticidade dos residuos do lendario Cavern Club

Alguns tour books
Alguns tour books

Ingressos raros, de diversas épocas
Ingressos raros, de diversas épocas

Tour books de todas as turnês do Iron Maiden
Tour books de todas as turnês do Iron Maiden

Cartaz da turne de 1980 do Kiss, com o Iron Maiden abrindo
Cartaz da turne de 1980 do Kiss, com o Iron Maiden abrindo

Cartaz da tour de 1983 do Whitesnake, com Ozzy abrindo
Cartaz da tour de 1983 do Whitesnake, com Ozzy abrindo

Cartaz da tour europeia de 1982 dos Rolling Stones
Cartaz da tour europeia de 1982 dos Rolling Stones

Cartaz da Crusader Tour 1984, do Saxon
Cartaz da Crusader Tour 1984, do Saxon

Cartaz autografado de show do Deep Purple com Joe Satriani
Cartaz autografado de show do Deep Purple com Joe Satriani

Cartaz da turne sueca do Queen, em 1982
Cartaz da turne sueca do Queen, em 1982

Varias peles de bateria autografadas
Varias peles de bateria autografadas

Tour books, livros e revistas sobre o Led Zeppelin
Tour books, livros e revistas sobre o Led Zeppelin

Marcel com a guitarra Flying V de Jimi Hendrix
Marcel com a guitarra Flying V de Jimi Hendrix

Gibson SG autografada pelo AC/DC
Gibson SG autografada pelo AC/DC

Cartaz da primeira edicao do Monsters Of Rock britanico
Cartaz da primeira edicao do Monsters Of Rock britanico

Marcel com a famosa jaqueta de John Lennon
Marcel com a famosa jaqueta de John Lennon

Disco de ouro do album Supernatural, do Santana
Disco de ouro do album Supernatural, do Santana

Guitarra autografada por B. B. King
Guitarra autografada por B. B. King

Vinil japonês do Dark Side Of The Moon do Pink Floyd, autografado por toda a banda
Vinil japonês do Dark Side Of The Moon do Pink Floyd, autografado por toda a banda

Vinil do album Queen II, autografado por toda a banda
Vinil do album Queen II, autografado por toda a banda

Cartaz do Monsters Of Rock de 1984
Cartaz do Monsters Of Rock de 1984

Esta matéria foi publicada muitos anos atrás, está datada, e a coleção mostrada hoje deve ser bem diferente. Mas a matéria continua sendo uma curiosa cobertura sobre uma invejável coleção, e por isso a destacamos.

Nem todo colecionador de rock se atém apenas a CDs, DVDs, LPs e demais formatos de gravação. É comum que às coleções se acrescentem ítens como cartazes, ingressos, autógrafos e memorabilia em geral. Mas em meio a tantas coleções já publicadas nesta seção, a de Marcel Castro se destaca pela originalidade e raridade de alguns ítens, como guitarras autografadas por bandas e artistas, além de cartazes, tour-books, ingressos e muito mais.

Bem Marcel, antes de a gente começar eu gostaria que você se apresentasse aos nossos leitores.

Olá a todos os internautas do Whiplash!, meu nome é Marcel Castro, tenho 34 anos, sou economista e trabalho no ramo de seguros há quase uma década, porém, amo cada vez mais o rock and roll. Não tem como negar, quem ama de verdade o rock tem uma vibração diferente na alma.

Você lembra como foi o seu primeiro contato com a música, e como você descobriu e se apaixonou pelo rock?

Sim, isso é impossível de esquecer! Foi em dezembro de 1982, eu tinha dez anos e estava no Shopping Ibirapuera fazendo compras de final de ano junto com minha mãe e minha tia, que mora em Londres e veio passar o Natal conosco. Eis que passamos pela lendária Hi-Fi Discos, os álbuns eram todos classificados por ordem alfabética (os saudosistas vão se lembrar) e logo de cara, na letra A, tinha um com um canhão na capa. Simplesmente era AC/DC, “For Those About To Rock”. Minha tia disse que esse disco estava nas paradas de rock na Inglaterra e que era uma banda da Austrália, pois o marido dela também é australiano. Bingo !!! Ela me deu de presente e, quando cheguei em casa e coloquei a bolacha para rodar ... aqueles tiros de canhão me deram as boas vindas ao mundo do rock!

