O álbum da fase clássica do Genesis que Phil Collins disse que só tinha uma música boa
Por Bruce William
Postado em 27 de dezembro de 2025
A fase em que o Genesis virou trio costuma ser lembrada por dois caminhos diferentes: de um lado, o começo de uma transição que mudaria o som da banda; do outro, o peso de reorganizar tudo depois de mais uma saída importante. E, pelo que o próprio Phil Collins contou, esse período, embora considerado como sendo parte da fase clássica da banda, não foi exatamente "leve" para ele.
Collins nunca pintou a história como se tivesse assumido o comando por vontade própria. Depois das mudanças na formação, o núcleo que ficou de pé passou a ser Tony Banks, Mike Rutherford e ele - e a engrenagem tinha que continuar girando, mesmo com o ambiente interno ainda em ajuste.

É nesse contexto que entra "…And Then There Were Three…", gravado e lançado em 1978, já sem Steve Hackett. Em entrevista para Mario Giammetti, no livro Genesis: 1975 to 2021 - The Phil Collins Years, Collins não titubeia: "Este é provavelmente o disco que menos gosto, mas talvez seja porque não foi um período lá muito feliz da minha vida. Contribuí só com pequenos trechos, mas as músicas eram meio curtas, meio inconsequentes. Tirando 'Follow You Follow Me', que achei ótima."
A fala dele fica ainda mais interessante quando ele tenta explicar o que estava acontecendo com a própria escrita. Collins lembra que chegou a rascunhar letras para algumas ideias, mas diz que ainda não era o tipo de coisa que ele faria alguns anos depois. "Me lembro de ter escrito algumas letras para diferentes coisas, mas certamente não eram do tipo de letras que eu escreveria alguns anos depois [no próximo álbum do Genesis, Duke], que eram muito mais pessoais."
Ele também admite que parte do material ainda vinha daquela tradição mais "fantasiosa" associada ao Genesis de outros tempos, enquanto ele, pessoalmente, tinha outra tendência como letrista. "Suponho que haja algumas letras ali que eu possa ter escrito com base em experiências pessoais. Mas eu ainda estava escrevendo algumas coisas fantasiosas, com base na história do Genesis. Em contraste com o que eu me tornaria. Eu sempre fui mais direto, enquanto o Genesis sempre foi mais contador de histórias."
O curioso é que, mesmo dizendo que não gosta do álbum, Collins destaca uma música como exceção clara: "Follow You Follow Me". E, em outro momento, ao relembrar a importância desse single para a banda, ele descreve como a canção ajudou a aumentar o alcance do Genesis, passo a passo, inclusive no tipo de público que aparecia nos shows. "Foi só mais um degrau da escada, sabe, que fez de nós uma banda maior do que éramos antes. Tocar para mais gente, receber mais interesse, tocar mais nas rádios... De repente, até começaram a aparecer algumas garotas na plateia."
E ele fecha essa lembrança com um detalhe que diz muito sobre validação "fora da bolha": o comentário de Chester Thompson sobre músicos do Weather Report ouvindo a faixa no ônibus da banda, e a sensação de que aquilo era um sinal de que o Genesis tinha acertado a mão em alguma coisa. "Quando Chester Thompson entrou na banda ao vivo como baterista, ele disse que no ônibus do Weather Report eles costumavam sempre tocar essa música ['Follow You Follow Me']. Eu pensei: 'Que legal! Caramba, se o Weather Report curtiu, é sinal de que fizemos algo de bom. Se Wayne Shorter e Josef Zawinul costumam ouvir isso e dizer: 'Essa coisa inglesa é legal', senti que tínhamos feito algo certo.'"
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