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Axl Rose: Afinal de contas, o que houve com sua voz?

Por Danilo F. Nascimento
Postado em 03 de abril de 2014

Este texto têm como intuito, desmistificar algo que aflige muitos fãs de Guns N´ Roses. Afinal de contas, o que teria acontecido com a voz do vocalista Axl Rose?

Embora o Axl possua um bom timbre (2º barítono), pode-se afirmar que na maior parte do tempo ele cantava fora de sua tessitura vocal, muitas vezes acompanhado da utilização de uma técnica vocal muito perigosa para quem não têm total domínio dela, o drive. Talvez, o maior erro de sua carreira foi ter utilizado drive em excesso, sem estudar previamente a técnica.

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Muitos professores de canto se recusam a ensinar drive, pois a probabilidade do aluno fazer incorretamente é muito grande. A verdade é que, naturalmente, quem canta, tende a utilizar o drive por meio da garganta, quando na verdade o mesmo deve ser procedido por meio do palato mole - cantar com o drive por meio da garganta é suicídio - mas é muito difícil fazê-lo corretamente, é difícil realizar a técnica por meio do palato mole, tanto é que boa parte dos cantores que usaram drive prejudicaram a voz a longo prazo.

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É possível citar pouquíssimos cantores de rock que tenham domínio total desta técnica, cantores como Ronnie James Dio, por exemplo, a dominavam com maestria.

A princípio, treina-se o drive através do exercício fonoaudiólogo denominado fry, que além de corrigir a postura da prega vocal, permite que o praticante, aos poucos, consiga trazer o drive para o palato mole, tirando-o da garganta e evitando danos futuros ás cordas vocais. Além do fry, existem outros exercícios importantes para quem quer aprender a cantar com drive de forma sustentável. Basta procurar um professor de canto competente e ele desmistificará a técnica para o aluno.

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O fato é que, ao usufruir do drive sem prévio estudo da técnica, o Axl danificou severamente suas cordas vocais. Inclusive, nos shows de 1993, já podíamos ver o Axl com uma voz mais fragilizada do que nos anos anteriores.

O drive ocasionou nódulos (calos) nas cordas vocais do Axl. Possivelmente, este foi o motivo principal para o Axl ficar tantos anos sem cantar ao vivo, entre 1994 e 2001.

Entre 1997 e 1999, ele gravou a maioria dos vocais do disco ao vivo Live Era em estúdio e já era perceptível a mudança em sua voz, mas ainda era reconhecível e o drive ainda estava lá, mais dosado, é verdade, mas estava lá.

Em 2000 ele tocou Dead Flowers com o Gilby Clarke e sua voz ainda era reconhecível, ele ainda estava usufruindo do drive.

Enfim, após esta apresentação com o Gilby, o Axl resolveu submeter-se a uma cirurgia para a retirada destes nódulos. Este tipo de cirurgia têm como característica reparar os calos das cordas vocais e deixar a voz mais limpa, sendo que o rasp (estridência, rouquidão) da voz é dissipado sumariamente.

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Exatamente por isto que em 2001, apenas um ano depois de cantar com o Gilby, e após o famigerado procedimento cirúrgico, o Axl apresentou-se no House Of Blues e no Rock In Rio, assim como em toda turnê de 2002, cantando com uma voz mais limpa, tendo sido proibido pelos médicos de utilizar drive, caso contrário poderia contrair danos irreparáveis para a sua voz.

Como não contava mais com a potência que o drive lhe proporcionava, o Axl se viu obrigado a aprimorar outros recursos, como a sua voz de cabeça, que nunca fora tão consistente quanto sua voz de peito, além disto, aprimorou também a utilização do belting.

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Tecnicamente, o Axl havia melhorado, mas o drive fazia e faz muita falta para várias músicas do Guns, já que o Axl habitou os fãs do Guns N´ Roses a ouvi-lo cantar com ele.

Quem acompanhou aquela época de perto, lembra que o Axl foi bombardeado pela crítica pela nova forma de cantar, e talvez, este tenha sido o principal motivo para o cancelamento da turnê de 2002.

Cansado das críticas em relação a sua voz na turnê 2001/2002, em 2004, ele fez outra cirurgia, desta vez para dar maior profundidade a sua voz, após este procedimento, seus agudos ficaram um pouco mais profundos e graves, dando a falsa impressão de que sua voz teria teria recuperado a estridência de anos anteriores.

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Contrariando recomendações médicas, o Axl voltou a utilizar drive em 2006, mas a sua voz não externava mais uma estridência natural como no passado. Por muitas vezes, ele soava rouco, forçado, superficial e sem o alcance de outrora.

Muita gente define se o Axl cantou bem ou não pelo fato de ele ter utilizado drive ou não, mas cantar não é só utilizar drive. Vários fatores têm de ser analisados, extensão, projeção, profundidade, vibratos, voz de cabeça, voz de peito, belting, etc.

Voltando a utilizar drive, notava-se claramente que ele sofria nos shows, via-se suas veias da garganta saltarem e temia-se pela sua saúde, embora adorássemos a sonoridade que sua voz estava produzindo, voltando a lembrar, vagamente é verdade, o passado. Mas não era saudável, o Axl nunca cantou de maneira sustentável.

