André Rodrigues Guedes - Mercyful Fate e King Diamond

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Por Ricardo Seelig
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Esta edição da Collector´s Room é dedicada a dois dos artistas mais apreciados pelos headbangers brasileiros: Mercyful Fate e King Diamond. Fomos conversar com André Guedes, fã e dono de uma coleção respeitável dos dois grupos. Veja como foi o nosso papo.

Vamos lá então, André. Antes de começar eu gostaria que você se apresentasse aos leitores do Whiplash!.

Bom, meu nome é André Rodrigues Guedes, tenho 19 anos, cursava Engenharia Elétrica porém abandonei o curso, e estou novamente na batalha por uma vaga em uma universidade federal. Nas horas vagas pratico esportes (principalmente skate), jogo vídeo game e escuto música, que é uma das coisas que mais gosto de fazer. E, é claro, algo relacionado ao Mercyful Fate e King Diamond, como ler comentários de show ou biografias.

Como você conheceu o Mercyful Fate e quando começou a colecionar material do grupo?

Nem eu lembro ao certo, só sei que comecei a escutar através de um amigo por volta de 2001. Lembro que ele tinha um CD do “Time” e do “9”, ambos do Mercyful Fate, e eu gostei tanto do “9” que alguns dias depois copiei o CD para mim (dei esta cópia para uma amiga logo depois). Mas teve um dia em que encontrei o “Melissa” em uma loja de CDs, comprei sem escutar, e quando cheguei em casa fiquei até arrepiado, pois era a melhor coisa que havia escutado até então!!!

Fiquei empolgado e fui comprando CDs do Mercy e do King não com o intuito de fazer uma coleção, mas sim de conhecer cada vez mais o trabalho de ambos, e fui percebendo que nenhuma banda me fascinava tanto quando o Mercyful Fate e o King Diamond. Então comecei a ler sobre a história deles, até o momento em que entrei no site oficial (www.covenworldwide.org) e vi as fotos da discografia dos dois. Fiquei louco para conhecer aquele material que ainda não havia escutado e fui correndo atrás de mais coisa, até que um dia me dei conta do tanto de material que possuía, daí já era um caminho sem volta, tinha dado início a uma coleção à qual me dedico bastante.

Comecei mesmo a colecionar há uns dois anos, faço o possível para conseguir coisas novas. O problema é que sou um estudante e não trabalho, mas me viro para conseguir o que eu quero.

Você curte simplesmente as músicas do King Diamond ou gosta também da pessoa por trás do artista?

Eu sou fã mesmo, de King Diamond ao Kim B. Petersen, por ser um cara extremamente inteligente, esclarecido, que faz as coisas que ele realmente tem vontade, nada para agradar os outros. Gosto das idéias dele, nosso modo de pensar é parecido. A filosofia dele é interessante, e o mais legal: todo o feeling que ele passa através das músicas eu consigo sentir. Essa sintonia me agrada muito.

Curiosidade básica: quantos álbuns no geral você possui, e quantos do Mercyful Fate e de King Diamond?

Como disse anteriormente, não trabalho, então não dá para ter um material tão diversificado por falta de grana. No total tenho 187 CDs de metal e hard rock, sendo que 17 são do Mercy e 22 do King. Pode parecer pouco, minha coleção não é ampla como outras apresentadas aqui, mas procuro focar na qualidade, na raridade e no valor comercial dos itens que possuo.

Dou mais importância para o material em vinil, tenho 18 vinis do King Diamond e 11 do Mercy, não apenas álbuns oficiais de estúdio, mas uma grande parte das edições limitadas lançadas com apenas 150, 500, 1000 cópias no mundo todo, fora os EPs que, além de serem raros, são lançados também em quantidades pequenas.

Qual você curte mais: Mercyful Fate ou King Diamond?

Difícil, as duas são maravilhosas e diferentes. King sempre são álbuns conceituais, com o uso de sonoplastia para passar o clima das histórias, que são sempre de terror. Cada música seria um capítulo da história. Já o Mercy é mais direto, fala mais do obscuro. Gosto um pouquinho mais do Mercy, acho incrível o fato de tudo ter a tendência a se transformar em clássicos.

Além de material do Mercyful Fate e King Diamond, você coleciona ou possui materiais de outras bandas?

Sim. Quando era bem pequeno, por volta dos 12 anos, comecei a escutar música por prazer e não por influência dos outros. A primeira banda que me fascinou foi o Nirvana, algo bem fácil de se escutar no início. Fui comprando os álbuns, assim como aconteceu com o Mercy e com o King, e logo tinha uma coleção, pequena porém maravilhosa.