Em 1983 entrei na quinta série no Colégio Rio Branco, em São Paulo, e só tinha rockeiro por lá, aí me familiarizei com Deep Purple, Iron Maiden, Black Sabbath, Led Zeppelin, Scorpions, Ozzy, etc. Sempre emprestávamos discos entre os amigos. Tinha uma discoteca que a galera ficava ouvindo música na hora do recreio, e era só paulada, rock e heavy metal mesmo.

Alguns desses amigos ficaram muito famosos no futuro. Estou falando de nomes como Kiko Loureiro, Yves Passarel e André Matos. Todos estudaram nesse colégio e na mesma época. São ótimas pessoas e músicos da mais alta qualidade, reconhecidos mundialmente. Somos amigos até hoje, mas como cada um seguiu caminhos diferentes, nos vemos eventualmente em bares e shows. O Yves encontro com mais frequência, pois ele ainda mora lá no bairro de Higienópolis. Posso dizer que vi o Viper nascer, pois acompanho a banda desde 1985 e já fui a diversos ensaios e shows.

A sua coleção é um pouco diferente daquelas que tradicionalmente mostramos aqui na Collector´s Room. Ao invés de CDs, que você também possui, o que realmente impressiona em seu acervo é a enorme quantidade de tour books, cartazes e ingressos de shows, além de itens de memorabília como baquetas e palhetas. Quando você começou a colecionar este material?

Eu acredito que foi quando comecei a comprar singles, pictures e piratas do Iron Maiden e do do AC/DC na Galeria do Rock, por volta de 1985.

Colocando em números, qual é o tamanho da sua coleção?

Eu devo ter aproximadamente 2.000 ingressos de shows de todas as épocas, lugares e diferentes bandas de rock; 450 cartazes de shows do mundo inteiro (a maioria é da Alemanha, lá se encontram os mais legais e raros); 120 tour books; dezenas de discos e fotos autografadas; 130 palhetas; 35 baquetas; 6 guitarras e 12 peles de bateria, sendo todas autografadas; uns 1.600 discos, incluindo singles de 7, 10 e 12 polegadas; 1.400 CDs; 350 DVDs somente de shows.

E mais alguma memorabilia, como uma gaita tocada e autografada pelo lendário Sugar Blue (gaitista que tocou com os Rolling Stones e gravou o mega hit “Miss You” em 1978), que ele mesmo me deu em 1996; areia do túmulo de Jim Morrison em Paris, coletada no dia do vigésimo aniversário da sua morte, em 03 de julho de 1991; resíduos dos escombros do muro de sustentação do Cavern Club, quando fizeram uma reforma (edição limitadíssima vendida somente no Hard Rock Cafe de Londres há muitos anos - vem com certificado de autenticidade); um microfone autografado pelo Paul Rodgers; e alguns backstage passes e set lists.

No meio disso tudo, de quais grupos você possui mais material?

AC/DC, Led Zeppelin, Iron Maiden, Rolling Stones, Judas Priest, Deep Purple, The Doors e Sepultura.

Marcel, você já pensou em expor este material, sair em tour divulgando o seu acervo? Público para isso existe, pode ter certeza.

Essa é minha idéia no momento, mas quero ter apoio de patrocinadores, mídia especializada e pessoas sérias que acreditem nesse projeto. Quero fazer uma mega exposição no início de 2007, a princípio na cidade de São Paulo. Tenho certeza que público não faltará, mas acima de tudo quero mostrar que um acervo como esses pertence a um colecionador brasileiro, e que aqui também podemos fazer coisas sérias e inéditas.

Qual é a sua banda favorita, e que materiais você possui dela?

