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Airbourne 2022

Air - Moon Safari

Por Cláudio Vigo
Em 19/01/04

Saca aquelas tardes em que deitado no sofá você fica pensando que a primeira coisa que fizesse ia ser genial e se transformar em um absoluto sucesso? Guardadas as devidas proporções, Orson Welles passou por isso ao realizar sua obra prima (Cidadão Kane) aos 26 anos, Rimbaud, Radiguet e muitos outros também fizeram o melhor de suas obras no início. Parece que o duo francês Air vai pelo mesmo caminho e tenta desesperadamente se livrar do fantasma de seu primeiro disco, o genial "Moon Safari".

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Ouvi este disco assim que saiu no inacreditavelmente já distante ano de 1998 e fiquei bastante entusiasmado. Jean Benoit Dunckel e Nicholas Godin, antigos companheiros de Versailhes e figurinhas fáceis na cena dance eletrônica francesa, fizeram uma obra prima onde musica ambiente climática se misturava com lindas melodias executadas com toda sorte de quinquilharia analógica diretamente saída do final dos anos 70. Coisas como Mini Moogs, Fender Rodhes, Clavinets, Korgs, etc, que faziam a festa nos grupos prog de então apareceram dando suporte a uma concepção musical que era uma mistura de Eno, Ennio Morricone, Vangelis e melodias pop. Tão dançante quanto um saci de muletas. A primeira musica ("La Femme Dárgent") é uma hipnótica levada de baixo com zilhões de teclados fazendo uma cama de nuvens pra deitar sem rolar. "Sexy Boy" foi sucesso instantâneo na MTV e "All I Need" com certeza embalou a noite de muito casalzinho aflito. Pois depois disso os caras se tornaram os instant darlings da cena cult mundial e geraram uma leva de seguidores diretos (Zero 7, Ben) e indiretos (Thievery Corporation e muito da galera trip hop posterior a eles). Confesso que passei algumas boas noites entregue a contemplação de longínquas teias de aranha no teto, largado enquanto pensava em coisas como algodão doce em cima de plumas ou algo parecido. Um amigo meu mais energético e sanguíneo foi lá em casa e se indignou: "Isto é musak de clubber! Estes caras são o Mantovani de Sushi bar!" Fiquei indignado e disse que sua alma churrasqueira e hard core é que era incapaz de perceber as sutilezas de uma peninha no veludo.

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Com muito interesse corri atrás do disco seguinte (lançado em 2000) que era uma trilha sonora de um interessante filme da mais difamada estreante do cinema de todos os tempos - Sophia Coppola, que surpreendeu todos os maledicentes com o intrigante Virgens Suicidas. Como trilha nota 10, mas como continuação do "Moon Safari" ficou bastante a desejar. Os sucessivos climas se prestavam com precisão ao astral reflexivo e down da película, mas se ouvidos a exaustão baixavam a pressão como um banho de banheira quente. Não era ruim (longe disso), mas dava um sono... Ouvi bastante, mas não chegou a entusiasmar.

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O disco seguinte se chamou "10 000 HZ Legend" e muda totalmente de direção e proposta. Um flerte direto com um lado progressivo e obscuro lembrando em alguns momentos (de leve) um Radiohead sem desespero e mais blasé. O papa do pop descolado - Beck Hansen participa em uma faixa e se temos muitos vocais filtrados e distorcidos some quase do horizonte o céu de brigadeiro. Acabou o Prozac e a barra pesou, é a impressão que o disco dá.

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Muitos sussurros sem gritos, uma depressão contida em vários becos com poucas saídas. O disco é bom? É ótimo, adorei e tal, mas não escutei nem um décimo das vezes que escutei o "Moon Safari". Que sina, não é mesmo?

Pois ontem me caiu na mão, numa gentileza de meu caro amigo Paulo Pacheco, o último disco dos caras, lançado mais que recentemente, chamado "Talkie Walkie". Botei no fone imediatamente cheio de curiosidade, chegando ao requinte de amontoar umas almofadas meio murchas que tenho por aqui e que se fosse mais novo chamaria de ambient lounge... Largado no meio dos trapos comecei a ouvir a bolachinha e já na primeira musica ("Vênus") reconheci a tecladeira hipnótica e a maciez ortobônica do som. Na segunda uma flauta nirvânica pontua um vocalize viajante cheio de camadas e comecei a reconhecer o caminho.

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Antes que algum agoniado venha com intriga logo esclareço - Odeio new age e coisas como Kitaro, Yanni, etc, costumam me tirar o sono de tanto mau humor. Não é nada disso. Assim como gosto muito do minimalismo de um Philip Glass e as viagens de um Eno ou Sakamoto não suporto Jean Michel Jarre, Vangelis e tantos outros amansadores de molares avariados.

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Mas eis que vem a questão: apesar de muito bom também, a impressão que fica é que tentaram voltar correndo pro modelo do "Moon Safari". Um certo travo de decepção começa a prejudicar o encosto na almofada e um desconforto obscuro surge. Pode ser paranóia minha ou a desenfreada busca de algo impossível. Mas a impressão que fica é que esta busca não é só minha, é deles também. De qualquer maneira o disco é muito bom e recomendo a audição. Mesmo que o chá de camomila esteja um tiquinho malhado e que venha acompanhado do artifício exótico de um Lexotan. Pra forçar a barra.


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Da safra de 62 , Claudio Vigo ganha a vida com a poesia, o jazz e o rock n roll. Paga as contas como arquiteto.

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