Youtuber alega que guitarrista japonês viral dubla execuções e seria "uma farsa"
Por Gustavo Maiato
Postado em 14 de fevereiro de 2026
Um vídeo publicado pelo canal de Vitor Pavan reacendeu uma discussão delicada no universo da guitarra: até que ponto os vídeos virais das redes sociais representam o que o músico realmente toca? No conteúdo, que já ultrapassou 94 mil visualizações, o youtuber reage a uma investigação do canal Jacobra Records, que acusa o guitarrista japonês Ichika Nito de utilizar áudios pré-gravados em seus vídeos - ou seja, de dublar as próprias execuções.

Logo no início, Pavan apresenta o contexto: "Tem um cara que soltou um vídeo esses dias afirmando que o Ichika Nito é uma farsa e que tudo que ele toca é pré-gravado e que ao vivo ele manda bem mal." A comparação é feita com um caso recente envolvendo outro músico acusado de playback, mas o foco passa a ser exclusivamente o guitarrista japonês, que se tornou conhecido mundialmente por sua técnica refinada, timbre cristalino e composições minimalistas cheias de tapping e acordes complexos.
O vídeo-base do Jacobra Records, citado por Pavan, tem cerca de 40 minutos de duração e detalha supostas inconsistências entre imagem e som. Para demonstrar como seria possível enganar o público, o próprio autor do canal grava um trecho musical em partes, faz cortes (o chamado punch in) e monta um vídeo simulando execução ao vivo. Depois revela: "Esse é o áudio real", mostrando como pequenos trechos foram gravados separadamente e editados para parecerem contínuos.
Segundo Pavan, o argumento central é que Ichika faria algo semelhante. Em um dos trechos analisados, o crítico afirma: "Aqui era para ele ter dado um golpe mais forte nas cordas, mas o som que a gente ouve não condiz com o movimento da mão." Em outro momento, aponta: "Ele solta a pestana e o áudio continua por mais um segundo."
Há também um exemplo envolvendo o uso do 22º traste da guitarra. O vídeo sugere que o músico "bate acima do 22º traste, numa casa inexistente", mas o áudio permanece perfeitamente afinado e consistente. Para o canal acusador, isso seria um indício claro de dublagem.
Após analisar os vídeos de estúdio, Pavan apresenta registros ao vivo do guitarrista. A diferença de timbre e precisão é destacada como ponto central. "O som que ele tira com a mão não condiz em nada com o que a gente vê nos vídeos, aquele som limpo, perfeito", comenta.
Ele pondera que tocar ao vivo é naturalmente mais difícil, mas reforça: "Um cara que entrega esse nível na internet tem que entregar ao vivo pelo menos uns 80% do que ele entrega nos vídeos." Em determinado trecho, observa: "Tem muita nota ruim, fora do tempo, mal executada."
O vídeo termina ampliando a discussão para além do caso específico. Pavan afirma: "A gente tá numa fase que você não pode mais confiar em nada que você vê na rede social." Ele cita o uso crescente de edição pesada, inteligência artificial e produção minuciosa como fatores que podem "enlatar a arte e tirar a alma".
Ainda assim, faz uma distinção importante: "Não tem nada de errado em você curtir ouvir esse tipo de som. Se te agrada, é justo que você dê o play." O problema, segundo ele, estaria quando "um artista se propõe a fazer algo que ele não consegue de fato fazer na frente das pessoas".
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