Os Cramps reativam a Vengeance Records e lançam álbum inédito gravado em 1977
Por Diego Carreiro
Postado em 08 de junho de 2026
Mais de quatro décadas após registrarem algumas das gravações mais influentes da história do punk e do psychobilly, os Cramps voltam a ocupar o centro das atenções. A criação da The Cramps Inc. marca o início de uma nova fase dedicada à preservação e expansão do legado da banda, incluindo o relançamento de discos clássicos, a produção de merchandising oficial e, principalmente, a chegada de material inédito guardado nos arquivos do grupo.
Cramps - Mais Novidades
A primeira grande novidade desse projeto é o lançamento de Gravest Gravy, álbum produzido por Alex Chilton e gravado em 1977, que permaneceu inédito por quase cinquenta anos. O disco chega ao público em 21 de agosto, disponível em formatos digital, CD e edições especiais em vinil colorido.
A iniciativa reúne nomes profundamente ligados à trajetória da banda. A empresa é formada por Poison Ivy Rorschach, cofundadora dos Cramps; Larry Hardy, fundador da gravadora In The Red Records; e Jimmy Maslon, produtor de cinema e colaborador de diversos projetos audiovisuais relacionados ao grupo. A eles se somam Henry Rollins e Ian MacKaye, que atuam na curadoria e restauração do material através da RAM Prod. (Rollins and MacKaye), responsável por processos de edição, mixagem, masterização e preservação das fitas originais.
O anúncio representa também a retomada da histórica Vengeance Records, selo criado pelos próprios Cramps e responsável por lançamentos fundamentais no final dos anos 1970. Além disso, a nova empresa pretende combater décadas de circulação de produtos não oficiais, desenvolvendo uma linha autorizada de merchandising em parceria com a Easy Partners.
Entre os projetos já confirmados estão as reedições de títulos essenciais da discografia da banda, como Gravest Hits, Smell of Female, A Date With Elvis, Stay Sick!, Look Mom No Head!, Big Beat From Badsville e Fiends of Dope Island. Segundo os responsáveis, outros lançamentos inéditos também estão em preparação e serão anunciados futuramente.
O destaque, no entanto, é Gravest Gravy. As gravações remontam a outubro de 1977, quando Lux Interior, Poison Ivy, Bryan Gregory e Nick Knox entraram nos lendários Ardent Studios, em Memphis, para trabalhar com Alex Chilton, figura central do rock alternativo norte-americano. Dessas sessões nasceram os primeiros lançamentos do grupo, incluindo os singles "Surfin' Bird" e "Human Fly", considerados marcos na formação da identidade sonora dos Cramps.
O que poucos fãs sabiam era que aquelas sessões produziram muito mais material do que o lançado oficialmente. Incentivados por Chilton, os músicos registraram praticamente todo o repertório que possuíam naquele momento. Parte dessas gravações permaneceu esquecida nos arquivos da banda, apesar de uma tentativa de lançamento no final dos anos 1980.
Na época, Lux Interior e Poison Ivy chegaram a desenvolver um projeto chamado Gravest Gravy. O álbum recebeu capa assinada pela artista Stephanie Chernikowski e passou por sessões de mixagem realizadas tanto pelos integrantes da banda quanto por Chilton. Por razões que se perderam ao longo do tempo, o lançamento acabou sendo engavetado.
A recuperação desse material começou recentemente, quando as fitas originais foram localizadas e transferidas para formatos contemporâneos. Os sete rolos de fita que continham as gravações sobreviveram em excelente estado de conservação, permitindo um trabalho minucioso de seleção e restauração. Após a análise das diferentes versões existentes, Rollins e MacKaye chegaram a um consenso sobre as mixagens definitivas, que posteriormente passaram por ajustes técnicos e masterização profissional.
O resultado é um álbum de 12 faixas que captura os Cramps em sua forma mais crua e primordial. O repertório inclui canções que se tornariam clássicos do grupo, como "TV Set", "Jungle Hop", "Can't Find My Mind" e "The Natives Are Restless", além de versões de músicas obscuras que ajudaram a moldar a estética singular da banda. Algumas gravações contam ainda com a participação de Alex Chilton nos teclados, ampliando o valor histórico do material.
Mais do que um simples lançamento de arquivo, Gravest Gravy oferece um retrato raro do momento em que os Cramps estavam definindo a fórmula que influenciaria gerações de artistas ligados ao punk, garage rock, rockabilly e psychobilly. As gravações mostram a química entre os integrantes originais e revelam caminhos criativos que seriam revisitados em álbuns posteriores.
O anúncio da The Cramps Inc. também foi acompanhado por depoimentos de artistas que testemunharam o impacto da banda desde seus primeiros anos. Debbie Harry, do Blondie, recordou o entusiasmo ao assistir aos shows do grupo no CBGB, enquanto Kid Congo Powers relembrou o fascínio causado pela mistura de humor, perigo e originalidade que caracterizava suas apresentações. Já Bobby Gillespie, do Primal Scream, descreveu o universo criado pelos Cramps como uma experiência quase sobrenatural, capaz de transportar o público para uma dimensão única dentro do rock.
Com a retomada da Vengeance Records e a abertura dos arquivos da banda, a expectativa é que uma nova geração de ouvintes descubra a importância histórica dos Cramps, enquanto fãs de longa data terão acesso a registros que permaneceram ocultos durante décadas. O lançamento de Gravest Gravy não apenas recupera um capítulo perdido da trajetória do grupo, mas reafirma a influência duradoura de uma das formações mais originais e cultuadas da história do rock underground.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



5 clássicos do rock cujas letras envelheceram mal
Nazareth abre a turnê brasileira em Vitória com clássicos de cinco décadas
Quando Robert Plant enquadrou uma banda por plágio e levou o troco na mesma hora
Como é tocar com um ex-membro de Shaman e Angra, segundo Paulo Ricardo
A banda americana que não conseguiu competir com o Led Zeppelin no palco
A banda que vendeu milhões nos anos 70 e hoje não aparece nas listas de rock clássico
Mick Box, guitarrista do Uriah Heep, conta como Brexit dificultou tudo para bandas britânicas
O clássico dos anos 70 que para Slash tem o "melhor timbre de guitarra de todos os tempos"
A música do Toto que se tornou trilha sonora do vôlei na Rede Globo
A música de Bruce Dickinson que tem riff no estilo Scorpions
Mãe de baterista do Mastodon já fugiu de hospital para ver show da banda
A banda que antecipou o Van Halen e quase virou o Led Zeppelin dos EUA
A regra do Iron Maiden que Nicko McBrain quebrou e levou "uma bronca daquelas" de Steve Harris
O álbum de 1972 que Mick Jagger dos Rolling Stones disse não ter música ruim

Os Cramps reativam a Vengeance Records e lançam álbum inédito gravado em 1977
Cinco músicos ligados ao punk que eram "treinados demais" pro clichê dos três acordes
Memoráveis como a música: os 25 melhores logos de bandas


