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O Heavy Metal e a panela de pressão

Por Bruno Sanchez
Em 20/12/04

8 de Dezembro de 1980. Quando caminhava de volta ao seu prédio Dakota, em Nova York após uma sessão de estúdio a poucas quadras dali, o ex-beatle John Lennon foi abordado por Mark David Chapman, um fã em busca de seu autógrafo. Calmamente John atendeu o rapaz e, ao virar as costas, foi baleado e morto segundos depois pelo mesmo Chapman, um fanático pelos Beatles que responsabilizava John pelo fim do quarteto.

8 de Dezembro de 2004, exatamente 24 anos depois, durante um show da banda Damageplan em Columbus, nos EUA, um fanático pelo Pantera, Nathan Gale, sobe ao palco aos berros responsabilizando o guitarrista pelo fim da banda, puxa um revólver e dispara à queima roupa contra "Dimebag" Darrell Abbott, matando um dos fundadores de sua banda preferida. Nathan ainda teve tempo de assassinar covardemente mais três pessoas antes de ser morto pela polícia no próprio local.

Coincidência ou não, o fato é que 08 de Dezembro está marcado, definitivamente como o dia negro da história do Rock. E antes que alguém diga alguma bobagem, não existe comparação entre os Beatles e o Pantera e eu não seria idiota em tentar comparar a importância das duas bandas. Só estou relatando um acontecimento na mesma data, de maneira parecida (tanto Dimebag quanto John morreram com quatro tiros dados por um "fã").

Quando li a notícia no dia 9 pela manhã, fiquei sem palavras, nem tanto por ser fã do guitarrista (na verdade não conheço muito seu trabalho a não ser por alguns álbuns do Pantera) mas pela crueldade do acontecimento. Dimebag era um grande representante da cena Metal norte-americana, querido e respeitado por todos, como mostram as manifestações de solidariedade que se seguiram ao crime.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

O grande problema em torno destas tragédias, tirando o terrível fato em si, é como esse tipo de assunto sai pela boca da imprensa. Por incrível que pareça, na maioria das páginas jornalísticas onde li a respeito do assunto encontrei uma cobertura honesta, informando o fato e relembrando um pouco da carreira do músico. Surpreendi-me inclusive com um belo artigo da CNN, resgatando as obras de Dimebag, a história do Pantera, depoimentos emocionados dos amigos. Um trabalho decente e bem feito.

A surpresa negativa veio de nosso Brasil, pelo Jornal da Globo com a apresentação de Ana Paula Padrão. A apresentadora mostrando um total desconhecimento de causa e com um olhar irônico absolutamente irritante, enfatizou o apelido de Abbot, Dimebag – saquinho de maconha. Para os mais perspicazes, ficou fácil entender a suposta relação que tentaram estabelecer entre as drogas e o homicídio e é lógico que se assassino estivesse drogado, poderíamos ter outras idéias sobre o que ocorreu mas esse fato, até agora, está totalmente descartado pelas autoridades responsáveis. Quero deixar bem claro também que sou totalmente contra qualquer tipo de droga, mas o que tem a ver o apelido de alguém ou se o cara fumava maconha, com o crime?

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Para completar a matéria, o jornalista William Waack entrou direto dos Estados Unidos para narrar os detalhes do caso e em meio a informações desencontradas, também teceu alguns comentários sobre a violência do Heavy Metal, dos jogos eletrônicos (os eternos culpados de tudo) e dos filmes – mostrando cenas de Matrix.

E então veio o Arnaldo Jabor, uma pessoa que respeito e concordo muitas vezes, mas honestamente não tem conhecimento de causa para formular qualquer opinião que seja sobre Heavy Metal e o resultado você já deve imaginar: preconceito, ironia e falta de tato.

Todos os argumentos utilizados na reportagem são facilmente rebatidos. Em primeiro lugar, o fato da música em si provocar assassinatos não faz sentido já que John Lennon sempre foi uma das pessoas que mais pregou a paz, o fim da guerra e o amor e também acabou morto de uma forma covarde.

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Um fato interessante que poucos ressaltaram é que o assassino de Dimebag era um ex-fuzileiro do exército dos Estados Unidos e, como tal, deveria apresentar um mínimo de equilíbrio mental. Se alguém entra em um show de Rock e sai disparando contra pessoas inocentes, imagine o que é capaz de fazer em território estrangeiro, no Iraque por exemplo.

Chegamos à conclusão que todos deveriam tirar antes de procurar um culpado: malucos existem e sempre existiram na história da humanidade. Histórias de pessoas desequilibradas que cometeram crimes fúteis são conhecidas desde que o primeiro ser pisou em nosso planeta. Na bíblia encontramos relatos, em documentos da idade média, papiros egípcios, tábuas de argila de 4000 anos. Pessoas com distúrbios psicológicos talvez sejam a maior constante em nossa "evolução" e, antigamente, um destes loucos poderia matar centenas de pessoas sem ser descoberto.

O fato de sua banda preferida ter encerrado as atividades pode provocar tristeza, raiva, indignação, mas daí a você sair caçando os ex-integrantes para ajustar contas já é uma outra história. Imaginem se isso ocorresse sempre, o que não teríamos de mortes por este motivo no meio musical?

