MetalHead: se você é muito sensível esse filme não é para você
Por Luciano Arruda
Fonte: Blog Fluidez Mental
Postado em 27 de junho de 2020
Morre Phil Campbell, guitarrista que integrou o Motörhead por mais de 30 anos
Hoje na dica cultural vou indicar um filme que assisti recentemente e já posso colocar na minha lista de melhores de todos os tempos, com certeza absoluta.
Como sempre não vou dar nenhum tipo de spoiler, e dessa vez vou dividir o comentário em duas partes, na primeira vou falar com o olhar do Psicólogo e na segunda como um fã de Heavy Metal, ou como diz o nome do filme em inglês MetalHead, já que a película trata desse tema também.
Vamos lá, para a Psicologia esse filme é um prato cheio sem dúvidas, aqui vou te dar um alerta, se você é muito sensível eu creio que esse filme não para você, toda a fotografia da película é centrada em um ambiente escuro e desesperador com muita neve, escuridão e solidão, então fica esse aviso.
O filme conta a história de Hera um pequena garota que vive com a família no interior da Islândia. Após uma tragédia que ocorre logo na primeira cena a vida de Hera e consequentemente de toda sua família muda completamente.
Como forma de alívio para a dor a garota encontra o Heavy Metal como uma razão de viver, isso muda seu comportamento de forma positiva pois ajuda realmente a superar a dor e também de forma negativa, pois, ela passa a viver em um mundo fechado e solitário, resultando em brigas com a família e problemas com a comunidade local.
Com essa tragédia a família se desestrutura, problemas conjugais passam a ser visíveis além da depressão e ideações suicidas por parte de mais de um dos membros da casa, o único consolo reside na música.
Uma figura surge no meio da obra e muda tudo, Hera começa a enxergar que tem um problema, na cena em que ela conversa com essa figura tudo é impressionante, preconceitos são desfeitos e podemos ver o poder terapêutico da conversa, e como mudamos quando encontramos alguém que nos ouve e entende.
Em um episódio causado por Hera no entanto tudo muda, a comunidade se revolta contra a família e qualquer coisa que eu fale além disso será um spoiler que estragará totalmente a surpresa do final que sequer posso dizer se é positiva ou negativa, vai lá assiste o filme pois vale muito a pena.
Agora minha visão Headbanger é quem vos fala (esquizofrênico não? ), e se por acaso você não suporta esse estilo musical sim o Metal, muito obrigado pela leitura, mas as linhas abaixo não serão interessantes para você.
Vamos começar do início é preciso respeitar demais um filme com o título de MetalHead e uma trilha sonora com Judas Priest, Megadeth, Savatage e Riot, quantos desses você consegue lembrar a existência? Isso fora todo o visual da personagem principal e referências a várias bandas clássicas tais como Iron Maiden, Accept e Venom.
Você que escuta Metal sabe o poder transformador que estilo musical carrega e isso fica bem explícito no filme, em todas as dificuldades Here recorre ao Metal como forma de alívio, no entanto a obra também não amacia, mostrando como o radicalismo por vezes acaba sendo também prejudicial, gerando principalmente o isolamento e o comportamento antisocial.
Quando relatei a figura misteriosa acima, ela tem tudo a ver com o Metal, aquela coisa de irmandade, um Headbanger entende o outro mesmo nas dificuldades, também mostra que muitas vezes o fã não carrega os estereótipos o cabelo grande, as camisetas de banda ou as jaquetas e coletes com patches, é uma bela lição contra o preconceito.
Os quinze minutos finais do filme são tremendamente marcantes para quem curte Metal, duvido que você não se emocione e surpreenda com essa parte, é daquelas coisas que ficará com vontade de assistir todos os dias.
Outra coisa bem legal que a obra nos traz é o uso das músicas em algumas cenas, no momento onde é tocado Victim of Changes (Judas Priest) o diálogo é arrepiante, a cena de Run for your Life (Riot) é no mínimo surreal,e quando toca Strange Wings (Savatage) eu duvido que você não chore, de verdade é uma das cenas mais dramáticas, tristes e sinceras da história do cinema, o Diretor foi feliz demais nesse momento é uma baita homenagem a todos aqueles que tem paixão pela música e mostra como ela nos acompanha nos momentos mais difíceis.
E vou terminar com um pequeno spoiler juro que não estragar em nada sua experiência com o filme, mas você nunca mais conseguirá escutar Symphony of Destruction (Megadeth) da mesma maneira depois de assistir a cena final da obra, aquilo é legal demais.
Desculpe a quebra de decoro, mas puta que pariu!! Que filme foda!!!
She flies strange wings
Behind a thin disguise
She flies strange wings
Still tears she cries
Escrito por Luciano Arruda, Psicólogo, fundador do Fluidez Mental e Headbanger convicto. Seu contato é [email protected].
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