Led Zeppelin é a minha banda favorita, mas não é a que possuo mais material, pois é difícil colecionar e pagar por raridades de um grupo que já acabou há vinte e seis anos. Mas tenho todos os LPs originais lançados no Japão (que vêm com aquelas tarjas escritas em japonês, chamadas “obi”); quase todos os singles (alguns foram lançados somente na Indonésia, Nova Zelândia e em países que hoje nem existem mais, como a Iugoslávia, o que torna mais difícil ainda obtê-los); vários bootlegs, tanto em vinil como em CD; dezenas de livros, tour books e revistas de todas as épocas; alguns poucos ingressos de shows (é bem raro consegui-los na atualidade, mesmo no eBay); cartazes de shows (destaco o de Earls Court em 1975, que é bem raro. Ele ainda estava anunciando somente três apresentações, e, na verdade, foram tocadas cinco datas, tamanha a procura por ingressos); recortes de jornais, posters e dezenas de fotos promocionais originais dos anos setenta.

Consegui também algumas fotos ampliadas a partir dos negativos originais de um fotógrafo que registrou o show deles em Sidney, Austrália, em 1972, onde as imagens desse show foram utilizadas no clipe de “Immigrant Song”, que pode ser encontrado na caixa de DVD duplo lançada recentemente.

O Jason Bonham me deu o par de baquetas que ele tocou em São Paulo esse ano com o Foreigner, logo após executar “Misty Mountain Hop”, então considero isso como um presente da família Bonham para mim.

Vamos voltar um pouco no tempo então: qual foi o primeiro álbum que você comprou, e porque?

Tudo começou com o AC/DC, ”For Those About To Rock (We Salute You)”, que ganhei de presente, mas o primeiro ítem que comprei mesmo, com o meu dinheiro, foi o compacto de 7 polegadas dos Stones “Going To A Go Go”, que eram duas faixas extraídas do álbum “Still Life”, de 1982.

E qual foi o primeiro tour book, o primeiro ingresso, o primeiro cartaz?

Eu sempre guardo tudo, então o primeiro ingresso internacional foi do show que eu vi do Motorhead no Ginásio do Ibirapuera, em 1989.

Já o primeiro cartaz foi de um workshop do Nicko McBrain em Londres, que eu vi em 1991. Era bem grande e com todas as datas da tour que ele fez pelo Reino Unido, pois ele estava lançando o único single da sua carreira até hoje, o “Rhythms Of The Beast”. Ele autografou para mim e me deu uma baqueta também. O Dave Murray também tocou com ele nesse dia, e me deu a munhequeira que ele usou na ocasião. Falei aos dois que era da cidade de São Paulo, no Brasil, e que eles tinham milhares de fãs por aqui, que já estava na hora de voltarem ao país. Um ano depois eles lotaram o estádio do Palmeiras na tour do “Fear Of The Dark” e voltaram ao nosso país em todas as tours desde então.

Nesse mesmo ano de 1991 eu visitei o fan club oficial do Iron Maiden em Londres. Na época era em Wimbledon, perto de onde eu morava, fui de bicicleta até lá. Comprei os dois modelos de tour book da “No Prayer On The Road”, cachecol, camisas oficiais, além de “sobras” da tour do “Seventh Son”, que eram simplesmente o tour book em si, mais o programa do Donnington Festival de 1988 e um cachecol com os desenhos encontrados no encarte desse disco, que aliás eu nunca mais vi em outro lugar para vender. De quebra ainda ganhei duas fotos assinadas pela banda e distribuídas somente a promotores de shows.

Que itens você considera os mais raros da sua coleção?

Uma guitarra Lucille, original e autografada pelo rei do blues, B.B. King; os cartazes dos Rolling Stones das décadas de 70 e 80, e alguns da era psicodélica do final dos anos 60 na Califórnia, comprei alguns originais assinados, diretamente do artista Lee Conklin, que fazia alguns designs para o Bill Graham, dono do Fillmore na época; ingresso, cartaz e tour book originais do memorável show do Led Zeppelin em Earls Court em 1975; uma guitarra autografada pelo AC/DC e uma Fender modelo Buddy Guy autografada pelo próprio.

