Marcos A. M. Cruz: os álbuns que marcaram o redator do Whiplash.Net
Por Marcos A. M. Cruz
Postado em 17 de julho de 2006
Não costumo dar atenção a listas, acho uma bizarrice este lance de se eleger "o melhor álbum", "melhor canção da década tal" etc, afinal a subjetividade é o conceito que norteia tais escolhas, mas muitas vezes o pessoal que as elabora cisma em dizer que elas têm algum "preceito definitivo", como se houvesse de fato um "critério científico" que as embasasse!
Por isto, quando a galera do site saiu com a idéia que cada um elegesse os discos que mais lhe marcaram topei de cara, pois aqui a coisa é assumidamente pessoal, ninguém pretende com isto estabelecer "verdades absolutas", mas apenas demonstrar um pouco de seu "histórico roqueiro"...

Quando criança, tínhamos em casa um poderoso "três em um", onde eu ouvia coletâneas da K-Tel, "A Paz Mundial vol.??", "Excelsior A Máquina do Som" e outras. No meio destes discos, havia várias fitas K7 e uma delas continha parte do "Tommy" do THE WHO, que foi meu primeiro contato com o Rock, e que só fui conhecer na íntegra anos depois.
Mais tarde, em um de meus aniversários uma tia me prometeu um compacto, e fui com ela até uma loja, de onde saí com "I Never Cry"/ "Go To Hell" de ALICE COOPER, Infelizmente não o tenho mais, se perdeu no tempo, assim como outros compactos dos BEATLES que vieram em seguida.

Mas até então eu não era propriamente roqueiro, apesar de viver o tempo todo ouvindo música, tinha um radinho que vivia o tempo todo sintonizado na Rádio Mundial (RJ), até que um dia conheci dois artistas que mudariam minha vida: JANIS JOPLIN e JIMI HENDRIX.

Enquanto Jimi foi o responsável por me tornar roqueiro - relatei esta história aqui mesmo no Whiplash há alguns anos - Janis para mim está de certa forma acima de tudo, talvez pelo fato de lembrar de minha saudosa mãe, tudo que acho eu quero, se soltarem um disco com Janis arrotando e contando piada eu compro sem pestanejar!

Como era adolescente obviamente ainda não tinha me definido em vários aspectos (não tou falando do sexual, pô!), e como o chamado BRock estava em alta, curti bastante algumas daquelas bandas, e até hoje tenho muito carinho pelo primeiro LP do BARÃO VERMELHO, que eu assisti ao vivo no início da carreira, e embora não o ouça mais, vez por outra me pego cantando alguma canção do disco.

Mas memória afetiva é algo estranho mesmo... quem me conhece achará muito curioso eu mencionar THE CURE, já que não têm nada a ver comigo! E não têm mesmo, respeito mas não é minha praia, porém devido a "razões emocionais" não posso ouvir "Boys Don't Cry" e principalmente "In Between Days", duas canções que eu tinha em uma coletânea chamada "Standing On A Beach" e que até hoje me emocionam por recordar uma época muito legal de minha adolescência - agora mesmo estou com os olhos marejados...

Em seguida, veio minha fase "Rock Progressivo" e dá-lhe GENESIS, CAMEL, YES e outros; como terei de racionar a lista, colocarei apenas um ítem que é o MARAVILHOSO, MAGISTRAL, ESTUPENDO "Zarathustra", do MUSEO ROSENBACH, que ouvia repetidas vezes o lado A e a introdução da primeira faixa do lado B.
Pode parecer estranho eu ter saído diretamente do Progressivo, principalmente o Sinfônico (algo que hoje em dia raramente ouço) e passado para o som pesado, mas foi exatamente isto que aconteceu: na realidade, apesar de ter ido ao Rock In Rio em 1985 (do qual não me lembro praticamente de nada, a chapação era absurda!) eu tinha um certo preconceito em relação a Heavy Metal, foi necessário um amigo insistir para que eu abrisse os ouvidos e conhecesse melhor estes trabalhos, e com certeza o que mais me marcou nesta época foi o "Master Of Puppets" do METALLICA, que considero uma verdadeira obra-prima, a ponto de ter escrito uma resenha aqui para o Whiplash!
Daí não sei por qual motivo acabei "regredindo no tempo" e passei a me interessar somente por bandas do final dos anos sessenta/meados dos anos setenta, mas deixei de lado o Progressivo e fui buscar as chamadas "bandas pesadas" da época, começando pelos medalhões: BLACK SABBATH, LED ZEPPELIN e DEEP PURPLE, passando por GRAND FUNK, CACTUS, BUDGIE e outros, até que fui descobrindo trabalhos mais obscuros, difíceis de se achar e principalmente muito caros!

