On The Road - biografia de Ron Wood é bem humorada e informativa
Por Cláudio Vigo
Postado em 20 de janeiro de 2013
Vivemos tempos mercantis, cada fato ou foto tem um valor e dependendo do grau de influência do personagem em questão isso vale alguns milhões. O rock'n'roll há muito, muito tempo deixou de ser manifestação de alguma contrariedade contra a Status Quo ou de não conformidade. Hoje é memorabilia de vetustos senhores burgueses que entre o porre de cerveja e a picanha mal passada recordam seus tempos muito loucos enquanto ouvem velhos sucessos que empapam seus rostos gorduchos de nostalgia e colesterol.
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Essa turma é a única que ainda compra CD, DVD e principalmente biografias e autobiografias de seus ídolos do passados e essas tem saído em fornadas seja através de um Ghost Writer de tabloide ou através da pena do dito cujo. Eu, talvez até pelo fato de pertencer à turma acima descrita, compro e leio todos e tem que correr pra acompanhar tudo que sai. Tem de todo mundo pra todo mundo e com grande variação de qualidade. Confesso que prefiro as escritas por terceiros que entrevistam um monte de gente e analisam o aspecto musical do que confiar na memória de gente que passou a vida com uma garrafa de Jack Daniels numa mão e um canudo na outra mandando ver e detonando neurônios.
Com o passar do tempo percebi que existe uma fórmula: primeiro a infância triste no misere, depois os primeiros discos e amizades, o inicio do sucesso e do 1/3 do livro em diante o que a galera quer: descrição detalhada de drogas, drogas, drogas, muita bebida, sexo bizarro, mais drogas, desvario, arrependimento, mea culpa, reabilitação e muitos casos passados com celebridades.
Uma das lendas vivas(?) do Rock Mr. Ronnie Wood não ia nos privar de sua história e foi este livro que li esta semana. Originalmente escrito em 2007 e editado no Brasil pela Editora Generale, tem 382 páginas daquela fórmula descrita acima e mais um pouco. Bem humorado (Ronnie sempre foi uma das grandes figuras do Rock) e informativo, pois o cara se movimentou como poucos. Um dos top de linha. tocou no Jeff Beck Group (que ele esculhamba), no Faces (que ele tem pena de não ter sido maiores) até chegar no supremo olimpo de ser um Rolling Stone.
Eu particularmente sempre fui fã empedernido da figura e possuo vários de seus álbuns solo podendo dizer que os primeiros são verdadeiras obras primas. Quando foi escolhido para substituir Mick Taylor (um deus da guitarra) não me surpreendi e acho Black'n'Blue um de meus álbuns preferidos de suas Majestades Satânicas. O duo com Keith Richards durante muito tempo foi sublime com sua costura de riffs e beliscadas que seguravam a onda dando o azeite especial da maquina.
Vale a pena saber que ele realmente tinha um Pub dentro de casa, que passava dias trancado num banheiro cheirando com Bob Keys e outras amenidades e algumas fofocas de bastidores. Musicalmente o livro é muito inferior ao de Richards, but it´s only rock nroll...
A memória e o amor à verdade de Ronnie não são a especialidade da casa e tem uns casos (principalmente o relativo a ser chamado a montar o Led Zeppelin) que são pura cascata fora a tiração de onda de quem ele passou na régua e no compasso. Um passo a passo dos anos 70 de seu furor, gloria e descompasso com a realidade na historia deste grande guitarrista que foi confundido com uma galinha por Groucho Marx.
Ficou curioso? Lê aí... eu sei que você quer assunto pro próximo churrasco.
On The Road
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