Quanto aos cartazes, para mencionar alguns, eu listaria um do Iron Maiden na tour do “Killers” em Glasgow, 1981; o do primeiro “Monsters Of Rock” em 1980 é recorte de jornal; Queen na Escandinávia em 1982; Pink Floyd tocando o “The Wall” em Dortmund, 1981; Saxon em Bruxelas em 1984; AC/DC na última tour do Bon Scott, em 1979, com o Judas Priest abrindo; John Mayall e Peter Green juntos no Royal Albert Hall ; B.B. King e Buddy Guy em um festival nos EUA; o do “Monsters Of Rock” de 1984, que tem quase dois metros de altura, autografado; Ted Nugent em 1981; Whitesnake com o Ozzy abrindo em 1983; cartaz da tour do Sodom em 1989, onde o Sepultura abriu todos os shows (isso é uma relíquia, pois acredito ser o primeiro cartaz internacional da banda brasileira); assim como um da famosa tour européia do Kiss em 1980 com o Iron Maiden abrindo; e um incrível cartaz na Alemanha estrelando Joe Satriani na tour de 1994 do Deep Purple, que também é muito raro, pois eles fizeram poucos shows com o Satriani, e todos autografaram esse cartaz.

Possuo ingressos, tour books e cartazes de shows de todas as tours de Iron Maiden e do AC/DC, esse último a partir de 1978, e dos Rolling Stones a partir de 1971.

Compro também muitos discos japoneses, pois as edições são sempre especiais, a capa é de ótima qualidade e eles valem muito mais que os dos demais países.

Quanto aos ingressos, os mais raros eu diria que são um do último show do Pink Floyd, realizado em outubro de 1994 em Londres, quando eles filmaram o DVD “Pulse”; o lendário show do Iron Maiden no Hammersmith Odeon em 20 de março de 1982, que saiu no DVD “Early Days”; o primeiro show do Nicko Mc Brain com o Maiden em 02/05/1983; alguns que eu tenho das diversas edições do Monsters Of Rock em Donnington; Led Zeppelin em Knebworth em 1979; o show da volta do Deep Purple em Knebworth em 1985; alguns do Van Halen nos EUA; Ian Gillan com o Black Sabbath nos EUA em 1983; o Rush abrindo para o Bob Seger no final dos anos 70; o show do tributo ao Freddie Mercury em 1992; vários do ZZ Top (adoro essa banda); Bad Company em um dos primeiros shows da carreira, em 1974 em Glasgow; alguns hisóricos no Royal Albert Hall de Londres, como Johnny Winter em 1971, Santana, Eric Clapton e B.B. King; Rolling Stones no Earls Court, em Wembley, nos anos 70, entre muitos outros ítens.

Para mim, o mais especial de todos, no entanto, é o do show que eu fui esse ano do David Gilmour em Glasgow, no dia 27/05/06. Foi o mais emocionante de todos! Quero ver quem irá superá-lo.

Todo colecionador tem o seu dia de loucura. Então, qual foi a maior compra que você já fez, de uma só vez, para a sua coleção?

Em 1993, em Londres, fui numa loja no Soho, a Sister Ray (recomendo a todos que queiram encontrar discos raros na Inglaterra) e comprei aproximadamente 40 singles, pictures discs e bootlegs, todos do Iron Maiden. Isso deve ter me custado umas 500 libras !!!

Aqui em São Paulo, alguns meses atrás, comprei 150 discos num sebo que estava queimando o seu estoque.

Quantos itens, em média, você adquire para o seu acervo todo mês?

Hoje em dia tenho comprado muita memorabilia pelo eBay e com alguns colecionadores na Europa, então diria que toda semana tem coisa chegando na minha casa, em média uns 25 itens novos todo o mês.