Um dos meus primeiros discos importados foi o "Mountains" do STEAMHAMMER, que comprei sem ouvir, mas como alguém havia colado um selo que diz "Importado - Hard Rock Alemão" trouxe sem pestanejar - sem contar que a banda é de fato britânica, só a prensagem do LP que é germânica (selo Metronome), e por sinal considero o som melhor que o tal CD "remasterizado" que também comprei anos mais tarde.

Outro LP que comprei pouco tempo depois que guardo à sete chaves até hoje é o "Argus" do WISHBONE ASH, edição inglesa capa dura (e dupla, ao contrário da prensagem brazuca), pelo qual paguei uma fortuna mas valeu à pena, a introdução de baixo em "Sometime World" até hoje me faz tocar air bass tresloucadamente, só não furei o disco porque gravava tudo em K7 para ouvir...

Tinha eu naqueles tempos a pretensão de ter tudo que achava legal, até que descobri que existia um outro mercado, o dos chamados bootlegs, pelo qual acabei me apaixonando, até hoje sou fissurado nos boots em LP, independente da qualidade sonora ou gráfica, e meu primeiro exemplar foi o "Mudslide" do LED ZEPPELIN, que traz uma gravação realizada no início de 1970 e foi o ponto de partida de meu interesse em material extra-oficial.
Na realidade, descobri algum tempo depois que ter tudo é absolutamente impossível, pois quando surgiu o CD começaram a aparecer bandas do qual nunca tinha ouvido falar, e dentre estas, uma que não posso deixar de mencionar é o BUFFALO, que escolhi como tema da primeira edição de minha coluna.

Até então eu era um sujeito totalmente bitolado, me recusava a ouvir qualquer coisa gravada após 1978, até que um dia um amigo de uma loja da Galeria do Rock de SP (Cactus) insistiu para que eu trouxesse o CD de uma banda nova chamada GOV'T MULE, chamado "Live At Roseland Ballroom", que abriu novos horizontes em minha vida, tal qual relatei quando faleceu o baixista Allen Woody.

Um outro trabalho recente que merece destaque absoluto é o "Procurado", do BANDO DO VELHO JACK, que embora não seja o meu preferido (sou mais o "Como Ser Feliz Ganhando Pouco"), por razões mais que óbvias se tornou marcante em minha vida, já que o comprei em um show em que conheci a banda e também a mulher que hoje é minha companheira!

Por sinal, destaque merece também o "Free Live", já que foi com a desculpa de "levar uma cópia" do disco que fui até a casa dela, e foi a partir daí que passamos a ficar juntos...
Na realidade, se fosse colocar na ponta do lápis todos discos que me marcaram a relação ficaria gigantesca, uma primeira prévia resultou em quase cinqüenta títulos! Tomara que no próximo ano o pessoal resolva ampliar a lista para pelo menos cem ítens, já que muita coisa que me marcou ficou de fora: CASA DAS MÁQUINAS, MUTANTES, MADE IN BRAZIL, KANSAS, RORY GALLAGHER/ TASTE, ROLLING STONES, ALLMAN BROTHERS, HUMBLE PIE, NAZARETH, MOUNTAIN, etc, etc, etc, etc...
Álbuns que Marcaram
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