Profissionalismo, está aí uma coisa que não se pode abrir mão, mas que demanda sérios cuidados. Nada mais comum na atualidade, principalmente no que diz respeito à imprensa, do que vermos esse “termo mágico” ser usado como justificativa para trabalhos frios, secos, e totalmente desprovidos do mínimo de sensibilidade e respeito aos limites de um ser humano.

Após a morte de Dimebag Darrell Abbott em 8 de dezembro de 2004, seu irmão e companheiro de banda, Vinnie Paul, tornou-se uma das personalidades mais procuradas de todo o meio musical, não só do Heavy Metal. Àquele momento, uma única frase dele já cairia bem à grade de programação de qualquer emissora, ou aos mapas de revistas, jornais, sites, inclusive os não especializados em artes e que sequer sabiam da existência de sua música. A questão não residia aí, mas sim no ponto do estúpido assassinato de Dimebag ser uma boa saída para que todos esse veículos arrecadassem mais, seja em dinheiro ou nos famosos índices de audiência, os “números do IBOPE”.
É inegável que a curiosidade atinge níveis altíssimos em episódios tão extremos e, conseqüentemente, algumas vezes, na febre de acharmos aquilo que o público procura, e/ou o que nós mesmos buscamos, tropeçamos em nossas próprias pernas. Isto posto, doses “mínimas” de controle, juízo, reflexão, e consideração, fazem muito bem nestes momentos.

Uma declaração aqui, outra ali, e de repente Vinnie estava efetivamente na imprensa, sendo entrevistado, conversando com repórteres, colunistas, etc. Obviamente ele sabia, assim como qualquer um de nós, que todas essas pautas abordariam não só seus novos lançamentos, como também o que havia ocorrido a ele, seu processo de recuperação até o regresso à cena, e os acontecimentos do fatídico 8 de dezembro de 2004.

Vinnie viajaria ao Canadá dias depois, e sua equipe logo nos notificou sobre isso, questionando inclusive se não queríamos que Mitch Lafon, nosso correspondente por lá, fosse ao encontro deles. Apesar de sabermos que isso diminuiria os custos do trabalho consideravelmente, e também que Mitch traria um material soberbo, prontamente respondemos: “NÃO!”.
A paixão por Pantera e Damageplan e a morte de Dimebag foram vivenciadas pelos brasileiros de uma maneira bem particular, e dificilmente conseguiríamos transmitir isso através de alguém que não houvesse sentido ou participado daquele movimento incrível que nos mobilizou após alguns absurdos televisivos que todos se lembram muito bem (aproveito a chance e agradeço a Maurício Ricardo do Charges.com.br pelo apoio dado na época).

Apesar de guardar lembranças muito positivas de Dimebag, e de se referir a ele com orgulho a todo o momento, as memórias da tragédia, a terrível “presença da falta”, e os assuntos relativos a 8 de dezembro apareciam com mais e mais freqüência. Chegamos a um ponto em que precisamos parar, e isso é retratado fielmente na revista. A paralisação com ambos os lados embargados nas vozes veio após a descrição de Vinnie de seus últimos momentos com o irmão. Reproduzimos abaixo o trecho final desta parte da entrevista:
”(...) Antes de entrar no palco, olhei para Dime, e ele se aquecia na guitarra. Andei na direção dele e disse: ‘Van Halen’, ao que ele respondeu: ‘Van-fucking-Halen’. Um minuto e meio depois, e eu nunca mais falaria com meu irmão de novo. Van Halen era o nosso código, pois os considerávamos a maior banda de todos os tempos no palco. Quando falávamos aquilo, sabíamos que era hora de detonar. Van Halen foi a última coisa que ouvi meu irmão dizer, e é inacreditável pensar isso.”

Dias depois chegava a nós um pacote do próprio Vinnie Paul, algo que realmente nos orgulha, e comprova que cumprimos nosso papel integralmente. Do começo, quando nos revoltamos e protestamos contra o sensacionalismo Global, reunimos músicos, e prestamos homenagens a Dimebag, ao fim, com a devida resposta aos Arnaldos Jabors do mundo, dada pelo próprio Vinnie.
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Thiago Sarkis: Colaborador do Whiplash!, iniciou sua trajetória no Rock ainda novo, convivendo com a explosão da cena nacional. Partiu então para Van Halen, Metallica, Dire Straits, Megadeth. Começou a redigir no próprio Whiplash! e tornou-se, posteriormente, correspondente internacional das revistas RSJ (Índia - foto ao lado), Popular 1 (Espanha), Spark (República Tcheca), PainKiller (China), Rock Hard (Grécia), Rock Express (ex-Iugoslávia), entre outras. Teve seus textos veiculados em 35 países e, no Brasil, escreveu para Comando Rock, Disconnected, [] Zero, Roadie Crew, Valhalla.
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