"Foi aí que comecei"; Slash revela o guitarrista que o fez levar o instrumento a sério
Por Bruce William
Postado em 12 de julho de 2025
Slash sempre deixou claro que tocar guitarra vai além de mero exibicionismo técnico. Para ele, o instrumento é uma extensão da personalidade, uma forma de se expressar com a mesma intensidade que um vocalista encontra na voz. E por mais que tenha absorvido influências variadas que vão de Joe Perry a Eric Clapton, passando por Keith Richards, houve um momento específico em que a guitarra deixou de ser apenas uma paixão e se transformou em obsessão.
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Esse ponto de virada veio quando Slash começou a ouvir com mais atenção os discos de Jeff Beck. Apesar de já conhecer nomes lendários do blues e do rock, foi Beck quem realmente o tirou da zona de conforto e o fez repensar sua abordagem ao instrumento. "Esse é meu guitarrista favorito. Foi aí que me sentei pra aprender 'Cause We've Ended As Lovers', 'Goodbye Pork Pie Hat', todas essas coisas. Foi aí que comecei a focar na técnica da guitarra, com o Jeff", disse durante conversa com a Guy Guitars (via Far Out).
Jeff Beck, conhecido por reinventar a forma de tocar sem perder a emoção, foi um divisor de águas para muitos guitarristas. E para Slash, essa descoberta teve um impacto direto na forma como ele passou a compor e tocar. Mesmo em músicas intensas e sujas como "Paradise City" ou "Nightrain", há uma sensibilidade por trás dos solos, e muito disso vem da influência de Beck, especialmente no uso de efeitos, sustain e controle de dinâmica.
Slash também aprendeu - possivelmente com o próprio ídolo - que ser técnico não significa ser previsível. Assim como Beck, que flertou com jazz, funk e até música eletrônica sem nunca se prender a um único estilo, Slash viu na versatilidade um caminho natural. Com o tempo, passou a incluir elementos inesperados em suas composições, como trechos de violão flamenco ou linhas melódicas que soam quase como gritos de desespero.
A maior lição, no fim das contas, talvez tenha sido essa: soar como você mesmo é mais importante do que tentar soar como alguém. E foi com Jeff Beck que Slash percebeu que cada nota pode - e deve - carregar uma identidade. Desde então, sua assinatura sonora se tornou tão reconhecível quanto a própria cartola e os cabelos encaracolados que o acompanham desde os tempos do "Appetite for Destruction".
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