A opinião de Raul Seixas sobre o Led Zeppelin e a cena do rock brasileiro nos anos 1980
Por Gustavo Maiato
Postado em 20 de agosto de 2024
Em uma entrevista para a revista Bizz em 1988, Raul Seixas, um dos maiores ícones do rock brasileiro, deu sua opinião sobre o estado do rock na época e fez comentários sobre uma das maiores bandas de rock do mundo, o Led Zeppelin.
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Raul não poupou críticas ao cenário do rock no Brasil dos anos 1980. Para ele, o verdadeiro rock'n'roll morreu em 1959, junto com a era de ouro que, segundo ele, contava com um comportamento e um momento histórico únicos, representados por figuras como James Dean. A visão de Raul é que o rock, como um movimento cultural e de contracultura, perdeu sua essência com a entrada da década de 1960, quando a indústria fonográfica começou a ditar as regras e novas sonoridades surgiram.
Apesar de seu pessimismo em relação ao rock contemporâneo, Raul Seixas reconheceu o valor do Led Zeppelin. Ele considerava a banda britânica uma das poucas que ainda tinham algo a dizer dentro do que ele via como a decadência do movimento original.
"Do Led Zeppelin, por exemplo, eu gosto. É uma abertura para se dizer algumas coisas", afirmou Raul, reconhecendo que a banda liderada por Robert Plant e Jimmy Page conseguia trazer algo de novo e significativo em suas composições.
Por outro lado, quando se tratava da cena brasileira, Raul foi mais crítico. Ele comparou a música feita no país naquela época com a era do rock "papai e mamãe" dos anos 1950, representada por artistas como Celly e Tony Campello. No entanto, ele destacou Kid Vinil como uma exceção, reconhecendo o esforço do artista em resgatar o rock clássico, mesmo que, na visão de Raul, o movimento já tivesse perdido sua força original.
"Dizem que se faz rock por aí. Para mim, ele morreu em 1959. O rock era um comportamento, James Dean, todo um momento histórico. Aí veio o caos, quando as indústrias não podiam mais parar de fabricar discos. Quando entrou a década de 1960, inventaram outras coisas. O movimento já tinha passado. Do Led Zeppelin, por exemplo, eu gosto. É uma abertura para se dizer algumas coisas. O pior é que no Brasil não se está dizendo nada. Acho que voltamos áquela época de Celly e Tony Campello, em que se fazia rock 'papai e mamãe', mas tem o Kid Vinil querendo fazer um rock mais antigo. Ele entende muito de rock".
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