On The Road: A criatividade não está restrita a uma época especifica
Por Cláudio Vigo
Postado em 29 de maio de 2001
Andei relendo algumas destas colunas que escrevi e cheguei a conclusão que poderia estar passando uma imagem saudosista, de uma pessoa que apagou o farol e só pensa no retrovisor. Como isto está longe de corresponder à verdade, decidi puxar esta conversa antes que o odor de naftalina tome conta e eu acabe como Arnaldo Baptista perguntando: "será que eu vou virar bolor?"
Falando em Baptista, recentemente vi uma entrevista com outro Mutante, o Sérgio, em que ele se dizia perplexo com o grau de culto ao passado de uma garotada que só sabia de querer vasculhar coisas de trinta anos atrás e desdenhava tudo que era feito na atualidade. Para ser sincero isto não é novo e sempre me incomodou bastante. Sempre estive curioso com as manifestações contemporâneas e não acredito que a criatividade esteja restrita a uma época especifica, seja esta qual for. Tinha amigos saudosos de um Woodstock que nunca tinham vivido e que até hoje escutam as mesmas bandas e pior, pensam rigorosamente igual há vinte anos atrás.
Acredito piamente que arte de verdade não tem prazo de validade. Tanto no cinema, nas artes plásticas, na música, na literatura, o que se torna universal vale em qualquer época, fica atemporal. Se lermos o "Satiricon" de Petrônio, "A Arte de Amar" de Ovídio podemos sentir o frescor do que foi escrito apesar de tanto tempo. Isto vale para "Cidadão Kane", "Boticelli", "Bosh", "Kafka" e "Eletric Ladyland" de Jimi Hendrix e todas as manifestações humanas que são um passo adiante em nossa condição.
Ficar restrito a uma época somente é restringir demais o campo de experimentação que é enorme. É obvio que os anos 60 / 70 foram mágicos para o Rock'n'Roll assim como os 40 /50 foram para o Jazz e por aí vai a coisa. Mas atenção: como dizia o profeta Muddy Waters: "Pedras que rolam não criam limo e se eu estou vivo quero mais é saber o que é que está rolando e para onde o vento está soprando".
Na verdade, o que escuto no dia a dia se divide em bastante Jazz (Be Bop, Cool Jazz, West Coast, Jazz Rock etc...), muita música atual que considero de boa qualidade (Ben Harper, Morphine, Radiohead, Stereolab, Portishead etc...) e o bom e velho Rock'n'Roll em seu apogeu.
Se a curiosidade matou mais de um gato, preciso colocar as barbas de molho, sou um investigador incurável e muitas vezes sou capaz de comprar um cd sem nunca ter ouvido nada, apenas para conhecer. Lixo sempre houve (concordo que o atual está irreciclável), e se não vamos selecionando por experiência e descartando o que não interessa, o preconceito costuma vencer e congelar nossa sensibilidade.
Hoje com a disponibilidade de catálogos enormes, as baixas tiragens, e o custo zero de produção dos relançamentos, a nostalgia virou um excelente negócio para as gravadoras. Acha-se de tudo, as coisas mais absurdas e inacreditáveis para todos os gostos. Lado B's, shows raros e muitos bônus tracks fazem a festa dos colecionadores. Não nego que fico maravilhado com as possibilidades (nunca foi tão fácil achar um titulo), mas sinto uma certa saudade de quando se esperava o impacto de um lançamento que muitas vezes não deixava pedra sobre pedra.
Não tem receita para este bolo, só a certeza que o tempo não para e se já passou muita água debaixo desta ponte, tenho certeza, que se tudo não desandar vem muito mais por aí. Como diria o Arnaldo: "eu quero é mais, eu quero é me afundar na lingerie!"
On The Road
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A banda de rock que lucra com a infantilização do público adulto, segundo Regis Tadeu
Derrick Green explica por que seu primeiro disco com o Sepultura se chama "Against"
Como é a estrutura empresarial e societária do Iron Maiden, segundo Regis Tadeu
Metal Hammer coloca último disco do Megadeth entre os melhores da banda no século XXI
A música de Raul Seixas que faria ele ser "cancelado" nos dias de hoje
A música do Iron Maiden sobre a extinção do Banco de Crédito e Comércio Internacional
Metallica não virá à América do Sul na atual turnê, destaca jornal
Como o cabelo de Marty Friedman quase impediu a era de ouro do Megadeth
O guitarrista que usava "pedal demais" para os Rolling Stones; "só toque a porra da guitarra!"
Como está sendo a adaptação de Simon Dawson ao Iron Maiden, de acordo com Steve Harris
Por que David Gilmour é ótimo patrão e Roger Waters é péssimo, segundo ex-músico
Matt Sorum admite que esperava mais do Velvet Revolver
Por que não há músicas de Bruce Dickinson em "Somewhere in Time", segundo Steve Harris
A canção pop com "virada de bateria" que Ozzy Osbourne achava o máximo da história da música
O clássico do Deep Purple que apresentou Bruce Dickinson ao mundo do rock
A famosa banda brasileira que Rafael Bittencourt quase foi linchado por não conhecer
Mick Jagger e sua hilária lista do "Top 10" de coisas que aprendeu em 50 anos de rock
David Gilmour explica que vendeu o catálogo do Pink Floyd, "mas não os direitos de publicação"


Vídeo de 1969 mostra Os Mutantes (com Rita Lee) tocando "A Day in the Life", dos Beatles
As cinco melhores bandas brasileiras da história, segundo Regis Tadeu
Por que Mutantes não tocavam no Brasil todo nos anos 1970?
A banda de rock que se afastou e Tim Maia ficou com saudades do convívio



