AC/DC - um show para os fãs que nunca tiveram chance
Resenha - AC/DC (Estádio do Morumbi, São Paulo, 23/02/2026)
Por Diego Camara
Postado em 27 de fevereiro de 2026
Numa terça-feira - um dia péssimo para se estar fora de casa - mais de 60000 mil pessoas esgotaram os ingressos no Estádio do Morumbis para verem um dos maiores espetáculos da Terra, se livrando do risco de chuva, da dificuldade de chegar ao local e dos desafios comuns em uma data não ideal para o show. Confira abaixo os principais destaques da apresentação, com as imagens de Fernando Yokota.
A chegada ao Estádio do Morumbi é sempre uma grande complicação: tudo no Morumbi é difícil, seja a saída do metrô, seja chegar ao estádio, seja usar os locais em volta para passar o tempo. A entrada é sempre complicada, e não há organização que diminua a dor de cabeça dos fãs e a necessidade de se melhorar a estrutura do local como um todo por meio de reformas estruturais.

A banda responsável pela abertura foi o The Pretty Reckless, liderada pela vocalista e atriz Taylor Momsen, que voltou ao Brasil após quase 10 anos do seu último show, realizado em 2017. Para um público ainda bem longe da lotação máxima, a banda subiu ao palco no horário marcado com os aplausos do público.

A qualidade do palco do Morumbi era ótima, em especial o som que atingiu todo o estádio com muita qualidade. Se a acústica é inferior ao Allianz Parque - dado especialmente o escape do som - houve uma compensação de som que funcionou muito bem. O público curtiu muito o início do show, batendo cabeça e aplaudindo demais a performance de Momsen, que tem uma voz e estilo muito marcantes de palco.

Muito do público se rendeu a performance excêntrica de Momsen, que pareceu muito contente e demonstrou, mais de uma vez, alegria de estar abrindo para uma banda do tamanho do AC/DC, sendo também fã como todos os presentes na plateia. A grande novidade do show foi a estreia ao vivo de "For I am Death", primeiro single do novo disco da banda que será lançado este ano.

Pretty Reckless setlist:
Death by Rock and Roll
Since You're Gone
Follow Me Down
Only Love Can Save Me Now
For I Am Death
Witches Burn
Make Me Wanna Die
Going to Hell
Heaven Knows
Take Me Down
A saída da banda do palco e a desmontagem foi muito rápida, e a organização está de parabéns por entregar uma troca tão efetiva. Pouco antes das 21h já começou o vídeo de abertura da banda, que subiu ao palco no horário certinho tocando "If You Want Blood". A recepção do público foi calorosa, e todo mundo cantou com muita vontade, doidos pelo AC/DC.

O palco continuou em alto nível, apesar de que a altura estava muito baixa. Mesmo na Pista A era difícil ver a totalidade do palco, e quando as pessoas erguiam as mãos - e os celulares - ficava impossível ver qualquer coisa. O telão resolveu na maioria do tempo, quase sempre focado em um lado em Angus Young e no outro em Brian Johnson, os dois mais performáticos.
Angus está surpreendentemente muito bem. Parece lúcido durante todo o show, ele olha para o público, faz sua performance como um jovem, e a guitarra soa excelente durante todo o show - os seus solos são impressionantes e muito nítidos. Johnson, por outro lado, sofreu bastante, a voz realmente não está mais boa e o resultado foi ela enfraquecendo durante o show. Não faltou vontade e entrega, mas realmente chega num momento que a técnica parece já esvair do frontman.

O público entregou muito no show. Logo em seguida, já sacaram "Back in Black", um dos seus grandes sucessos, e os fãs cantaram muito o tempo inteiro. Os fãs puxaram o refrão de todas as músicas, pulando e festejando como se fosse um belo dia de final de semana.

Se a guitarra não soou tão bem na abertura de "Thunderstruck" - parecia faltar fôlego na repetição dos acordes - mas não faltou vontade pro público, que cantou muito e bateu cabeça ao som da banda. "Hells Bells" foi outro destaque do show, com o público ficando maravilhado com o sino que desceu no centro do palco. Os fãs mais ávidos se juntaram e começaram mosh pits aqui e ali nas pistas.

"Highway to Hell" foi uma das melhores da noite. Antes da música começar os fãs já estavam doidos e cantando a plenos pulmões. Como também foi assim com "You Shook Me All Night Long". O setlist foi cercado também de músicas com menor apelo do público, que se tornaram momentos de gangorra com os fãs, que se animaram muito mais com os grandes sucessos, deixando as outras músicas mais de lado.

No bis, a banda voltou com dois grandes sucessos. "T.N.T." caiu como uma bomba no público, seguida por "For Those About to Rock", que fechou o show com excelência - apesar de parecer uma música mais para o início da apresentação. A performance da banda fez muitas pessoas esquecerem a morte que seria deixar o Estádio do Morumbis para se dirigir ao metrô para irem para casa.

No final, o AC/DC é aquele show reservado para os verdadeiros fãs da banda, em uma grande maioria que nunca tiveram a chance de ouvir uma apresentação da banda em terras brasileiras. Para quem não faz questão, ou não tem real interesse no artista, poderiam usar o dinheiro do espetáculo para coisas mais úteis, pois foi um show extremamente custoso para qualquer ouvinte casual.

AC/DC setlist:
If You Want Blood (You've Got It)
Back in Black
Demon Fire
Shot Down in Flames
Thunderstruck
Have a Drink on Me
Hells Bells
Shot in the Dark
Stiff Upper Lip
Highway to Hell
Shoot to Thrill
Sin City
Jailbreak
Dirty Deeds Done Dirt Cheap
High Voltage
Riff Raff
You Shook Me All Night Long
Whole Lotta Rosie
Let There Be Rock
Bis
T.N.T.
For Those About to Rock (We Salute You)







































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