O disco do Jethro Tull que Ian Anderson achava que passou do ponto e ficou complicado demais
Por Bruce William
Postado em 08 de junho de 2026
O Jethro Tull já vinha de uma sequência intensa quando entrou em 1973. A banda havia saído do blues rock inicial, passado por mudanças de formação, ampliado o uso da flauta de Ian Anderson e chegado a um ponto ambicioso com "Thick as a Brick", lançado em 1972 como uma longa peça dividida nos dois lados do LP. Depois daquilo, qualquer passo seguinte carregaria uma pressão considerável.
Jethro Tull - Mais Novidades
A tentativa de avançar veio com "A Passion Play". A banda foi para Paris, em busca de um ambiente diferente para gravar, mas a experiência não saiu como o esperado. Ian Anderson já contou que o clima geral era ruim, com problemas de saúde, desconforto e uma sensação de que as sessões não estavam rendendo como deveriam. Depois de cerca de duas semanas, o grupo deixou a França e voltou para Londres.
O material feito antes, durante e depois dessa passagem acabou entrando no processo que levaria ao álbum. O problema, segundo Anderson, é que havia ideias demais disputando espaço. "A Passion Play" saiu como uma obra longa, conceitual, cheia de mudanças de andamento, arranjos densos, passagens narrativas e uma estrutura pouco amigável até para quem já acompanhava o lado mais progressivo do Jethro Tull.
Anos depois, Anderson falou com reservas sobre o resultado. "Não acho que tenha sido nosso melhor disco de forma alguma - um pouco complicado demais e frenético demais em parte do conteúdo musical. Detalhe demais, coisas demais empilhadas nos arranjos. Musicalmente é um pouco denso demais em alguns pontos, mas para algumas pessoas é o álbum para gostar, porque é maluco", afirmou, em fala resgatada da Far Out.
Essa autocrítica ajuda a entender a posição peculiar de "A Passion Play" na discografia da banda. O disco não é exatamente um fracasso criativo, mas também não é um daqueles trabalhos que Anderson parece defender sem ressalvas. Ele reconhece a ambição, mas aponta o excesso: muitas camadas, muitas viradas, muita informação musical concentrada em uma obra que parecia querer resolver várias ideias ao mesmo tempo.
O próprio título carregava essa mistura de seriedade e ironia. Anderson explicou que brincava com a ideia da agonia da morte como uma "peça da Paixão", em referência à Paixão de Cristo, mas tratada como uma espécie de comédia sombria. Era um conceito que juntava espiritualidade, morte, teatralidade e humor escuro, o que já mostra como o álbum caminhava longe de qualquer proposta simples.
Mesmo com as críticas, "A Passion Play" encontrou defensores fiéis. Para parte dos fãs, justamente aquilo que Anderson vê como excesso é o que torna o disco especial: a sensação de obra estranha, intrincada, quase descontrolada, mas com uma identidade própria dentro da fase mais ousada do Jethro Tull. É o tipo de álbum que pode afastar ouvintes casuais e, ao mesmo tempo, virar objeto de culto para quem gosta quando uma banda resolve complicar tudo sem pedir desculpas.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



5 clássicos do rock cujas letras envelheceram mal
Nazareth abre a turnê brasileira em Vitória com clássicos de cinco décadas
Jennifer Finch, baixista da L7, morre aos 59 anos devido a um câncer cerebral
Quando Robert Plant enquadrou uma banda por plágio e levou o troco na mesma hora
Mick Box, guitarrista do Uriah Heep, conta como Brexit dificultou tudo para bandas britânicas
Ian Anderson (Jethro Tull) lembra de quando Joey Ramone lhe pediu autógrafo
Mick Jagger e Keith Richards aprovam o uso de IA para fazer música, mas com uma condição
Como é tocar com um ex-membro de Shaman e Angra, segundo Paulo Ricardo
Alex Skolnick e o estilo musical que nunca superou o rock: "Faltou apelo ao jovem"
A banda que vendeu milhões nos anos 70 e hoje não aparece nas listas de rock clássico
A música do Toto que se tornou trilha sonora do vôlei na Rede Globo
O dia em que Ozzy Osbourne entrou em um protesto contra ele mesmo e ninguém percebeu
Gojira faz primeiro show com o baterista brasileiro Luigi Paraventi; confira vídeos
A música do Van Halen que Gene Simmons coloca acima até de "Eruption"
Bill Kelliher foi às lágrimas ouvindo o novo álbum do Mastodon

O defeito que une Jethro Tull e AC/DC, e que foi apontado pelo parceiro de Elton John
O hit de 1939 que Ian Anderson considera precursor do rock: "Plantou uma semente"
As maiores mentiras que muita gente ainda conta sobre o rock progressivo
O melhor álbum de rock progressivo de cada ano dos anos 1970, segundo a Loudwire
A banda prog que atropelou um ícone do metal em um evento que virou piada


