Listinha difícil... Principalmente quando a paixão pelo Heavy Metal me leva constantemente a estar sempre procurando por novas bandas, destas mais desconhecidas. E são tantas feras que estão escondidas por aí, esperando uma oportunidade...
Quando comecei minha discoteca, no comecinho dos anos 80, eu morava em Rio Claro, interior paulista, e era muito difícil para alguém com 12 anos conseguir discos mais underground, só apareciam os clássicos do NWOBHM e hard rock (cuja imensa maioria era descartável) nas lojas da cidade. Somente morando na capital paulista é que realmente pirei na Galeria do Rock, e a partir daí minha coleção realmente começou a se diversificar. Hoje, morando em Florianópolis, conto com um acervo relativamente respeitável, indo do Hard Rock dos anos 70 até o Black Metal contemporâneo. E sem esquecer algumas demos incríveis, como as feras do Ynis Vitrin, Cruscifire e Doomsday Ceremony, três bandas nacionais dignas de respeito e que estão na luta.

Este foi meu marco zero, as primeiras músicas pesadas que escutei são deste registro, numa fita cassete de um colega da escola. Não sabia nem o que era um contrabaixo, não sabia os nomes dos músicos (achava que o "cara da estrela" era uma mulher, vê se pode!). Mas o peso me fascinou, com a bateria bem à frente. Sem falar no visual da banda.

Este sim! Foi o primeiro disco que comprei, em vinil ainda, que distorção! Melodias carismáticas, uma bela mescla de Rock´n´Roll e Heavy Metal. E sangue para qualquer adolescente não reclamar... Compro até hoje seus álbuns, mesmo chegando à conclusão, durante a apresentação do W.A.S.P. em Curitiba, de que Blackie Lawless é realmente um bundão egocêntrico.

Nesta época estava em meu primeiro emprego, como ilustrador numa gráfica e, como todo “adolescente fodão”, só escutava metal. Até que um colega chamado Hugo começou a me mostrar outras coisas, bandas darks e punk inglês. The Jesus And Mary Chain foi um dos poucos que realmente me atraiu. "Darklands", com toda sua melancolia mesclada a alguma distorção foi o que abriu meus olhos para outros estilos.

Quase todos meus amigos curtiam punk, em especial o nacional. Eu curtia somente o paulistano Inocentes, e era motivo de piada para os outros caras. Daí conheci “London Calling”, dos ingleses The Clash e gostei mesmo. Levei prá galera punk conhecer e todos detestaram! Falavam "isso não é punk!". Sei lá, prá mim também não parecia o punk que eles escutavam, mas é um puta disco legal, e curto até hoje.

Nesta época estava morando em São Paulo, e foi o último disco que comprei antes de voltar para Rio Claro. Quando ouvi, não acreditei! “O que é isso?! Que peso!!!” Chamei um amigo e ficamos escutando este disco e tomando cerveja a tarde toda e, quando meu pai chegou em casa, ficou puto, pois era sexta-feira, havíamos acabado com toda a bebida e parecíamos dois gambás. Ele nos deu grana para ir comprar mais cerveja para ELE beber. Bom, resumindo: estávamos tão torrados que pegamos a grana, compramos as cervas, bebemos pela rua e só fui aparecer em casa no domingo pela manhã...

Agora, já morava em Florianópolis há anos, era marido e pai, e sempre acompanhando os novos lançamentos. Já conhecia bandas góticas, mas este "Beyond The Veil" me impressionou pela distorção (...sempre a distorção...) e a voz de Morten Veland. Virei fã no ato. Aliás, eu e minha filha Brenda viramos fãs! Foi com este disco que a menina começou a curtir rock´n´roll, seguindo empolgada até hoje.

Já tinha muita coisa dos anos 70. Lynyrd Skynyrd, T REX, Blackfoot, Free... Mas este Foghat é imbatível! É o disco ao vivo que mais escuto, guitarras para todos os lados e energia sobrando. Está sendo difícil completar sua discografia, mas chego lá. Aliás, fica difícil falar de Foghat e não mencionar os bigodes bregas destas figuras...

Até hoje considero uma das obras-primas do death metal melódico. Este pessoal estava inspiradíssimo - os teclados estão entre os mais bonitos que o Dark Tranquility já arranjou (escutem "The Same") - e a voz de Stanne é única. Um trabalho magnífico, repleto de sentimentos e moderno.

Com o "Tryarchy Of The Lost Lovers" percebi que, apesar do nome blasfemo, estes gregos também faziam ótimas melodias. Não estavam velozes como antes. Comprei toda sua discografia e “Kronos” é o mais bonito (sim, o black metal pode ser bonito), adoro a opressão que estas músicas transmitem. Foi a banda que me fez realmente curtir Black Metal, com certeza.

A banda finlandesa mais incrível, insana e criativa dos últimos tempos. Quem não conhece, não sabe o que está perdendo. São praticamente irrotuláveis com sua mescla de metal extremo, humppa (uma variação finlandesa do polka russo) e ainda o folk. Pesadíssimos, mas soam bem-humorados e são... São feios de doer, sujos e delirantes.
E a lista segue com alguns outros trabalhos que considero memoráveis (mas são tantos!):
Rainbow – Rising
Triumph – Allied Forces
Accept – Balls To The Wall
Black Sabbath – Headless Cross
The Throbs – The Language Of Thieves And Vagabonds
Lake Of Tears – A Crinsom Cosmos
Therion – Deggial
Killswitch Engage – Killswitch Engage
Sentenced – The Cold White Light
Sirenia - An Elixir for Existence
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Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".
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