Entre tudo que você possui, do que você tem mais ciúmes, tem um cuidado especial e não deixa ninguém chegar perto?

As guitarras que eu tenho, todas autografadas pelo Judas Priest, Buddy Guy, Ozzy Osbourne, John Mclaughlin, Al Di Meola, Paco de Lucia, B.B. King e AC/DC.

Quais itens deram mais trabalho para conseguir?

O cartaz do Iron Maiden em Glasgow 1981. Na verdade é um daqueles “lambe-lambe” de rua, poucas cópias são impressas, ficam na rua e tomam chuva, ainda mais naquela época, então é muito difícil encontrar um desses por aí, e em bom estado.

Um cartaz da tour britânica dos Rolling Stones em 1971, é aquele que tem um carrinho no poster e está catalogado em todos os livros da banda, porém colocar as mãos em um exemplar original é uma relíquia. A única vez que vi um igual foi no Sticky Fingers, o bar do Bill Wyman em Londres.

Discos autografados pelo Pink Floyd, ZZ Top e pelo Queen. O single “Girls Got Rhythm” do AC/DC, autografdo em 1979 por toda a banda, inclusive pelo Bon Scott.

Conseguir autógrafos do Robby Krieger e do Ray Manzarek, dos Doors, foi difícil também, os caras são muito estranhos e não costumam dar atenção a ninguém. Tive que falar muito até eles pararem e aí sim me autografar alguns discos e tirar uma foto.

O tour book de 1983 do “Born Again” do Black Sabbath também é muito raro, assim como o de 1977 do Queen, junto com o ingresso do último show dessa tour, em Earls Court, Londres, no dia 06/06/1977. Foi a única vez que vi num leilão no ebay, então comprei.

Toda coleção que se preze possui alguns itens curiosos. Qual você considera o mais estranho da sua?

Acho que não é estranho, mas sim curiosidade mesmo, pois tenho alguns discos bem antigos e que contam as campanhas do Brasil nas Copas do Mundo de 1958, 1962 e 1970, com a narração original dos gols da Seleção Brasileira nessas copas, extraídas das rádios AM, na voz dos locutores da época.

Quem curte rock and roll e não gosta de futebo,l é ruim da cabeça ou doente do pé!

Como você adquiriu os itens de sua coleção?

Bem, as guitarras são todas iguais aos modelos usados pelos artistas, e os autógrafos foram obtidos diretamente com eles, em hotéis ou no backstage, após os shows. As peles de bateria eu compro e levo para eles assinarem também. Já as palhetas e baquetas ganho diretamente dos músicos.

O disco de ouro foi adquirido diretamente do fã-clube oficial do Santana, que sou sócio. Ele foi vendido em edições limitadas, apenas 2.500 cópias, em 2001. Tenho tamném um single de ouro de “Voodoo Chile”, do Hendrix, que comprei de um amigo que trouxe da Califórnia.

A grande maioria dos cartazes são obtidos com colecionadores europeus, e alguns pelo eBay, assim como muitas fotos autografadas.

Qual é o seu sonho de consumo, aquele cartaz, tour book, ingresso, álbum, single, qualquer coisa, que você está procurando há tempos e ainda não conseguiu adquirir para a sua coleção?

O cartaz original do festival de Woodstock, de 1969, é a minha meta. Existem muitas cópias sendo vendidas mundo afora, mas uma original sei que vale muito. Só compraria sabendo que é legítimo. Acredito que foi o primeiro festival de rock no mundo com tantas atrações no ápice de suas carreiras, e em vários dias. Era uma época de revolta e protestos nos EUA, guerra fria, os jovens querendo mudar o mundo pregando liberdade, paz e amor. O espírito dessa geração está eternizado, e tudo que vemos hoje só acontece porque existiu Woodstock. Este item seria como onde tudo começou, a página número um da história do rock.