Em 2010, muita gente define que ele cantou bem porque ele passou a abusar do drive, utilizando-o em todas as músicas, mas repito, cantar não é só drive. Mesmo com o drive, o Axl encontrava-se desafinado, inclusive, mais desafinado do que em 2002, época que ele não utilizava drive, mas mantinha-se afinado em boa parte do tempo, como pode ser conferido em canções como The Blues e Madagascar.

Mas verdade seja dita, mesmo não sendo saudável para ele, era espetacular para os fãs, ouvir a voz que ecoava do Axl em 2010, porque, talvez tenha sido o ano em que sua voz mais se aproximou dos tempos áureos. O que não significa que ela estava muito boa como definem. É importante ressaltar que, mesmo nos tempos áureos, a voz do Axl nunca foi caracterizada pela técnica, e sim pela potência que o drive lhe proporcionava, era o feeling do Axl que conquistava os fãs.

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Sim, é fato que muitas músicas do Guns ficam, digamos, diferentes e estranhas sem drive. Mas isto ocorre pois o Axl habituou os fãs a isto, ele não pensou à longo prazo.

Ele se esforçou muito em 2010 pra manter-se a turnê inteira utilizando o drive, mas como dito anteriormente, não cantava de forma sustentável, e era perceptível que utilizava o drive por meio da garganta e não do palato mole, o que prova que talvez ele não tenha encontrado um professor que tivesse coragem de ensinar-lhe o drive corretamente após suas intervenções cirúrgicas, pelas quais ele foi submetido.

Há indícios também de que, além de nódulos nas cordas vocais, ao longo de sua carreira, o Axl tenha tido também refluxo refluxo laringofaríngeo, mesmo problema que acometeu inúmeros vocalistas, como o Edu Falaschi, por exemplo.

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É possível que com todo esforço feito entre 2006 e 2010, o Axl tenha adquirido novos nódulos em suas cordas vocais, e que em virtude disto, ele tenha diminuído drasticamente a utilização do drive desde 2011, tendo o seu ápice em 2014, onde sua voz encontra-se limpa na maior parte do tempo durante os shows.

Mas diferentemente de 2002, hoje o Axl não têm mais o fôlego que tinha naquela época, portanto, não consegue dar apoio e sustentação às notas, como conseguia em 2002, por isto, hoje, sua voz soa pior do que em 2002, ele soa esbaforido e sem apoio.

Como consequência disto, a tendência é que os set list dos próximos anos tragam apenas músicas que são de sua tessitura original, ou seja, músicas que dê pra ele cantar somente com voz de peito, músicas como You Ain´t The First, Mr Bronwstone, Bad Obssession, Knockin´ On Heavens Door, Don´t Cry, Doule Talkin Jive, Down On The Farm, It´s So Easy, So Fine, etc.

Em estúdio, é possível que ele siga se esforçando, por meio do drive, para apresentar um resultados que lembrem seus tempos áureos nos próximos discos, mas mesmo no Chinese Democracy, é perceptível que ele reduziu drasticamente o uso do drive. Na mesma proporção em que sua voz soa mais técnica, ela já não soa tão potente quanto antigamente.

O próprio Axl reconheceu em uma entrevista ao That Metal Show, que exagerou na gravação de algumas músicas em estúdio, como You Could Be Mine, por exemplo. Ele disse ter pensado: "E agora? Como farei para cantar isto ao vivo sem danificar minha voz?". Ele não pensou à longo prazo, mas em um contexto geral valeu a pena, pois a sua voz sob efeito do drive, mesmo sem a técnica necessária para usá-lo, deu cara à canções espetaculares.

Mas, eis a pergunta que não quer calar: O que o Axl poderia fazer para voltar a apresentar resultados satisfatórios nos palcos?

Bem, primeiramente, ele poderia emagrecer, o que lhe daria mais fôlego para as apresentações ao vivo. Perder peso significaria mais fôlego, ou seja, ele conseguiria melhorar sua performance ao vivo, o que ajudaria para que ele pudesse manter um bom apoio nos momentos em que precisasse alcançar notas mais altas.

Em segundo lugar, ele poderia estudar a fundo a técnica drive com algum professor especialista, e utilizá-la de forma correta e sustentável. Precisaria encontrar um equilíbrio entre todas as técnicas vocais, um equilíbrio entre voz de cabeça, voz de peito e drive, para não compromete seu futuro. Não precisa cantar com ou sem drive o tempo inteiro, ele precisa encontrar um equilíbrio.

Em terceiro lugar, ele poderia submeter-se ao procedimento cirúrgico denominado Voicelift, que é um procedimento responsável pelo rejuvenescimento das cordas vocais. Cantores como Steven Tyler e David Coverdale já se submeteram a este procedimento há alguns anos.

Então, se você é vocalista de rock ou pretende ser, e tem o intuito de cantar sob efeito do drive, estude profundamente a técnica, cuide bem da sua voz, evite o clichê de beber e fumar, seja disciplinado e mantenha-se sempre atualizado sobre anatomia humana, principalmente no que tange aos músculos das cordas vocais.


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Sobre Danilo F. Nascimento

Administrador por casualidade. Músico por instinto. Escritor por devaneio. Fascinado por música, literatura e cinema. Seu primeiro contato com o mundo do rock data de meados dos anos 90, uma época de transição entre o analógico e o digital, e, principalmente, uma época onde a MTV ainda era aprazível e relevante. Idolatra e cultua o legado instituído pela maior banda de todos os tempos, o Queen.
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