O fenômeno do rock nacional dos anos 1970 que cometeu erros nos anos 1980
Por Gustavo Maiato
Postado em 24 de dezembro de 2025
Em vídeo publicado em seu canal, o jornalista Sérgio Martins revisita a trajetória da Cor do Som, apontando a banda como um dos projetos mais sofisticados e talentosos da música brasileira nos anos 1970 - e também como um exemplo de como escolhas equivocadas nos anos 1980 podem comprometer uma identidade artística sólida.

Martins relembra seu primeiro contato com o grupo ainda em 1978, ao vê-los no Fantástico, abrindo shows do Liverpool Express. "Quem estava roubando aquelas apresentações era uma banda chamada A Cor do Som", recorda, destacando o impacto imediato da guitarra baiana de Armandinho. "Eu fiquei encantado com aquilo a ponto de comprar o primeiro disco deles."
Segundo o jornalista, a força da Cor do Som estava justamente na combinação rara de virtuosismo e brasilidade. "Para mim, é uma das combinações de talento mais impressionantes que eu vi como fã de música e como jornalista", afirma. A banda, que nasceu como um projeto instrumental ligado aos Novos Baianos, construiu uma sonoridade que misturava rock, música popular brasileira, jazz, ritmos regionais e elementos afro-brasileiros, sem abrir mão de complexidade musical.
Álbuns como "A Cor do Som, Ao Vivo", "Frutificar" e "Transe Total" são citados como momentos de altíssimo nível criativo. Sobre "Frutificar", Martins é categórico: "Para mim, é uma das melhores obras do pop brasileiro em todos os tempos", destacando tanto as faixas cantadas quanto as instrumentais, que mantinham a essência progressiva e experimental do grupo.
O problema, segundo ele, começa nos anos 1980, quando a banda passa a se afastar de sua identidade original. Martins relembra conversas com integrantes como Mu Carvalho e Dadi, nas quais eles próprios reconhecem o erro: "O grande erro da Cor do Som foi abandonar a sua sonoridade característica para tentar imitar o rock brasileiro dos anos 80". Para o jornalista, tratava-se de uma cena com "outra raiz, outra ideia e outra filosofia musical", incompatível com a proposta que havia consagrado o grupo.
Essa tentativa de adequação ao mercado, somada à saída de Armandinho e a projetos considerados estranhos até pelos próprios músicos, marcou um período difícil. Ainda assim, Sérgio Martins faz questão de relativizar os tropeços. "Para mim, é uma das maiores bandas de rock no Brasil em todos os tempos", afirma, definindo a Cor do Som como "uma fonte inesgotável de grandes ideias, grandes canções e com um instrumental acima da média".
No fim, o vídeo funciona menos como um julgamento e mais como um resgate histórico: a história de uma banda que brilhou intensamente nos anos 1970, influenciou gerações e mostrou que o rock brasileiro podia ser sofisticado, ousado e profundamente conectado à sua própria cultura - mesmo que nem todas as escolhas feitas depois tenham estado à altura desse legado.
Confira o vídeo completo abaixo.
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