Depois comecei a colecionar material do Iron Maiden, uma coleção que me dedico até hoje. Ela é até bem grandinha, tenho todos os CDs de estúdio e alguns singles, mas a graça dela está nos vinis. Tenho muita coisa diversificada e rara.

Como você já citou, a sua coleção não é formada apenas por CDs. Além dos vinis, que outros materiais você possui?

Não tenho preferência por um formato específico, vou acrescentando à coleção o que for encontrando, conforme a grana disponível. Tenho CDs, LPs, VHS, DVDs, revistas, fotos e outros, mas o que eu realmente gosto é de vinil. Sou um cara extremamente saudosista, vejo um charme em coisas entigas e fora de uso.

Ultimamente tenho corrido atrás de shows, gravações amadoras mesmo. Adoro ver estes shows, mesmo com a qualidade ruim. Existem muitas curiosidades, como em um show de 1984 em que uma mulher nua em uma cruz sai correndo de vergonha, e um show da turnê do “Them” onde um cara invade o palco com uma vassoura e começa a imitar o Andy a tocar guitarra.

Você lembra qual foi o primeiro álbum que comprou, e porque?

Se eu falar o primeiro foi mesmo o “Nevermind” do Nirvana como disse anteriormente, mas de coisas mais pesadas acredito que tenha sido algum do Angra ou do Iron Maiden, talvez o “Piece Of Mind”, não tenho certeza.

O do Nirvana foi porque escutei no rádio uma música e fiquei louco, tinha que escutar novamente, e do Iron deve ter sido por inúmeros fatores, como as capas (que são fascinantes), o volume do baixo do Steve Harris e a qualidade do som em si, que é indiscutível.

E do Mercyful Fate e do King Diamond, qual o primeiro álbum?

Do Mercy foi o “Melissa”. Já do King foi o “Fatal Portrait”, álbum que demorei muito para aprender a apreciar. Ele é um disco em que o King abusa do uso de falsetes, e eu não estava tão acostumado com isso (apesar de o “Melissa” ser bastante agudo), então comparava muito com o “9”, em que a variação de vozes era grande.

Qual item você considera o mais valioso da sua coleção, o mais difícil de encontrar?

Nossa, são tantos... Talvez alguns bootlegs bem limitados, tenho um que só foram lançadas 150 cópias no mundo, outro que foram lançadas apenas 500 cópias. Os EPs em geral, como o “No Presents For Christmas” com a capa na versão americana e européia.

A primeira gravação do Mercy feita pela Rave-On Records, o famoso “Nuns Have No Fun”. O meu é o da capa com a borda preta (raro como o “Soundhouse Tapes” do Maiden).

Alguns pictures e uma caixa intitulada “Decade Of Horror” com quatro pictures, que foi lançada de forma limitada (apenas mil cópias no mundo todo).

Tento ter somente material de qualidade e raro.

Quantos álbuns em média você compra por mês?

Em CD em média quatro por mês. O CD está bem caro, compro assim que dá. Não aceito CD-R em hipótese alguma, fico sem escutar determinado álbum mas CD-R jamais.

Já em vinil uns dois por mês. Vinil é mais caro ainda, já cheguei a pagar R$260,00 em um único disco...

Todo colecionador tem as suas manias. Como você guarda e conserva a sua coleção?

Antes de tudo peço para que ninguém vá bisbilhotando as minha coisas. Guardo todos os CDs empilhados no canto de um móvel que foi feito somente para isso. Guardo tudo em ordem alfabética por bandas e depois por ordem de lançamento, dessa maneira sei exatamente o álbum que estaria faltando caso alguém tirasse algum do lugar ou algo assim. Folheio os encartes com luvas ou então passo as páginas com as unhas sem encostar nada nos dedos, pois não suporte encartes com impressões digitais ou sujeiras.

Já os discos de vinil guardo na posição vertical dentro de uma caixa que eu fiz, forrada na cor branca por ser a cor que menos absorve calor. Mantenho longe da umidade e do calor, e sempre estou limpando para evitar mofo ou traça nas capas.

André, eu queria que você fizesse um top#5 com os itens da sua coleção que você mais curte.

Top#5? Difícil, gosto de tudo mesmo, mas seria mais ou menos assim:

1 – “Nuns Have No Fun” do Mercyful Fate em vinil

2 – O vinil do “Conspiracy” com a capa coreana. Não é a capa conhecida com o rosto do King, mas sim com a logo dele na cor rosa. Parece um letreiro de bordel, lançado somente lá por algum motivo que eu desconheço.

