On The Road - John Mayall e o restaurante Indonésio
Por Cláudio Vigo
Postado em 16 de março de 2001
Nascido no longínquo ano de 1933, John Mayall assim como Alexis Korner, podem ser considerados os avôs do blues-rock inglês. Se Luciano Huck tem uma fazenda de bundas escondida em algum lugar do país, Mayall com certeza tem uma de guitarristas perto de Londres. É só sacar o time que já passou por seu antológico grupo (Bluesbreakers) para ver se tenho ou não razão: Eric Clapton, Peter Green, Mick Taylor, Coco Montoya e muitos outros colocaram seus instrumentos a serviço deste grande talento, que soube como poucos, unir as raízes do blues ao tempero do Jazz, em meio a muito rock'n'roll.
Sempre ouvi falar muito em John Mayall, principalmente aquela história do disco perfeito, com Clapton, que havia largado os Yardbirds (onde era Deus) para encarar sua devoção pelo blues. Assim que encontrei, comprei este clássico, e para ser sincero, estava mais interessado no Clapton do que no resto. Tempos depois, me caiu nas mãos uma coletânea dupla da fase mais Jazz (1969/1974) e aí a coisa complicou muito. Virei fanático de carteirinha e tinha os discos: Jazz blues Fusion, Memories, Turning point e outros na minha cabeceira ouvindo dia e noite aquela perfeita fusão de climas, onde sempre havia uma gaitinha maravilhosa (Mayall), um naipe de sopros desconcertante e um guitarrista absurdo, sem falar no vocal característico do homem.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Os discos de várias fases foram se acumulando ao longo dos anos (Mayall gravou muito) e cada um que saía eu comprava logo.
Um belo dia tenho a notícia de que o Free Jazz traria ao Rio de Janeiro John Mayall e seus Bluesbreakers, com o estupendo Coco Montoya pilotando as guitarras, na excursão de seu disco Chicago Line. E para piorar a situação, tocariam no mesmo dia que o seminal John Lee Hoocker (O Nelson Cavaquinho de lá). Nem preciso dizer que quando abriu a bilheteria eu estava me estapeando com outro maluco para ver quem comprava o melhor ingresso.
Os tabefes valeram a pena e o show foi uma das melhores coisas que já assisti. Fizeram uma Jam com o próprio John Lee Hooker simplesmente inesquecível e Coco Montoya estava com a "macaca", só faltando fazer chover dentro do antigo Hotel Nacional. Saí de alma lavada, ensaboada e enxagüada. Até hoje lembro dos duelos de harmônica e guitarra e dos climas de Mayall nos teclados.
Muitas foram as lendas do pós-show. Teve gente que viu o homem, que fazia a linha bicho grilo ancestral, dando um rolê de madrugada pelo Baixo Leblon tomando algumas. Saiu uma história no Jornal que ele havia pedido todo o cachê em grana viva depois do show. Após a entrega da pacoteira de notas o maluco beleza tirou o sapato, e guardou a dinheirama no bolso, embrulhada na meia, para horror e espanto da produtora. Se foi verdade eu não sei, mas que saiu no jornal saiu.
Alguns anos depois assisti um outro concerto (Morro da Urca - Rio) da excursão do disco Spinning Coin com Buddy Whittington no lugar de Montoya, foi legal, mas bem inferior ao anterior.O que valeu é que quase peguei o bondinho de descida junto com o ídolo. Tentei procurar a meia para ver se caía um qualquer, mas o cara estava de sandália. Será que levou o cano?
Destas histórias com John Mayall, tem uma que é puro anticlímax e uma tremenda pagação de mico. Estava eu e minha mulher Paula dando umas voltas em Amsterdã olhando aqueles bares que servem de tudo em muita quantidade (o holandês tem três paixões na vida: o futebol, as tulipas e o cânhamo, se é que vocês me entendem) e eis que num boteco transadíssimo vejo aquela plaquinha com foto: "Hoje tem John Mayall". Quase tive um piripaque e Paula segurou a síndrome de macaca de auditório que fiquei dando na porta do bar, sugerindo que fôssemos ver mais uns quatrocentos e cinqüenta Mondrians, uns oitocentos Van Goghs e depois fôssemos jantar num pitoresco restaurante Indonésio antes de encarar o blues de frente.
Quando chegamos no Indonésio, a precariedade de meu inglês fez o garçom china pau entender que eu queria o prato super completíssimo e vieram montoeiras de potinhos de cerâmica com umas coisinhas apimentadas dentro. Pedi logo umas Heineken geladas pra rebater e caí dentro dos potinhos sem nenhum cuidado e auto estima (como sempre). Paula olhou de longe, comeu uns dois biscoitinhos, bebericou uma água e parou, comentando o Mondrian da tarde, enquanto pra fazer jus aos meus suados dólares desperdiçados eu comia de tudo um muito. Até que no meio daquilo tudo, dei de frente com um potinho mínimo, com uma carne escura dentro. Antes que ela pudesse iniciar o "não faz isso com você" eu mandei bala e senti o repuxo...
Parecia que eu estava sorvendo o chumbo derretido que habita o rio do inferno de Dante. Nem as milhares de Heineken que tomei deram jeito. O ar começou a faltar e pedi a conta, sem voz, todo vermelho, cheio de placas no pescoço. O China pau trouxe com uma irritante expressão de ironia e saí de lá a beira de um ataque de nervos ou de uma cama de hospital. Resumo da Ópera: que John Mayall que nada. Passei a noite gemendo e suando na cama do hotel.
Para ilustrar o mico histórico estou mandando uma foto de alguns momentos antes de acharmos o bar onde iria ver John Mayall de pertinho tocando. Não é por nada não, mas tem varias noites que tenho pesadelos com a cara daquele garçom Indonésio, rindo com a conta estendida para mim. A trilha sonora, John Mayall é claro (pelo menos isto).
On The Road
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O álbum do Iron Maiden eleito melhor disco britânico dos últimos 60 anos
Morre Clarence Carter, intérprete de música que virou hit em tradução do Titãs
O disco do Pink Floyd que foi a gota d'água para Roger Waters; "é simplesmente um lixo"
A música sobre John Lennon que Paul McCartney ainda acha difícil cantar ao vivo
Anthrax lança primeira música inédita em uma década e anuncia o disco "Cursum Perficio"
O homem que ajudou a mudar as vidas de Zakk Wylde e Sebastian Bach
"Prefiro morrer a tocar com eles novamente": a banda que não se reunirá no Hall of Fame 2026
O período mais difícil da carreira de Scott Ian, guitarrista do Anthrax
O clássico que Brian May acha que o Queen estragou ao gravar; "Nunca gostei, para ser franco"
A banda com que ninguém suportava dividir estrada nos anos 70 - nem os próprios colegas de turnê
O maior guitarrista da história para Bruce Springsteen; "um gigante para todos os tempos"
A música "bobinha" dos Beatles que superou um clássico dos Beach Boys
A música do Dream Theater que é a preferida de Herman Li, guitarrista do Dragonforce
A crítica que Dio passou a fazer sobre o trabalho de Ritchie Blackmore no Rainbow
26 shows internacionais de rock e metal no Brasil até o final de maio
Regis Tadeu e os vinte maiores guitarristas do Brasil
A única música brasileira que Renato Russo incluiu na lista de maiores lançamentos de 1988
Os dois motivos que levaram Renato Russo a recusar parceria musical que Cazuza ofereceu

O guitarrista que entrou no lugar de Eric Clapton e não tremeu; "ele era superior aos outros"
