O clássico do Metallica que James Hetfield considera "fraco": "Um enorme sinal de fraqueza"
Por Gustavo Maiato
Postado em 28 de fevereiro de 2026
Ao longo de mais de quatro décadas, o Metallica construiu uma reputação baseada em peso e agressividade. Desde os tempos de Kill 'Em All até a consolidação mundial com o chamado Black Album, a banda raramente foi associada à palavra "fraqueza". Ainda assim, houve uma música que o próprio James Hetfield quase vetou por considerá-la vulnerável demais.
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Durante o processo de composição do álbum homônimo de 1991 - conhecido como The Black Album - o grupo já vivia uma transição. Com produção de Bob Rock, o som ganhou acabamento mais polido e acessível, o que desagradou parte dos fãs mais radicais. Mesmo assim, faixas como "Sad But True" e "The God That Failed" mantinham o peso característico.
O ponto de ruptura veio com "Nothing Else Matters". Diferente das baladas anteriores como "Fade to Black" ou trechos mais melódicos de "One", a nova música era assumidamente introspectiva. A canção nasceu como algo pessoal de Hetfield, inicialmente pensada sem intenção de entrar no repertório da banda.
O vocalista revelou que resistiu à ideia por considerá-la sentimental demais para o padrão do Metallica. "O que havia em não querer escrever uma canção de amor? É bem simples. É um enorme sinal de fraqueza. Você está no Metallica. Isso é hardcore. Que diabos você está fazendo?", declarou em fala resgatada pela Far Out. A autocrítica era clara: demonstrar sentimentos abertamente não combinava com a imagem que ele cultivava.
Ainda assim, Hetfield explicou que a música tinha um significado específico. "Mas aquela música era para mim. É sobre estar na estrada e sentir falta de alguém em casa. Só que foi escrita de uma forma que acabou conectando com muita gente." O receio de parecer "fraco" acabou dando lugar a uma das composições mais universais do grupo.
Lançada como single, "Nothing Else Matters" se tornou um dos maiores sucessos comerciais da banda e ajudou a expandir seu público muito além do circuito tradicional do metal. Para alguns fãs antigos, foi um símbolo de "amaciamento" do som; para outros, prova de maturidade artística.
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