A banda que era a "versão brasileira do Iron Maiden", segundo Max Cavalera
Por Gustavo Maiato
Postado em 08 de junho de 2026
Max Cavalera relembrou o primeiro show do Sepultura e citou uma banda brasileira que, para ele, soava como uma versão nacional do Iron Maiden. Em entrevista à Louder Sound, o vocalista e guitarrista falou sobre os primeiros anos da cena em Belo Horizonte e contou que o grupo Overdose causava forte impressão antes mesmo de o Sepultura saber tocar direito.

A lembrança surgiu quando Max foi perguntado sobre o primeiro show do Sepultura. O músico disse que a banda dividiu a noite com o Overdose, nome importante da cena mineira e parceiro do Sepultura no split Século XX / Bestial Devastation, lançado em 1985. "Lembro de tocar com a banda Overdose e eles eram muito bons, tipo uma versão brasileira do Iron Maiden", disse Max.
Segundo o músico, o contraste entre as duas bandas era grande. Enquanto o Overdose tinha mais domínio de palco e agradava o público, o Sepultura ainda estava em uma fase rudimentar, marcada por barulho, instrumentos desafinados e pouca técnica. "As garotas adoravam eles. Nós éramos o oposto. As garotas nos odiavam, a gente não sabia tocar", afirmou.
Sepultura e Overdose
Max também contou que o guitarrista do Overdose tentou ajudá-lo antes da apresentação. O instrumento estava desafinado, e o músico percebeu o problema. "O guitarrista do Overdose pegou minha guitarra e estava toda desafinada. Ele disse: 'Deixa eu afinar a guitarra para você, mano'", lembrou.
A ajuda, porém, não resolveu muito. Max disse que o show continuou caótico. "Não adiantou nada. Era só barulho." Mesmo assim, a apresentação conquistou dois fãs improváveis. Max lembrou que havia dois caras usando camisetas do Motörhead, e eles gostaram justamente da crueza do Sepultura. "Tinha dois caras usando camisetas do Motörhead e eles adoraram o show", contou. "'Vocês são demais! É barulhento, é uma merda, e a gente adora!' Dois caras em cem."
Na mesma entrevista, Max também explicou como conheceu o metal em Belo Horizonte. Segundo ele, um pequeno grupo de cerca de 20 pessoas ajudou a iniciar a cena local. Como era difícil comprar discos importados na cidade, os amigos juntavam dinheiro e escolhiam alguém para viajar de ônibus até São Paulo.
"Todo fim de semana a gente escolhia um cara para pegar o dinheiro de todo mundo, ir de ônibus até São Paulo, uma viagem de 12 horas, e ir até a Woodstock comprar um monte de discos importados", disse.
Entre os discos comprados estavam War and Pain, do Voivod, Show No Mercy, do Slayer, e Melissa, do Mercyful Fate. Para Max, a descoberta do Slayer foi um ponto de virada. "Quando descobrimos o Slayer, foi tipo: 'Acabou essa parada'."
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