3 – CD shaped do King Diamond. Este CD não é redondo, é no formato da cabeça do King, louco demais.

4 – “Black Masses / Black Funeral” do Mercyful Fate em vinil, bem raro.

5 – “Live In Hilversum 20/01/1984” em vinil vermelho, apenas 150 cópias no mundo.

Toda coleção tem as suas peculiaridades e itens curiosos. Neste sentido, gostaria de saber qual é o item mais estranho da sua coleção.

O mais estranho seria o item três do top#5, o CD que não é redondo, é exatamente no formato da cabeça do King. Muitos me perguntam se ele funciona, e é claro que sim, senão não teria utilidade. O perímetro dele não ultrapassa o de um CD comum, então as beiradas não colidem na parede do aparelho. Foi evidentemente cortado à laser para ter este formato, seu tamanho é reduzido, tem apenas cinco músicas, material de coleção mesmo. Não sei ao certo quantos foram feitos nem onde, o meu é da Alemanha, não sei informar se saiu em outros países.

Tem algum item que, só de alguém chegar perto, você já gela e morre de ciúmes e não venderia de jeito nenhum?

Todos. Pode até ser uma revista nacional comum, tenho ciúmes de tudo, sem exceção. Já briguei feio com o meu irmão por colocar o dedão num encarte preto de sacanagem. A marca nunca mais saiu.

Como todo colecionador, tenho certeza de que ainda falta alguma coisa, algum item que você procura e ainda não encontrou. Que item é esse?

Na verdade tenho contatos para arrumar quase tudo com certa facilidade. Não revelo as fontes para ninguém, mas uma coisa que tenho imensa vontade de ter e nunca encontrei é o “Tea” promo blood LP. Acredito que seja o item mais raro que exista.

Também tenho imensa vontade de ter (tenho o contato) o “Conspiracy” com a capa censurada, que seria lançada no lugar da que todos conhecem. Pela história que eu conheço (pode ser um pouco diferente) o King não gostou da capa e mandou queimar as que já haviam sido feitas. Sobraram apenas 300 no mundo. Pelo que me lembro isso foi na Alemanha, e existem só as capas sem os discos dentro. Vale uma fortuna...

Você tem alguma dica para quem está começando uma coleção, onde encontrar material, estas coisas?

Ah, isso eu não revelo a ninguém. Acredito no ditado “quem procura acha”. Mas tem uma comunidade que criei para colecionadores que pode ajudar um pouco.

O que você tem ouvido ultimamente, e o que destacaria para os leitores do Whiplash!?

Tenho ouvida as bandas que todos escutam, nada novo. Helloween, Blind Guardian, Iron Maiden, Grave Digger, Iced Earth, Bathory, Venom, Cradle Of Filth, essas coisas todas. Gosto de um pouco de tudo dentro do metal, menos death metal (é demais para os meus ouvidos). Tenho começado a escutar um pouco de black metal, nada de modinha ou postura, simplesmente escuto a música na minha. Algo novo? Ragnarok, essa banda de black é muito boa. Mas de coisas mais recentes destacaria o Indeathrow, grande promessa do metal mundial, vocês ainda vão escutar muito dessa banda, e também o Suhd.

Todo colecionador tem as suas listinhas. É uma curiosidade minha, mas tenho certeza de que você já fez esta lista mentalmente várias vezes: quais seriam, para você, os dez melhores álbuns de todos os tempos?

Realmente quanto estou com os meus amigos falando de música sempre aparecem perguntas sobre o melhor baterista, guitarrista, melhor álbum e outras, então é mole responder:

1 – Mercyful Fate – Melissa
2 – Mercyful Fate – Don´t Break The Oath
3 – King Diamond – Abigail
4 – King Diamond – The Puppet Master
5 – Iron Maiden – The Number Of The Beast
6 – Yngwie Malmsteen – The Seventh Sign
7 – Helloween – The Time Of The Oath
8 – Iced Earth – Alive In Athens
9 – Blind Guardian – Imaginations From The Other Side
10 – Grave Digger – Excalibur

Para fechar, tem alguma história interessante ou estranha que esta sua paixão pela obra do Mercyful Fate e de King Diamond já fez você passar?

Têm várias!!! Uma delas foi uma vez em que encontrei um item bem raro que estava à venda e eu não tinha absolutamente um real no bolso, então vendi minha bicicleta com amortecedor (que é cara) e a do meu pai também sem ele saber, as duas por R$80,00, preço de banana. Depois de uns dias precisei dela e me dei mal, tive que andar a pé. Mas foi um bom investimento apesar de ter tomado um grande prejuízo nesta história toda.

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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

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