A troca de materiais é uma prática comum entre os colecionadores. Na empolgação de conseguir algum item mais raro acabamos envolvendo na negociação coisas que farão falta mais tarde. Sendo assim, que item você teve na sua mão, passou adiante e se arrependeu depois?

Alguns discos do Iron Maiden, Whitesnake, Ozzy e AC/DC, que acabei vendendo ou trocando quando comecei a comprar CDs. Não pelo valor, mas porque foram os primeiros que comprei, quando tinha entre 11 e 13 anos. Hoje nem ligo tanto.

Como você guarda e conserva a sua coleção?

Os posters devem sempre estar enrolados em tubos, como vocês podem ver em uma foto. Memorabilia em geral, guardo dentro de armários, mas dentro de plásticos, pastas, envelopes, etc. Os vinis e CDs deixo em local aberto mesmo, mas enfileirados; vinil na sala da minha casa e os CDs no meu quarto. É recomendado que o local seja arejado, que não bata sol diretamente e esteja longe de paredes úmidas, pois evita bolores.

Marcel, faz aí um top#5 dos itens da sua coleção que você mais gosta.

1. Disco de ouro do Santana, para o álbum “Supernatural”
2. Guitarra Lucille do B.B. King autografada “Let The Good Times Roll”
3. Vinil japonês do “Priest In The East” do Judas Priest, original. É aquele famoso disco que vem com o compacto de 7 polegadas com mais 4 músicas, ele é bem raro (também gosto muito do “Soundhouse Tapes” do Iron Maiden)
4. Cartaz da UK tour de 1971 dos Stones
5. Fotos originais do mestre Jimi Hendrix, foram compradas diretamente da família Hendrix e vêm com certificado e adesivo de autenticidade da origem

Quais seriam, para você, os dez melhores álbuns de todos os tempos?

1. Led Zeppelin – Led Zeppelin IV
2. Jimi Hendrix – Are You Experienced?
3. Rolling Stones – Let It Bleed
4. Pink Floyd – Animals
5. Allman Brothers Band – Live At Fillmore East
6. Deep Purple - Burn
7. Derek & The Dominos – Layla
8. AC/DC – Highway To Hell
9. Iron Maiden – Number Of The Beast
10. Muddy Waters – Muddy Mississipi Live

E os dez melhores discos lançados nos últimos anos, quais são?

1. David Gilmour – On An Island
2. Soulfly - Prophecy
3. Iron Maiden – Brave New World
4. Eric Clapton – Me And Mr Johnson
5. Judas Priest – Angel Of Retribution
6. Rolling Stones – A Bigger Bang
7. Red Hot Chili Peppers – Stadium Arcadium
8. Scorpions - Unbreakable
9. Korzus – Ties Of Blood
10. Zarg - Zaravash

E quais foram os 5 melhores shows que você já viu?

1. David Gilmour em Glasgow em 2006
2. Judas Priest no Hammersmith Odeon em 1991
3. Rolling Stones no Pacaembú em 1995 (o primeiro dia, o da chuva)
4. Iron Maiden no Rock in Rio 2001
5. AC/DC em Wembley Arena em 1991, tour do “Razor’s Edge”

Que grupos você têm ouvido ultimamente e recomendaria aos nossos leitores?

Existe uma banda na Inglaterra chamada Ozric Tentacles, eles são do início dos anos 80, o som deles é instrumental e classificado como “space rock trance étnico psicodélico”, só ouvindo para entender. É uma mistura de rock psicodélico com flauta, muito sintetizador e uma batida eletrônica, mas na verdade existe um baterista e um ótimo guitarrista. Eles têm mais de vints CDs lançados.

No Brasil, existe um grupo de prog metal em Minas Gerais chamado Zarg, os músicos são excelentes, mas ainda não estouraram. Eles estão no DVD do Roça In Roll desse ano. O guitarrista é fenomenal.

O King Bird, de São Paulo, veio para ficar, tenho essa certeza, o som deles é excelente e estão bem na mídia, quero ouvir o segundo álbum logo.