Mas a mídia não se conforma com o fato de uma pessoa matar a outra simplesmente pelo fato de não bater bem da cuca e adora correr atrás de culpados. Um caso célebre ficou conhecido nos anos 80 quando dois adolescentes se suicidaram com tiros de espingarda na boca enquanto ouviam o disco Stained Class do Judas Priest. Na verdade um dos jovens morreu na hora, o outro ficou com o rosto totalmente desfigurado e morreu anos depois. Rapidamente a mãe de um deles entrou com pedidos de indenização milionária contra a banda, dizendo que o álbum trazia diversas mensagens subliminares e incentivaram o suicídio. A mídia adorou a história e fez uma campanha ferrenha contra o Judas (e o Metal) que quase resultou no fim da banda pela pressão imposta.

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Por sorte, alguns jornalistas mais competentes foram atrás de informações reais sobre a vida dos rapazes e descobriram que as suas famílias eram totalmente desestruturadas, ambos apresentavam quadros graves de depressão, distúrbios psicológicos, os pais eram alcoólatras, batiam nos dois e usavam drogas pesadas (neste caso temos uma verdadeira conexão, sem sensacionalismo). O Heavy Metal servia apenas como uma válvula de escape naquela triste vida.

No final das contas, com provas e depoimentos inquestionáveis, o júri inocentou a banda e responsabilizou os pais pelo suicídio dos dois jovens mostrando que ainda temos pessoas sérias no meio.

Mais recentemente, aqui no Brasil, tivemos o caso do estudante de medicina que abriu fogo em um cinema do shopping Morumbi em São Paulo. O rapaz apresentava distúrbios psicológicos gravíssimos, tomava medicamentos pesados, fazia um tratamento psiquiátrico e apresentava tendências suicidas, mas mesmo assim a mídia não satisfeita tentou relacionar o crime ao jogo Duke Nuken 3D, onde em um pequeno trecho o herói enfrenta seus inimigos em uma sala de cinema. O que ninguém mencionou é como uma pessoa dessas consegue chegar no penúltimo ano de medicina. Imagina que interessante seria a sua vida sob os cuidados de alguém assim.

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Óbvio que todas as formas de arte (e aí se inclui a música) influenciam a vida de uma pessoa de uma forma ou de outra, mas todos os seres normais têm o seu limite de ação bem definido e sabem distinguir o certo e o errado, nem que seja pelo instinto. Não é porque o Cannibal Corpse ou o Napalm Death escreveram músicas sobre assassinatos e eu curta o som dos caras que vou ter de sair por aí matando as pessoas. O mesmo vale para qualquer jogo de videogame: não é porque eu saio roubando carros e atropelando velhinhas em GTA, que preciso reproduzir isto na vida real.

A grande prova são os terroristas da Al Qaeda e fanáticos religiosos. Duvido que Bin Landen teve contato com alguma música de Heavy Metal ou algum jogo de videogame e, no entanto, está solto por aí cometendo suas atrocidades. Isso para não falar do outro anormal lá da Casa Branca e dos malucos de séculos ou milênios atrás. E eu juro para você que um egípcio de 5000 anos atrás nunca teve contato com o Pantera ou o Playstation 2.

Às vezes é muito mais fácil procurar culpados do que simplesmente assumir o ocorrido como uma fatalidade isolada, ou você vê todo dia na televisão mortes em shows de Heavy Metal? Antes deste trágico homicídio (que, ok, foi mais traumático pois envolveu alguém da banda em si), de qual você se lembra?

Mas a cobertura da imprensa sempre em busca de um culpado não é nenhuma novidade. Para quem gosta e acompanha futebol, os infinitos debates sobre a morte do jogador Serginho do São Caetano refletem uma mesma realidade: já se acusou o clube, seu médico, presidente, médicos do Incor, o motorista da ambulância, massagista, desfibrilador, a rampa do estádio do Morumbi, o próprio jogador, a mulher do jogador. Só falta responsabilizarem a bola, o que não é muito difícil, então vou virar minha boca para lá.

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O único fato relevante neste momento é que Dimebag Darrell, 38 anos, não irá voltar mesmo que acabem com o Heavy Metal e os videogames. Este tipo de discussão inútil só alimenta ainda mais a dor dos fãs, familiares e amigos dos envolvidos. Será que algum dia a imprensa irá se conscientizar? Deixem o cara descansar em paz!

E assim caminhamos...

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Sobre Bruno Sanchez

Paulistano, 26 anos, Administrador de Empresas e amante de História. Bruno é colaborador do Whiplash! desde 2003, mas seus textos e resenhas já constavam na parte de usuários em 1998. Foi levado ao Rock e Metal pelos seus pais através de Beatles, Byrds e Animals. Com o tempo, descobriu o Metallica ainda nos anos 80 e sua vida nunca mais foi a mesma. Suas bandas preferidas são Beatles, Metallica, Iron Maiden, Judas Priest, Slayer, Venom, Cream, Blind Guardian e Gamma Ray.

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