Mas o melhor ainda está por vir: atenção gravadoras, a banda Kvork, de Santos, faz um prog metal moderno, pesado e de qualidade. No mês de janeiro eles tocarão no Blackmore em São Paulo, vale a pena conferir. É uma grande promessa.

Acredito muito na volta do Viper, o CD novo está pronto e 2007 marca a volta deles com o disco e uma turnê, e o que já ouvi das músicas novas vai fazer a cabeça da moçada que curte Angra e Iron Maiden.

O rock é mágico. É impossível compará-lo com outros estilos de música em vários quesitos, mas um deles se destaca: a capacidade de provocar paixões por grupos e artistas. Hoje, vivemos em tempos onde a velocidade de consumo é outra, com a música, na maioria das vezes, sendo tratada como mero produto. A nova geração, os adolescentes que hoje tem 13, 15 anos, encaram a música de uma maneira muito diferente da nossa geração, anterior a deles. Neste sentido, eu acho muito legal o trabalho que você faz, que os colecionadores em geral fazem, mantendo viva a história de seus ídolos e, por extensão, a própria história do rock and roll. Fiz tudo isso para chegar neste pergunta: como você acha que esta paixão, esta coleção que você vem juntando ano após ano, dia após dia, mudou a sua vida e o fez ser quem você é hoje?

Tudo que fazemos com grande esforço, diálogo e dedicação em nossas vidas, é recompensado de alguma forma, basta ter atitude, determinação e sempre respeitar o seu semelhante. O homem precisa entender que com armas e guerras, ou roubando dinheiro dos contribuintes, nunca irá evoluir. Portanto, devemos sempre acreditar em nossos sonhos. O meu vai se realizar, eu cresci com essa idéia, quero criar um grande espaço voltado para os rockeiros, onde as pessoas com ideais semelhantes irão se encontrar para ouvir boa música, tomar um drink com os amigos, assistir a um bom show e desfrutar de toda essa memorabilia em exposição.

Como você disse, temos que manter a chama da história do rock sempre acesa. Neil Young sempre diz que ROCK AND ROLL WILL NEVER DIE!!!

Nestes anos todos esta paixão pela música propiciou a você diversas experiências interessantes e curiosas. Conta uma aí pra gente.

Como fã, sempre corremos atrás de nossos ídolos por uma foto, uma conversa ou um autógrafo. Me lembro uma vez, em 1991, numa tarde de autógrafos do Motorhead na HMV de Londres. Falei pro Lemmy que era brasileiro e que vi o show deles aqui, e ele me disse que foi uma das maiores experiências a tour aqui no Brasil em 1989, e que estava compondo uma música sobre o Brasil. No álbum seguinte saiu a “Going To Brazil”, que eles tocam até hoje. O Lemmy é o Doctor Rock em pessoa.

O maior momento, no entanto, foi em junho desse ano, quando consegui visitar o cofre do Hard Rock em Londres, e simplesmente vi e toquei na guitarra Gibson Flying V do Jimi Hendrix, o trompete do Miles Davis, a guitarra que o Duane Allman gravou “Layla” e vesti a famosa jaqueta verde do John Lennon.

Marcel, mais uma vez muito obrigado por ter participado da Collector´s Room. Este espaço é seu.

Agradeço ao Whiplash! pela oportunidade e pela iniciativa de manter uma coluna tão legal como a Collector’s Room. Foi a primeira vez que pude de fato falar e expor minha memorabilia, então tinha que ser em um veículo do porte do Whiplash, com seu público seleto e exigente.

Espero em breve fazer uma exposição com esse acervo, pois os rockeiros merecem algo dessa grandeza no Brasil.

O rock sempre vai existir, bandas novas surgirão, a internet é um grande meio de divulgar o seu trabalho e o futuro da música é digital, a velocidade da informação hoje é impressionante, então entre nessa onda. Comece hoje mesmo a sua coleção de memorabilia, guarde os ingressos de todos os shows que você for.

Um abraço a todos os rockeiros do Brasil!!!

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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

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